A rainha de copas.
Há algum tempo atrás, poderíamos admitir a dominação de Hayden Panettiere na trama de Nashville, onde por alguns momentos até questionamos o motivo da atriz, com a personagem mais popular e querida da série, ser indicada como atriz coadjuvante ao Globo de Ouro, sendo praticamente a guia de toda a série. Nos últimos episódios, Rayna James, a grande rainha da série parece ter voltado aos eixos do protagonismo, embora eu sempre tenha considerado as duas como protagonistas do show.
A lei parece funcionar desta forma, quanto mais problema e infelicidade, mais destaque. Ao saber dos segredos que a família escondia por todo esse tempo, Rayna entra em uma crise pessoal, onde os problema de trabalho e família começaram a se entrelaçar cada vez mais. A morte de Lamar no escritório do prefeito, ao mesmo tempo em que marca o fim de uma trama política que envolvia Ted e Tandy, também inicia uma nova fase, onde teremos a chance de observar a nova posição destes personagens, que anteriormente estavam muito presos a este segmento. Ted já parece ter encontrado um novo velho caminho para se sustentar na história. Mas e Tandy? Qual será o destino dela, se anteriormente todas as suas ligas se resumiam a isso?
Logo ao saber da morte do pai, Rayna transmitiu uma frieza que pode ter surpreendido a todo publico, afinal, a morte seria o momento exato de esquecer as magoas, porém, a principio, não acompanhamos nenhuma reação de sofrimento, apenas de indiferença, o que nos levou a ver o outro lado de Tandy, e podemos ter certeza da relação doentia que esta mantinha com o pai. Todos os alicerces de Rayna começaram a se juntar aos poucos, onde os demais personagens da trama ligados a ela se solidarizaram com a situação, mas até então Rayna parecia inabalável. Enquanto a historia se encaminhava para um desastre emocional em sua família, o lado amoroso parecia firme e a série vacilou em não apresentar uma imediata aproximação de Luke a Rayna, em vez disso vimos Ted e Deacon entrando na situação, e como já não víamos a um certo tempo, temos os três voltando a interagir por um proposito em comum.
A outra irmã, Tandy, como sempre infalível em causar problemas, não cumpre o seu dever como CEO da gravadora de Rayna e a má fama em uma pequena cidade começa a se espalhar. Como bem a diva disse, qualquer motivo de falha passa a ser definitivo para Rayna nesta altura da situação. Os nervos a flor da pele se exaltam cada vez mais, principalmente quando Rayna lembra a todo o momento o que está em risco nesta história. O auge de Rayna nestes capítulos foi a enfim capacidade da personagem de despejar palavras e sentimentos que sentíamos falta. Não sobraram pedra sobre pedra para a língua de Rayna, e todos aqueles que, por algum motivo, mereciam ser alvos de suas verdades, finalmente foram atingidos.
Duas histórias que estavam presas em nossas gargantas puderam enfim ser desenroladas neste episódio. A primeira envolvendo o despertar de Rayna, e o caso em questão seria a história extremamente mal resolvido entre ela e Liam. A outra viria a ser a revelação da verdadeira Peggy. Alguns capítulos atrás me decepcionei com a possibilidade de Ted não descobrir a verdade sobre Peggy e ela ter morrido como uma santa.
Liam é cotado como um excelente produtor, sem raízes e que distribui o seu charme perigoso pelos lugares que passa. O breve affair entre ele e Rayna ficou sem um desfecho quando ele some e logo após ela começa a se relacionar com Luke. Liam sempre foi um ponto de interrogação e agora, mais que nunca começa a ficar clara a intenção do personagem e, como já poderíamos imaginar, esse tipo de gente atrai outro tipo, mais conhecido como mulheres carentes. Enquanto Scarlett quebra vínculos com todos, que até então representavam o seu mundo, e cada vez mais sente amargura pela aproximação dos que viviam em função dela, ela encontra em Liam um refugio para seu isolamento. O envolvimento de Scarlett e Liam era previsível e muito danoso para Rayna. Uma vez que esse caso colocava em risco todas suas apostas de trabalho, ainda havia também o que se dizer. Não poderíamos esquecer essa historia sem um embate entre os dois, embate este que fez Rayna se livrar daquele que trouxe e novamente traria o problema, mas por outro lado se complicar cada vez mais com a gravadora. Scarlett termina mais uma vez totalmente partida, sem saber que Rayna deu um empurrão para sua desilusão. Rayna até então não encontrava saída para sua situação, e recorrer financeiramente ao namorado não era uma estratégia viável, afinal, o senso ético de Rayna não permitiria. Por fim, restou Juliette. Uma grande incógnita nesta história. Ela pode indicar total fracasso, ou surpreendentemente ajudar Rayna a chegar ao sucesso.
A história de Juliette parecia não ter mais para onde desmoronar. Após toda a decadência de sua imagem e acompanhar atônita uma carreira praticamente falida, Juliette encontrou em Avery um motivo para enfrentar os problemas, com uma nova visão. Juliette teve a chance de deixar tudo aquilo para trás e até se tornar uma estrela mundial, mas aquele novo mundo não a pertencia e acredito também que ela não fugiria de uma briga tão fácil assim. Enquanto Avery mostra cada dia mais que é outro personagem, totalmente diferente da primeira temporada, Juliette, aos poucos, se transforma também. Mais humilde, carinhosa, receptiva a opiniões, ela parece seguir o caminho para ter o que a famosa e poderosa Juliette de antigamente jamais poderia alcançar.
Do outro lado da história, também encontramos Deacon, Gunnar e Zoey, sendo conduzidos a uma agradável união com Avery, e trabalhando juntos como bons amigos e profissionais. Se por um lado Avery evolui como personagem, Gunnar desperta uma incerteza de empatia a todo o tempo. As vezes ele parece machista, arrogante ou apenas invejoso. O jeito que Gunnar desdenha o potencial de Zoey em algumas ocasiões o faz ser um personagem irritante, embora demonstre arrependimento em alguns momentos. Nunca entendi realmente a aproximação repentina de Avery e Gunnar, e de alguma forma, alguma tensão de rivalidade entre os dois estaria sempre presença. Desta vez, o problema deixaria de ser pessoal para ser profissional, mas por fim pareceu apenas um falso alarme. O fato de Gunnar apontar o namoro de Juliette e Avery como uma quase garantia de carreira, tocou no ponto que mais o incomoda, e estes são motivos suficientes para conduzir o casal a uma crise. O orgulho de Avery, a necessidade de retribuir e agradar de Juliette fazem com que em alguns momentos as duas personalidades se choquem e gerem um grande conflito, e ao mesmo tempo, a reação de Gunnar nos mostra a instabilidade do personagem.
Enquanto o trio de amigos entrava em atritos, o beneficiado pela formação harmoniosa, Deacon, mergulha cada vez mais em aguas favoráveis a sua carreira, mas voltando ao campo dos embates masculinos, chega a ser irônico como Ted tende a estar sempre se interessando pelas mulheres do cara. Quero dizer, como um homem bonito, rico e poderoso não consegue arrumar uma mulher que não vá ser sinal de confusão? Não entendo como Ted pode ser tão volúvel e carente. A culpa por Lamar, o estresse, os traumas por enfim saber que Peggy o enganou por tanto tempo não são justificativa para ele querer uma mulher que ele já sabe que não está disponível. Chega a parecer que sua necessidade é apenas conquistar o que os outros já possuem. Justo nesta situação, a namorada de Deacon parecia ser a mais prejudicada, afinal, namorar um homem famoso na estrada com muitas mulheres atrás não parece nada agradável para quem seja, mas a medida que ela foi a primeira a levantar a questão da infidelidade, foi a primeira a trair, e muito fácil.
Embora Deacon tenha sido alvo de uma traição ardilosa neste episódio, outra pessoa comete sucessivos atos de traição, mas não às demais, e sim a si. Não consigo mais imaginar o caminho que Will pode percorrer com esta trama. Só com o mínimo sinal de Brent reaparecer, o rapaz já surta e seu relacionamento com Layla, mesmo que ele faça de tudo para levantar, sempre estará fadado ao fracasso, assim como a carreira da namorada de fachada. O fato de Will não conseguir mais disfarçar nem seu desejo sexual por Layla, deixa a relação cada vez mais frágil e simultaneamente ele acaba cercado por todos os lados, principalmente absorvendo cada vez mais responsabilidades. Layla despencou de onde nem conseguiu chegar e a tentativa de Will em reerguê-la também tem a ver com o pretexto de continuar com a mentira. Jeff não tem mais interesse em manter a garota, e no mesmo ritmo de decisões desastrosas, acabou sendo desprezado por Juliette Barnes. As chances de Jeff parecem cada vez piores no rumo da Edgehill e já prevejo noticias ruins para o personagem nada querido.
Enquanto isso, Juliette pede a Rayna um contrato, e esta toma uma decisão arriscada. A cena que Juliette humilha Jeff no restaurante foi quase uma lavação na alma dos fãs da personagem, que apreciaram os minutos de triunfo sobre aquele que tanto a fez penar nos últimos capítulos. Devo dizer que fico feliz com a decisão da cantora de não reatar laços com a Edgehill. Essa não seria uma atitude digna de Juliette, uma personagem tão corajosa que alcança a insolência. Mesmo que a união das duas protagonistas fosse uma coisa que eu já havia previsto, a forma delicada como ela ocorre é interessante e não há aquela união de vingança contra aqueles que as prejudicaram, é apenas uma tentativa de sobrevivência.
Os dois episódios tiveram o lado musical e dramático bem equilibrados e devo admitir que mesmo a personagem não tendo um rumo definido atualmente, as canções e voz de Scarlett continuam sendo destaque entre os demais e toda musica que ela interpreta soa como uma maravilha aos ouvidos. Considero os últimos episódios como uma grande elevação de qualidade na temporada e com historias bem consistentes, que fazem a trama permanecer interessante.
Nas três ultimas semanas, estive ausente do país e, infelizmente, nenhum outro colaborador do site conseguiu cobrir a série por este período. De qualquer maneira, nenhum episódio apresentado ficará fora de cobertura pelo site e os próximos capítulos terão um acompanhamento normal. Aguardem aqui mesmo no série maníacos!















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