A síndrome dos coitadinhos.

A síndrome da vítima não é tão incomum quanto se imagina. Todo mundo tem um pouco dela, alguns porque querem atenção, outros usam para não assumir a culpa que tem sobre algo, outros para ter um motivo para reclamar e desta forma, poderíamos ficar aqui todo o dia citando razões. O ponto que quero chegar é simples: estamos cheios de coitadinhos em Nashville, cada um com sua infelicidade, mesmo que involuntária.

Imagino que a maioria questione o que eu quis dizer com infelicidade involuntária, afinal, todo mundo quer ser feliz, certo? Errado. Algumas pessoas precisam ter problemas para seguir com a vida. Eu não sou especialista em psicologia, mas não é necessário ser nenhum expert para reconhecer este comportamento em certas pessoas. Acredito que a maioria de nós conhece pessoas assim, que se está tudo bem sente que está faltando algo, e infelizmente, na maioria das vezes, o que desejamos é o que recebemos, mesmo novamente involuntariamente.

Apenas por essa introdução, podemos perceber que Deacon se encaixa perfeitamente no exemplo acima. Ele mesmo admitiu sua condição e confesso que fiquei surpresa. O problema do Deacon não é apenas a bebida, e sim a sua baixa autoestima e personalidade destrutiva. Todos entendemos que ele estava passando por uma situação de pressão, mas já pensou se todos que passam por isso tratassem as pessoas que se importam daquela forma? Sério, por que ele fez aquilo? Até imagino que no começo a mulher vai entender, mas quem aguenta uma pessoa dessas? É por isso que Deacon está quase sempre sozinho, ele afasta as pessoas dele, de repente sua culpa o fazia se afogar na bebida. Espero realmente que a presença de Maddie em sua vida possa fazer algum bem para Deacon.

Quem está seguindo os passos de Deacon é sua sobrinha, Scarlett. Confesso a vocês que foi difícil escolher a capa do post de hoje. Como qualquer personagem poderia estar estampado nela, já que temos muitos coitadinhos em Nashville, vamos observar a carinha de vítima de Scarlett:

Fico impressionada quando vejo a involução de Scarlett na história. De mulher doce, fofa e disputada para uma pessoa amarga, rancorosa e sozinha. Não entendo as atitudes de Scarlett e ela está se tornando a pessoa mais incoerente de Nashville. Scarlett queria muito ser uma cantora, achou que era o seu dom e a cada oportunidade que tem está sabotando sua carreira. Reclama do público, sofre com solidão, duvida de sua capacidade e rejeita grandes oportunidades. Como já havia sido anunciado, a cantora Kelly Clarkson, vencedora do American Idol, fez uma participação na série, como pretendente a gravar a música “Fade Into You”, da dulpa Scarlett e Gunnar. A participação de Kelly foi muito sucinta, mas com certeza uma excelente estratégia de marketing para promover o episódio. Não vou me prolongar no assunto, pois não há muito que se discutir sobre Kelly, que a propósito está muito bonita grávida, o foco mesmo naquela cena foi a atitude infantil e egoísta de Scarlett. É muito ruim ser decepcionado por uma pessoa que gostamos muito, que dirá duas. Infelizmente, quando algo do tipo acontece só temos duas opções: perdoar ou ignorar. Perdoar é uma tarefa muito difícil, quanto maior a decepção, maior o desafio, mas a maior verdade é que a pessoa que não perdoa e amargura o sentimento, é a que sempre vai sofrer mais. Zoe tem razão em dizer que não correrá mais atrás de Scarlett. Se Scarlett simplesmente não quer a amizade, paciência! Não podemos obrigar alguém a gosta de nós, também não podemos sofrer eternamente por isso. Gunnar e Zoe estão escolhendo a felicidade e existem motivos para acreditar que dará certo, já Scarlett, se não queria contato, por que ligou? Por que não rejeitou logo a proposta e evitou o teatro? Por que não foi profissional o suficiente para fazer isso pela carreia dos dois? Não pensou no quanto egoísta foi? Claro que não. Para completar, Scarlett conseguiu fazer Avery desistir também dela, e pior, por motivos muito idiotas conseguiu afastar a única pessoa que parecia se importar. Apenas porque ouviu algumas verdades. Todo mundo está desistindo de Scarlett, até eu.

De todas as pessoas sofridas da série, a impressão que tenho é que Juliette é a que mais faz esforço para mudar e a que menos quer ser vítima, porém é a mais azarada de todas. O ruim de fazer muitas inimizades é isso, mesmo que você mude, quem vai acreditar e apostar em você? A reputação é um bem constituído em longo prazo, quando você tem uma carreira que depende disso, vale a pena repensar nas atitudes egocêntricas e depreciativas que Juju tomava ao início da carreira. Ela não mudou completamente, mas não sabe como reverter tudo que aconteceu. A fofoca tem o seu preço e infelizmente a voz da fofoca acaba sendo a voz da verdade, mesmo que ela seja uma mentira. Está cada vez pior para Juliette e parecia que essa maré de azar não terminaria nunca, nem mesmo a “ajuda” de Layla foi confortante suficiente, mas algo me diz que a maré de Juju está para mudar. Após o rompimento de Avery e Scarlett, acho que chegou a hora de finalmente sabermos o que acontecerá com a tão esperada aproximação dos dois.

Outra reaproximação, menos importante, que aconteceu neste episódio foi a volta de Liam para a vida de Rayna. A situação da cantora perante a mudança de gravadora é sufocante e a pressão da iminente fatalidade de qualquer mínimo erro está mexendo com toda a segurança profissional de Rayna. Lembrando que ela arriscou todos os bens para esta nova fase, não sei o que esperar de seu futuro profissional, mas apor um momento pensei que ela e Deacon teriam motivos para se unirem nesta dificuldade, afinal os dois precisam de boas composições, e quando a cena de Deacon cantando com Maddie entrou no ar, achei a coisa mais fofa do mundo, assim como Rayna pareceu se sentir, e reforçou minha ideia que ela gostaria de fazer parte daquilo.

Voltando aos sofredores em potencial de Nashville, não consigo identificar se neste episódio senti mais pena de Ted ou de Will. Lidar com a morte prematura de uma pessoa que ama é um dos sofrimentos mais cruéis de nossa existência e, confesso que fiquei bastante decepcionada com a morte de Peggy. Não porque gostava da personagem, mas exclusivamente porque agora ela morreu como uma santa. Elogiada pela enteada, homenageada pelo prefeito em uma coletiva, e todos nós sabíamos que Peggy não era nenhuma santa, e agora não vejo oportunidades de Ted descobrir todas as suas mentiras e enganações. O Episódio reforçou minha teoria que Lamar é um dos responsáveis pelo atentado, pois as investigações do prefeito surtiram efeitos e acho que nessa história ainda terá muita lenha a ser queimada.

O problema de Will, ao mesmo tempo em que é uma situação delicada que trata de aceitação, seria mais simples de se lidar se ele desse uma chance a si mesmo. Will chegou a total fundo do poço no último episodio e fico feliz por não ter acabado com sua vida ali. Acredito no crescimento do personagem e acho que a amizade que Gunnar demonstrou por ele pôde mostrar talvez pela primeira vez como é ser aceito simplesmente pelo que é e deixar para trás todo o trauma causado pelo seu preconceituoso pai. Ser uma pessoa pública e colocar isso para fora será um pouco mais difícil, porém é o único jeito de conseguir a paz que tanto precisa. Torço cada dia mais pela chegada desse dia e também estou ansiosa para ver a cara de Layla quando acontecer. Sem querer desejar o mal dos outros, mas quando Layla vai se dar mal? Estou com um sabor doce de assistir a essa momento.

Ao contrário do esperado com a participação de Kelly Clarkson e aquele mid season finale arrasador, a audiência de Nashville caiu, e sinceramente me surpreendi bastante com a notícia ruim. Estamos precisando seriamente de um up em audiência, ou a situação pode ficar crítica e vamos combinar, Nashville não merece isso, certo?

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