Em uma ação no mínimo surpreendente, a Netflix acaba de anunciar a aquisição dos direitos mundiais de Mogli – O Livro da Selva, filme da Warner Bros., dirigido por Andy Serkins. A compra é surpreendente por representar a maior aquisição da gigante do streaming de um filme já finalizado, além de que o longa estava com a data de estreia marcada nos cinemas americanos: 9 de outubro desse ano e agora será lançado apenas em 2019, para que a Netflix possa estudar a melhor forma de divulgar sua aquisição.
O elenco do longa conta com vários nomes famosos para as vozes dos animais, incluindo Christian Bale como a pantera Bagheera, Cate Blanchett como a serpente Kaa, Benedict Cumberbatch como o tigre Shere Khan, Naomie Harris como a loba Nisha e o próprio Serkis como o urso Baloo. Enquanto os papéis em live-action ficam por conta de Matthew Rhys, Freida Pinto e Rohan Chand, que interpretará Mogli, o menino criado por lobos.
O filme, filmado na África do Sul, é uma adaptação live-action do Livro da Selva, de Rudyard Kipling, obra adaptada recentemente pela Disney, também em uma versão live-action, que arrecadou 966 milhões de dólares. Por se tratarem de adaptações do mesmo livro, é inevitável as comparações dos dois filmes, e sobre isso Serkins se pronunciou:
“Quando cheguei ao projeto, o roteiro encomendado pela Warner Bros estava muito próximo do tom do livro de Kipling. A metáfora do filme é outra, uma busca de identidade própria. No livro, Mogli é essa criança selvagem criada nas fortes tradições do bando de lobos, e quando chega ao ponto da vida onde percebe que eles não são a sua família, é um momento cataclísmico para ele. Ele tenta assimilar o mundo dos homens, para sua própria segurança. Ele descobre que existem costumes que são bons e ruins, assim como no outro reino, e ele parte em uma jornada de autodescoberta para criar sua própria moralidade.”
Ele ainda completou:
“Há um risco real e consequência aqui, com uma ressonância emocional destinada a ser para um público um pouco mais velho do que a maioria dos filmes de selva que vimos. Isso se refletiu no roteiro e no modo como foi lançado, e em todo o caminho de como abordamos o design dos animais. O ser humano e os animais são emocionalmente verdadeiros, e de forma alguma estamos vendendo-os como um conto de fadas.”
Serkins concebeu Mogli – O Livro da Selva com efeitos 3D, que ele espera que possam ser exibidos em algumas salas de cinema, seguindo os planos de lançamento da Netflix. Mas busca principalmente a audiência global da plataforma, para que possa mostrar sua visão mais sombria e perigosa do que a exibida pela Disney em seu filme. O ator é bastante conhecido por suas performances em captura de movimento, como quando deu a vida a Gollum, de Senhor dos Anéis, e a Caesar em Planeta dos Macacos e essa é a sua estreia na cadeira de diretor.

“Então, é claro, nos encontramos nesta corrida com a Disney e houve uma disputa de quem lançaria primeiro”, disse Serkis. “Ambos os estúdios queriam ser os primeiros. Mas percebemos que as técnicas de captura de desempenho exigiam tempo na forma que eu queria trabalhar, e decidimos deixar o outro filme ter seu momento. A essa altura, filmamos a coisa toda e fizemos uma série de capturas que queríamos, mantendo um tempo para a pós-produção”.
Sobre o 3D, Andy Serkins revela que o longo tem momento excepcionais que souberam aproveitar a tecnologia.
“Evitamos comparações com o outro filme e é um alívio não ter pressão. Eu vi a versão 3D, e é excepcional, uma visão diferente da versão 2D, realmente exuberante e com grande profundidade. O que mais me entusiasma é o pensamento avançado na Netflix em como apresentar isso e a mensagem do filme. Eles entendem que isso é um fato mais sombrio. Não é para crianças pequenas, mas acho que é possível que crianças com 10 anos ou mais possam assistir. Esse filme sempre foi para ser PG-13 (classificação indicativa para pessoas acima dos 13 anos), e isso nos permite ir mais fundo, com temas mais sombrios, para ser assustador. A violência entre os animais não é gratuita, mas está definitivamente lá.”
Especulava-se que o filme seria um dos blockbusters do ano, e sobre isso ele disse: “Mas eu nunca olhei para ele como um grande filme blockbuster. É difícil quantificar. Tem a escala de um blockbuster, mas está em algum lugar entre As Aventuras de Pi e um filme do Planeta dos Macacos . Tem essa realidade, igual a Okja . Estamos falando de 2019 e circulando datas. A Netflix permitiu que a produção de filmes que eu queria fazer existisse e eles criaram uma atmosfera para mim, dentro do tipo de narrativa que me propus a fazer.”
O roteiro de Mogli – O Livro da Selva foi escrito por Callie Kloves, enquanto que Steve Kloves (da franquia Harry Potter), Jonathan Cavendish (O Diário de Bridget Jones) e Nikki Penny (Gravity) – além do próprio Serkins, são os produtores. Analistas do mercado em Hollywood garantem que a Warner só abriu mão do filme porque chegou a conclusão de que ele não iria bem nos cinemas, enquanto que a Netflix pode usar a sua máquina de marketing e o grande poder de distribuição global simultâneo para gerar melhores resultados.
https://youtu.be/34kN6njIeZA
A compra leva a um novo nível os acordos que a Netflix vem fazendo com estúdios de filmes, que buscam correr menores riscos em seus projetos, e apresenta um novo modelo de lançamento, como na compra Cloverfield Paradox da Paramount, na qual a empresa de streaming anunciou o filme durante o Super Bowl e o lançou logo após o jogo.
> KILLING EVE, eu entendi errado! feat. Carol Moreira!
Por enquanto a data específica de lançamento ainda não foi divulgada.















