Em sua primeira semana, o Big Brother Brasil 26 conseguiu o feito de ser melhor e pior do que toda sua audiência poderia prever.
Madrugada de domingo para segunda, 3 da manhã; e esse texto está sendo escrito antes da primeira eliminação da primeira semana da vigésima sexta edição do Big Brother Brasil. O motivo pelo qual a mente reage e os dedos se apressam é a imensa turbulência que acometeu a casa desde que suas portas foram abertas na última segunda-feira. Em uma semana, tivemos um participante evacuado por conta de duas convulsões; tivemos episódios de intolerância religiosa; tivemos desmaio; desistência; abuso e crime. O que está acontecendo?
Numa interpretação direta, poderíamos dizer que “o que está acontecendo é a vida”; com tudo de grotesco e bisonho que ela tem. Todos os dias, tudo de terrível que está dentro do BBB sendo assistido, também está nas ruas, sob a segurança do anonimato. Mas, convenhamos, um programa de TV não é a vida; e pode – se quiser – evitar ao máximo que as dores mundanas acometam a meta do entretenimento. Realities de convivência trabalham com tremores, mas não existem para prender predadores sexuais. Se isso está acontecendo, seria adequado começar a investigar por quê.
A primeira vez foi no BBB 12, quando Daniel foi expulso por ter mantido relações sexuais com Monique Amim enquanto ela estava embriagada e desacordada. O que nos dias de hoje resultaria em muito mais barulho, acabou sendo “aliviado” pela sua colocação no tempo e na história. Alguns anos depois, no BBB 16, foi a própria Ana Paula Renault quem sinalizou comportamentos inadequados de Laércio em direção às participantes mais jovens. Logo no BBB seguinte – a edição 17 – Marcos Hater foi expulso após episódios de violência contra Emily. No BBB 20, Petrix e Pyong Lee protagonizaram episódios de importunação, mas não foram expulsos. Já no BBB 23, Mc Guimé e Cara de Sapato foram punidos com expulsão depois de flagrantes em relação a uma participante convidada de um Big Brother internacional.
No caso de Pedro, que desistiu do BBB 26 depois de tentar beijar Jordana à força na despensa, os sinais de desrespeito e dissimulação vieram muito cedo. Com menos de 5 dias na casa, ele já inaugurou sua primeira agenda: tentar tirar Ana Paula do eixo. Espalhou para a casa que ela chamou uma menina de Barbie (e não era verdade); praticou intolerância religiosa e insinuou que ela estaria engasgando ele com os poderes da mente. Sua outra agenda era ampliar seu comportamento bizarro para todo o resto da casa, para que todos o detestassem e fizessem o que ele mais queria: transformá-lo em vítima.
Pedro contou a todos que havia traído a esposa; disse coisas medonhas e depois desmentiu; furtou objetos; bagunçou; mentiu; e fez tudo isso de maneira calculada. Nesse primeiro momento, ele parecia ter adotado parte da estratégia do infame Davi Brito, que costumava provocar, desestabilizar, para aproveitar a reação com vitimismo; isolando-se para conquistar a simpatia da audiência. No domingo, contudo, Pedro desmontou a tese do “jogador dissimulado” e inaugurou a certeza do “homem cafajeste”.
Primeiro premeditou o ataque à Jordana (achando que a dispensa não tinha câmeras); depois usou o botão da desistência para evitar o confronto; e em seguida admitiu, friamente, que tinha sim, cobiçado as meninas por todos esses dias e que planejou levar Jornada até a dispensa para investir em direção a ela (mesmo sendo casado e prestes a ter um filho). Um comportamento predatório, sorrateiro, que reflete a mente de um homem mergulhado na mais pura misoginia. Diferente do que dizem Alberto, Sarah e Sol, NÃO; ele não é um “menino de coração bom que cometeu um erro”. Ele atacou uma mulher DELIBERADAMENTE; e ele tem que responder por isso.
A “gestão de crise” do Big Brother, entretanto, parece agonizar os resultados de uma seleção de participantes não muito apurada. Essa gestão também se atrapalhou na maneira como lidou com a primeira convulsão de Henri Castelli; e mais uma vez quando não previu que os participantes da Casa de Vidro poderiam ir longe demais. Mesmo que em realities como Survivor a privação de comida e conforto seja parte do acordo, isso não é o mesmo que passar 5 dias presos num cubículo, sem banho, comendo bolachas com água e sendo impedidos de dormir por luzes e barulhos constantes.

A imagem de uma participante desmaiando de fome e exaustão não é a que um patrocinador busca exatamente para sua marca. Mas, o que parte do público chama de “eles foram lá porque quiseram” é, na verdade, o reflexo de uma cultura de exposição, fama e dinheiro, que se torna uma alternativa mais rápida para uma mudança drástica na própria vida. Não é uma briga justa. Quase todo mundo vai aceitar tudo, porque entrar no programa representa chances reais de tomar os atalhos certos em direção à estabilidade.
E apesar das polêmicas, o programa começou bem. Usaram a Casa de Vidro do jeito certo (antes da estreia) e valorizaram os pipocas dando a eles chances constantes de passar pelo processo seletivo. Acertaram em só mostrar Camarotes e Veteranos na estreia; e devem ter percebido – finalmente – que trazer de volta ex-participantes agrada muito o público do programa. Em pouco tempo eles deixaram claro que não voltaram para dormir no ponto; especialmente Ana Paula Renault, única ex-Fazenda a voltar ao BBB; dona de posicionamentos corretos e fortes; e a primeira a notar que tinha algo de errado com Pedro.
Houve um momento em que deu medo de ver Pedro conseguir emplacar a narrativa do oprimido. Mas, com sua saída o programa começa de novo e outras narrativas podem se abrir para tornar essa potencial edição em uma melhor que suas recentes antecessoras. De preferência sem tortura; sem abuso; sem tendenciosidade. A gente quer treta, mas a razão pode ser um ovo ou uma cama. Existem limites para até onde é divertido; e se alguém é ferido no processo, não há motivos para manter acesa a luz do botão ON.
Renotes
- Milena chorando o tempo todo como uma criança de 5 anos… Tá cada vez mais difícil acreditar.
- Aline Campos brigando por causa de ovo e sendo tudo que Ana Paula não foi ainda: barraqueira, nervosa, prepotente.
- Quem se mistura com os porcos… leva 11 votos da casa. Acorda, Paulo Augusto.
- Ana Paula vencedora? Quero.
















