Quando as velhas feridas doem.

O sexto episódio dessa temporada de NCIS foi o primeiro que realmente teve o mérito de me impressionar. Além de ter apresentado novidade em seu caso, Parental Guidance Suggested mexeu novamente com Tony de um modo comovente e dolorido.

Afirmei na review anterior que senti falta do destaque nos personagens, o que é o grande trunfo da série. E foi como se eles tivessem atendido meus desejos, trazendo DiNozzo ao foco do roteiro de Parental Guidance Suggested.

Pode parecer um pouco repetitivo que se bata na tecla de Ziva. Mas me lembro de um comentário na review passada que falava como a moça era uma companheira, parceira e amiga de Tony. Isso é muito forte, considerando-se ou não os sentimentos amorosos envolvidos no processo. E a ausência dela na vida do agente especial deixou uma lacuna que é difícil de preencher.

O emitir do nome de Ziva por Tony, dolorido e sentido, certamente teve o mesmo efeito em alguns fãs – eu me incluo na lista. Essa sequência, muito bem encenada por Michael e Pauley, foi uma das mais dramáticas no que se refere à despedida de Ziva desde Past, Present and Future na temporada passada, e ilustrou aquela dor adormecida que não se dissipa. Tony pode ter superado, mas o vazio deixado é difícil de ser preenchido. E falar sobre o que machuca sempre dói.

Talvez esse seja o momento para que ele siga em frente de uma vez por todas. E o sinal sintomático foi semelhante a uma crítica feita por mim em Choke Hold. Na ocasião me equivoquei em pensar que Leia fosse um interesse amoroso de longo prazo em potencial para o agente (embora uma fala no episódio seguinte tenha deixado claro que eles saíram uma vez). Mas Zoe Keates, uma pessoa do passado do rapaz em Philadelphia, apareceu e apresentou os mesmos sinais que Leia, e com ainda mais intensidade – afinal tivemos até uma observação pertinente de Ellie, McGee e Abby.

Sigo com a mesma opinião, torcendo para que a personagem seja apresentada por suas qualidades, e não só por ser um provável interesse amoroso para Tony. NCIS soube fazer isso muito bem com Dellilah, transformando-a em uma personagem adorável e querida. São os meus desejos para a interessante Zoe.

Não foi apenas isso que chamou atenção em Parental Guidance Suggested. O procedural, como há muito tempo não acontecia, surpreendeu e fez o queixo cair ao chão. A investigação da morte da Valerie Barns foi bem montada e surpreendente. E, arrisco dizer, ousada ao colocar a pequena e até então adorável Rachel como autora do crime contra própria mãe. E isso ficou ainda mais chocante e assustador depois da sequência do interrogatório final, onde a atriz mirim Millie Bobby Brown mostrou toda a face da sociopatia de Rachel.

Parental Guidance Suggested conseguiu entusiasmar tanto na parte procedural quando no desenvolvimento de personagens. Será que é possível contarmos com um roteiro engrenado daqui para frente? Resta esperar pelos próximos.

Notas gerais: 

– Episódios de Halloween sempre contam com o talento especial de Abby com decorações e fantasias. Esse não foi diferente;

– Antes de me assustar com Rachel, amei a cena dela com Gibbs e me lembrei como amo o carinho e jeito que ele sempre tem com crianças;

– Ellie não foi nada discreta em sua sondagem à Zoe;

– Tony e Ellie fazendo ioga na tocaia foi sensacional;

– Ellie merecendo o apelido de “G.I. Jane” após chute na porta do quarto de hotel;

– CBS usando um trecho de The Big Bang Theory em NCIS. Ostentando muito sua audiência, sim ou com certeza?

– Tony se definindo pela canção Happy de Pharell Williams;

– Gibbs tomando bolo em sua fantasia conjunta com Tony;

– Ellie Bishop optando pela fantasia de Sandy de Grease (1978);

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