Ziva David encerra sua jornada mostrando que foi capaz de mudar completamente em 8 temporadas.

No episódio exibido nessa terça-feira os fãs de NCIS puderam dar o adeus derradeiro à personagem que, desde sua entrada, na 3º temporada, agitou a série. Independente se você gosta ou não da ex-espiã do Mossad, não há como negar que Ziva David fez uma parte importante da série da CBS, e não poderia ter qualquer despedida. Nessa review optei por enfocar nessa despedida. Demais comentários relativos à totalidade do episódio serão colocados nas observações finais.

Quando conhecemos Ziva David, ela era a espiã/assassina do Mossad que foi capaz de atirar em seu próprio irmão. Com o passar do tempo vimos uma tentativa de mudança por parte dela, explícito especialmente em seu processo de busca do greencard para ter cidadania norte-americana e ser definitivamente uma agente do NCIS. Mas nunca vimos de verdade as consequências reais do assassinato cometido por ela, apenas quando o assunto foi mencionado em algumas ocasiões, quando a lealdade de Ziva era questionada. E, como telespectadores acostumados a odiar Ari pelo fato de ter causado a morte de Kate Todd, ficou fácil simplesmente ignorar os aspectos positivos dos atos de Ziva em relação a essa morte. Mas o fato é que ela cometeu tal crime, e os fantasmas vieram persegui-la.

Quem de nós poderia pensar que Ari era capaz de amar e pensar em fazer sua vida com Dinah, uma pessoa que cresceu com eles. Mesmo com tudo o que ele causou, ele era amado por alguém. Era amado pela irmã que, com dor no coração, tirou sua vida. Mas também por essa mulher que lamentou a perda daquele que era o amor de sua vida. Meu lado fangirl a detestou por ter omitido que tinha visto Ziva recentemente, porém entendi o ressentimento de Dinah; o desejo de não querer que a mesma Ziva que tirou a felicidade de suas mãos pudesse encontrar a própria. É egoísta, sim, e humano, demasiado humano. E foi exatamente esse lado que vimos que crescer em Ziva até esse exato momento.

Deixe-me explicar: Ziva foi treinada para ser assassina, fria, sem contato com seus sentimentos. Mas seu crescimento no decorrer das temporadas fez com que o confronto com Dinah despertasse de vez a sensibilidade que nela cresceu paulatinamente, a ponto de fazê-la se sentir incomodada com o que antes era apenas parte de seu trabalho e do que era. Isso me chama atenção quando Dinah diz a Tony que Ziva estava diferente, não era a mesma. Nós já sabíamos disso, era possível ver. Porém o impacto de ser confrontada com aquela morte que mudou sua história e certamente a atormenta desde então tornou tais mudanças mais drásticas, a ponto de vermos uma Ziva que prefere deixar absolutamente tudo para trás e traçar um novo caminho sozinha, para honrar não só a Gibbs, que sempre destaco que assumiu o papel de pai em todos os momentos em que ela precisou de tal figura, mas por toda a equipe que se tornou sua família. E, ao mesmo tempo, vejo uma Ziva que não se sente digna deles, por tudo o que já fez, a ponto de optar por distanciar-se, de privar-se dos mesmos que deseja honrar com sua nova jornada.

Enquanto Ziva não queria ser localizada, Tony lutava para encontrá-la. Essa é uma jornada iniciada no episódio da semana passada, e na qual ele se tornou mais e mais obstinado a cada momento, até que ele conseguiu localizá-la, onde tudo começou; na casa onde ela nasceu. Isso foi algo que destaquei na review da semana passada e merece ser repetido: Tony costuma se apegar e não desistir, e isso foi o que vimos com força em Past, Present and Future. O tempo passando, marcado pelo crescimento da barba, que não foi capaz de esconder a determinação vista em seus olhos em todos os momentos em que ele apareceu, desde seu desembarque em Israel até o embarque de volta para Washingnton quando, mesmo nós que sabíamos do inevitável, alimentamos aquela pontinha de esperança sobre o que poderia ser diferente. Mas, tal qual a referência usada (Casablanca), a separação ocorreu, sem que o final pudesse ser outro a não ser o que presenciamos.

Aliás, os pontos altos foram as sequências entre Tony e Ziva. Sei o que você vai dizer, que sou shipper (o que não nego) e tendenciosa neste caso. Mas preciso dizer que foi mais que simplesmente o desejo de vê-los juntos. Foi a emoção e a intensidade em cada palavra e no que não foi dito. Os olhares, mais do que nunca, tendo todo o significado que sempre se demonstrou em 8 temporadas, mas que neste episódio foi a excelência do demonstrado por Michael e Cote. E eu poderia falar muito do encerramento com chave de ouro da atriz chilena, o que de fato aconteceu. No entanto foi Michael que fez com que os olhos não permanecessem secos e as gargantas se fechassem diante da beleza de sua atuação. Ambos estavam entregues em completo aos seus pais, empenhados em entregar o melhor aos fãs de NCIS. E em momento algum decepcionaram. Como parte da audiência da série, eu me sinto premiada com o que foi feito.

Três momentos inesquecíveis, que certamente farão parte do imaginário dos fãs e alvo de rodas de comentário por muito tempo ainda:

-A cena em que Ziva abre o coração sobre a motivação de ter se escondido, a dor expressa em seu olhar, enquanto Tony afirmava que ela não era aquele monstro que pensava ser. Uma das únicas cenas que não se tinha muita noção (porque faltou pouco pra CBS jogar o episódio inteiro em sneak peaks e fotos promocionais torturantes), e me chamou a atenção do caráter intimista que seria impresso nessa storyline, especialmente quando falamos em uma relação sempre tão explosiva como a desses dois personagens. Era um momento de reflexão e de abrir o coração;

-O momento em que Ziva enterra a lista de desejos feita na infância, num gesto semelhante ao do momento em que ela vai enterrar o pai. Ziva deixa claro que quer deixar tudo para trás e Tony, em um momento terno de beijar a mão da moça e desarmá-la, diz que está lutando por ela;

-A despedida no aeroporto acima mencionada, que não só conteve o beijo que selou de vez os sentimentos não confessados, mas que também revela o que a motivou a mudar (a relação de pai/filha com Gibbs) e ainda resgata um pouco da relação de 8 temporadas;

Nessa última cena, destaco a insistência em Tony de pedir a Ziva que ligue para Gibbs, quando ele mesmo havia mentido sobre tê-la encontrado. E, em seguida, somos premiados com a cena em que ela efetua a ligação, onde assistimos apenas o lado de Gibbs do telefone, enquanto ele usa o apelido cunhado há 8 temporadas (Ziver). Uma pequena contribuição da atuação de Mark Harmon, que enfatizou a relação paternal com Ziva, e se despediu dela, de seu jeito.

Por fim, quero salientar que Gary Glasberg e sua equipe deixaram um leque aberto para a possibilidade de Cote de Pablo fazer participações no futuro. Não há nada que a mantenha longe, a não ser sua própria vontade. Não afirmo que estou esperando que ela retorne, por não desejar alimentar essa esperança; quero e vou seguir com NCIS, mesmo sem minha personagem favorita, pois ainda acho que a série é maior que Ziva. Mas tal abertura deixa claro não só a ausência de intencionalidade de afastar de vez a personagem como uma tentativa de manter uma parcela da audiência da série que tem em Ziva David sua única motivação e que poderia debandar da série nessa 11ª temporada. Resta saber se isso trará resultados efetivos. Apenas o decorrer da série dirá. Por agora, só resta o adeus. Ou, como muitos preferem: até a próxima, Ziva David.

Considerações finais:

– Não poderia faltar uma cena emocional onde Abby externa sua preocupação e Gibbs a consola. Foi uma boa conexão do caso com o a despedida de Ziva;

– Da mesma forma a conversa de Tony com Gibbs e McGee no MTAC. Aliás, uma coisa que eu jamais esperaria era que Tony mentisse para Gibbs;

– Gostaria muito que os roteiristas tivessem disposto de mais episódios para trabalhar o caso de Parsa dentro da conspiração que ameaçou a equipe. Tudo ficou um pouco apressado e jogado nesses dois episódios. Poderia ser um arco excelente, mas ficou apenas bom, o que não é comum para NCIS;

– Fornell reclamando de ter levado um tiro na bunda foi um pequeno alívio cômico;

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