Espera-se audácia de alguns e covardia de outros. 

Muitos acontecimentos foram abordados em mais um excelente episódio. Ao mesmo tempo que as mudanças chegam, algumas coisas parecem imutáveis, seja por medo ou receio. O orgulho é deixado de lado e a confiança reforçada, ao passo que a melancolia nunca é extinta.

I’ll tell you what did happen. You allowed him into your private life. A man who thought he could step into my place, just like that”

– Lord Robert

Robert é um retrato construído com muito afinco de um lord inglês, sua firmeza e bons modos são acompanhados de orgulho e cautela. A situação com Cora não trouxe o inesperado em relação ao relacionamento dos dois, porém o rancor não foi muito persistente ou sem nenhuma brecha.

As notícias ruins de Edith rondaram a casa como um grande evento, instigaram cada pensamento individual muito bem. Mary fez um comentário que retomou o início de sua personagem e mesmo insensível, fluiu com humor. Quando a perda ou apenas a ideia dela abate, é compreensível a desolação, porém Edith extrapola sempre na sua tristeza e é muito desconfortável para aqueles que estão ao seu redor. Ela nunca foi uma personagem fantástica ou agradável, mas teve seus momentos interessantes e agora só gira em torno da melancolia.

Finalmente Gregson é um assunto quase perto do encerramento, a conexão que fizeram com o nazismo foi perfeita. A série sempre soube situar os acontecimentos históricos formidavelmente, porém essa parte do nazismo não era esperada com um teor tão pessoal e foi, de fato, certeiro. Edith e o luto pela perda do Gregson e da filha é ainda mais impulsiva, o assédio ao Mr. e Mrs. Drewe proporcionou esse afastamento de Marigold que poderia ter sido facilmente evitado.

Continuando com as pequenas mudanças, Mary encontra a maneira adequada de surpreender e fica mais bonita com um corte moderno; não é um comportamento habitual dela, esperaria isso de Sybil ou Rose e foi uma coisa legal pra evolução dela. O comentário da granny foi hilário e a entrada da Mary lembrou muito a de Sybil em calças.

A reação de Edith foi pífia, a vida dos Crawley não tem que girar em torno dela. Realmente ela esperava que todos parassem de viver por uma tragédia que aconteceu há tempos? É simplesmente o que todos esperam da parte dela, egoísta como sempre; não importa o quão sofrida ela é, tem limites para tudo. E Edith dar uma criança e querer de volta é uma das coisas mais cruéis que um ser humano poderia fazer; é muito triste dar uma criança, fazer os pais amarem e depois mudar de ideia como se não fosse nada.

Introduzirem o esporte mais ativamente a trama é excelente. Explorarem outros ambientes além da abadia dá um tom mais real a estória e conduz a plots interessantes como esse da corrida de cavalos. Tony e Charles são charmosos e ideais pra Mary, mas talvez o Blake seja exatamente o desafio que ela precisa ao longo da vida e não um rapaz como o Tony que é mais provável a agradar. A persuasão discreta do Charles em convidar Mabel foi inteligente e ajuda muito seu propósito.

O grande foco na staff sempre foram os personagens de sempre e enfim Mrs. Patmore recebe um destaque diferente e de acordo com a ascenção social que vinha encaminhando na época. Mrs. Hughes e Carson apoiam bem essa parte da estória e tornam mais atrativo esse plot.

É pitoresco o grande mistério do Thomas, entretanto todos percebem algo demasiado errado com ele e seus hábitos menos hostis com a staff. Ele é uma pessoa que está tão acostumada em duvidar dos outros que não sabe mais a diferença entre receber ajuda e atrair curiosidade, Thomas não hesita em dispensar quaisquer conselhos ou gestos amigáveis e a evolução do personagem nunca acontecerá por esse exato motivo.

E depois de ter mandado a carta complicando os Bates e a Ms. Baxter, Thomas pede ajuda a ela; o cinismo dele é impressionante e sua hostilidade desnecessária há tempos. Gostei de Baxter ter sido generosa e amigável com ele, porque em meio as coisas que ele faz há muito sofrimento e ressentimento. Dr. Clarkson foi exemplar e racional, não deixou levar-se por preconceitos e conclusões que não entendem o homossexualismo; seria muito mais fácil se Thomas se sentisse assim, espero muito o progresso da sua aceitação.

Agora sim a atitude da Daisy quanto a partida da Ms. Bunting empolgou. Daisy querer melhorar sua vida é a melhor trama que ela já teve na série, se empenhar ainda mais depois que a Sarah deixou a vila é admirável e traz o encaminhamento certo pra estória dela. Desde o William era provável que ela refletisse em mudar e crescer, talvez até mais do que qualquer um da staff e, finalmente, ela vem fazendo isso.

No entanto, Daisy insiste em ser rude e egoísta e esses pontos não devem ser sobrepostos por uma evolução que demorou quatro anos e sua vontade de crescer. O jeito que ela se comportou com o Mosleley mostrou exatamente isso, mas foi ótimo as tramas se conectarem; ele não tem uma trama decente desde a morte do Matthew.

O assassinato ainda toma bastante tempo das tramas de Bates, porém esse diálogo com a Anna fechou muito bem e levantou a consequência de serem precipitados quanto aos atos dele. O ticket ser o álibi de que ele nunca foi a Londres é uma estratégia de roteiro muito esperta e o comportamento suspeito de Mrs. Hughes aumenta, porém ainda suspeito fortemente de outro marido que Green possa ter enfrentado.

All this endless thinking. It’s very overrated”

– Lady Violet

A cada episódio Downton Abbey fica mais empolgante e intrigante, esse foi um dos melhores do quinto ano e souberam trabalhar todos os aspectos e núcleos muito bem. Na reta final da temporada o enredo arrisca em tornar tudo mais complicado com pouco tempo de resolução, mas que obviamente fará de forma bem sucedida. É inegável que esse é o grande marco da televisão britânica.

Upstairs 1: é engraçado Mary querendo fazer um charme para o Tony e o Charles, é tão ela que relembrou a época antes do Matthew.

Upstairs 2: Isis e Robert são muito adoráveis, Cora preocupada com ela foi fofo.

Downstairs 1: espero que desistam do “Bates é assassino ou não?” depois disso tudo.

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