Sobre o momento certo de ser pai.

O episódio dessa semana nos apresentou um caso bem fundamentado mas que, no entanto, não inspirou interesse. Afinal, acho que há pouca novidade em uma série com cerca de 250 investigações. Fica difícil se reinventar.

No entanto – e sempre gosto quando isso acontece – o destaque foi o enfoque aos personagens. Mais do que isso. Vimos a construção interessante de um debate sobre a paternidade e o momento em que alguém está pronto para assumir tal papel em relação a uma outra pessoa. Mesmo diante da perda dessa chance. Quando a vida separa pai e mãe de seu filho ou filha. Algo que foi bem trabalhado no decorrer de Rock and a Hard Place, culminando em um diálogo final que serviu para amarrar muito bem tal reflexão.

Antes de falar desse, entretanto, queria rememorar a review do episódio passado, Dressed to kill, onde vimos mais um passo na relação entre Tony e seu pai. Um processo de reaproximação que caminha progressivamente desde a primeira aparição do Senior. E que deu um passo importante e fundamental quando o Júnior aceitou o casamento do mais velho dos DiNozzos, sacramentando família que eles são.

Nesse episódio isso foi, de certa, forma retomado. Não só pelo início do episódio, quando vimos Tony falando com o pai pelo telefone e aceitando, por livre e espontânea pressão, a tarefa de organizar o casamento (alguém duvida que ele vai ter que pagar também?). Mas também por duas storylines: as de Manheim Gold e Jimmy Palmer.

Manheim Gold foi o roqueiro mal sucedido que teve de receber a proteção do NCIS, quando achavam que ele seria o alvo de um ataque no baile beneficente do Convention center, complexo militar de Pax River. Esse personagem certamente aparecerá apenas nesse episódio, mas cuja história se mostrou bem densa e bem trabalhada. Vimos uma vida de excessos e fracassos, emendada por uma tentativa de se manter sóbrio e pelo medo adquirido de entrar no palco. Isso tudo atraiu para si os tais “inimigos”, que nada mais eram pessoas afastadas por ele mesmo.

A segunda chance veio nesse mesmo episódio, quando Manheim descobriu que o stalker detectado por ele se tratava de um filho que não conhecia. No início, o músico se assustou, até achando que o rapaz não parecia ter seu sangue. No entanto, na cena em que ele faz uma festa no apartamento de Tony, que era sua casa segura, vimos uma tentativa genuína de se conectar com Denny e ser efetivamente o pai que o moço procurava, mesmo que atrasado alguns anos. Isso e a força recebida por Tony para entrar no palco constituíram em um recomeço importante para o músico, que agora tem pelo que lutar.

Isso se relacionou de forma interessante com a storyline de um personagem com o qual estamos mais familiarizados, que é Jimmy Palmer.

Esse episódio deu um final não tão feliz para a tentativa de adoção de Palmer e Breena. Cortou o coração, pois acompanhamos desde o anúncio feliz que o rapaz fez, passando pelas preparações que ele realizou e por todas as dúvidas e medos que surgiram nesse processo.

Mesmo em Rock and a Hard Place vimos com um sorriso nos lábios que ele treinava junto a Ducky como trocar fraudas em uma boneca. E todo o processo de instalação da cadeirinha em seu carro, envolvendo quase todos na tarefa, que mostrou o quão sintonizada a equipe estava com o rapaz nessa.

E que cena de partir o coração foi o anúncio de que a mãe biológica do bebê que seria adotado resolveu ficar com ele? E não poderia ser feito com melhor personagem que Abby, a consoladora universal da série.

Confesso que fiquei revoltada com a tal mãe, que sequer conhecemos, mas foi compreensível. Ainda mais quando o próprio Palmer afirmou que ela deveria ter ficado tão encantada com o recém-nascido quanto ele e a esposa.

E então tivemos a melhor cena do episódio, protagonizadas por Jimmy e Gibbs. O rapaz desolado pela perda e o homem que experimentou, ainda que por um tempo curto, a experiência da paternidade. Tal laço os ligou neste diálogo que certamente deixou algumas lágrimas nos olhos dos expectadores mais sensíveis. Uma lição dada pelo mais velho, que mostrou que todas as inseguranças e medos só faziam de Palmer um pai, ainda que não tivesse seus filhos nos braços naquele momento. Breena é a mais forte do casal, então fica ao encargo e coragem dele continuar na jornada da adoção. E creio que o discurso inflamado de emocionante de Gibbs cumpriu esse papel.

Rock and a Hard Place foi aquele típico episódio que se destacou por uma discussão central que uniu dois personagens distintos – nesse caso Jimmy e Manheim – dando-lhes o devido crescimento em cena.

Referência cinematográfica de DiNozzo: 

– Tony mostrou certa aversão à década de 80 ao mencionar os mullets de um dos conhecidos (e possíveis suspeitos) de Manheim, dizendo que se assemelhavam aos cabelos de Mel Gibson no filme Lethal Weapon (Máquina Mortífera no Brasil);
– Mais para frente, conversando com Manheim e tentando expor o motivo da aversão aos anos 80, ele mencionou King of Comedy (O Rei da Comédia no Brasil) e a série de TV Magnum P.I. (conhecido no Brasil como Magnun). Isso fez com que ele pensasse se realmente não gostava do período; 

Notas gerais: 

– O ex-agente de Manhein, Mustard, acho que Ellie e McGee tentavam imitar Sony e Cher. Tal referência ganhou a cereja do bolo quando, ao prendê-lo, Ellie disse “I got you, babe”, a música mais conhecida da dupla;
– A interação de Tony e Maheim se mostrou muito boa para apenas um episódio;
– Tony tem regras de utilização de sua casa. Por escrito. E ele pede para assinar;
– Agora vemos dois peixes dourados no aquário de Tony;
– Palmer sendo animado por Abby com a tentativa frustrada de Tony cantar no show de Manheim;

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