De todas as franquias do cinema que tratam de um futuro dominado pela tecnologia, certamente O Exterminador do Futuro é a que possui uma espécie de profecia velada sobre o destino da humanidade. Mesmo lá em 1984, quando James Cameron iniciou a série, a simples menção da Skynet como ameaça à soberania do homem como administrador do seu planeta, já era vista com um profundo respeito pela temática vanguardista e o posicionamento visionário de que um dia a criatura se tornaria dominadora dos seus criadores, uma clara alusão às teorias humanistas de vida em sociedade, religião, poder, rebelião e anarquia.
Em O Exterminador do Futuro: Gênesis, parece que o diretor Alan Taylor optou por salvaguardar o discurso filosófico político do futuro da humanidade para pesar a produção com um discurso alimentado pelos roteiristas Patrick Lussier e Laeta Kalogridis, que apontam mais para aventura, ação e humor… Quem diria.
… Não é nenhum absurdo dizer, por exemplo, que o destaque do filme não é o “Governator” Arnold Schwarzenegger, mas sim a excelente Emilia Clarke, com uma versão de Sarah Connor amenizada por um texto menos político e mais sofrido. Mesmo que Linda Hamilton (a Sarah antiga) tenha feito um excelente trabalho pela dramaticidade e loucura envolvida do seu personagem, Clarke até convence como aquela que está preparada para enfrentar a Skynet e livrar o mundo de ser dominado pelas máquinas e quem sabe, pelos homens (no sentido machista do léxico).

Se Emily vai levando o personagem com alguma desenvoltura, não somos só elogios para Jay Courtney, vivendo Kyle Reese, soldado que vem do futuro, para ajudar a proteger Sarah e ajudá-la a comprar uma briga com a Cyberdyne, responsável pelo desenvolvimento do software que tem entre seus objetivos a destruição da população mundial e a submissão dos que sobrarem. Mesmo sem fazer caras e bocas, Courtney não desafia seu próprio personagem a sair do lugar comum de ser um grande oponente aos planos da Skynet…
E se eu te disser que isso é fichinha perto do grande problema que os roteiristas criaram ao colocar John Connor como um dos vilões da produção? Há quem diga que esta “surpresinha” ficaria para o O Exterminador do Futuro: A Salvação, de 2009 e olha, se esta era a ideia, tomamos uma bela pernada.

As mensagens distribuidas por todo o filme são positivas e emblemáticas: a mulher como responsável pela restauração da humanidade, o re-posicionamento do homem quanto ao uso da tecnologia a seu favor, a vida observada de um ponto de vista efêmero… Ainda há valor nos ingredientes explorados no primeiro filme de 1984, mas as ideologias foram pouco aprofundadas e deram lugar a uma produção com alívio cômico acima da média para uma série conhecida por seu discurso filosófico e cheia de reflexões.
As explicações dadas para justificar o “envelhecimento dos robôs” é de corar qualquer estudante de Cinema ou admiradores da “Velha Arte”. E por falar nisso: será que a gente realmente precisa dar continuidade à produções que cumpriram seu objetivo com louvor? No caso da franquia Terminator, estou sendo bastante complacente porque o terceiro e o quarto filme são fracos e muito abaixo dos dois primeiros.
Para não ficar apenas com críticas negativas, o trabalho técnico do filme é excepcional. A edição de som ficou excelente para sublinhar as cenas de combate juntamente com um bom serviço de efeitos especiais. Até mesmo as referências tecnológicas dos filmes anteriores foram bem identificadas e sem qualquer tipo de exagero. Ponto para Roger Barton, um dos responsáveis pela edição da película.

Óbvio que a Paramount sabia dos riscos ao tentar mexer em um vespeiro. Por isso intensificou a identidade da Skynet com sistemas operacionais, ambiente tecnológico muito próximo de nossa rotina e de fácil assimilação para os novos fãs ou velhos fãs de Schwarzenegger. O problema é que nem o ator austríaco, com todo seu carisma dentro e fora da tela, é capaz de salvar Gênesis de apenas mais um filme que brinca com viagens no tempo e por conseguinte, cometer os mesmos erros na hora de abordar a história dentro de um vai-e-vem que pouco acrescenta à riqueza do filme original. Aliás, aqueles que não conhecem as outras produções não terão problema de nenhum de entender onde o diretor do filme quer chegar: “vamos acabar com esta história de uma vez por todas!”














