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Mr. Sunshine… NO GELO!
Spoilers abaixo!
“Crystal on Ice” tem uma estrutura bastante semelhante a de “Hostile Workplace”, o episódio que foi exibido na semana passada. Ambos possuem fortes histórias centrais para o protagonista, que abordam o seu relacionamento com Roman e as suas tentativas de estabelecer conexões com pessoas fora da sua zona de conforto. Ambos contam com uma Crystal lunática demais para que nos importemos com a sua vida. E ambos, infelizmente, continuam tratando o casal Alice e Alonzo como um peso morto que aparenta viver fora daquele universo.
A grande diferença entre “Hostile Workplace” e esse episódio é que ele tenta inserir detalhes que fogem do padrão que Mr. Sunshine vinha estabelecendo, com tramas cínicas levemente penetradas por momentos de doçura. Dessa maneira, a série estava criando uma identidade que, mesmo problemática, era bem definida. Agora ela, mesmo não devendo, se sente confortável o suficiente para abaixar a leve proteção que tal identidade oferece e entrega dois momentos (a confissão de Roman para Ben no “Verdade ou Consequência” e a de Crystal no ringue de patinação) com a pura intenção de emocionar – falhando em ambos. Não é que eu não me sinta envolvido com os personagens, mas os dois momentos* não se encaixam em ritmo com as suas personalidades e o resto dos episódios. A mudança de bobo para amedrontado e de louca para mãe perturbada são apenas estranhas demais para que eu consiga me importar com o que elas trazem. E ainda que frágil nesse quesito importante, Mr. Sunshine soube trabalhar os seus detalhes e finalmente conseguiu dar uma forma agradável ao bizarro mundo do Sunshine Center.
Os Smurfs, o cara na fantasia de leão, o funcionário viúvo, o letreiro eletrônico com as pequenas piadas no estilo Simpsons… A série está acertando ao criar um lugar divertido que os telespectadores têm vontade de visitar semana após semana. Só é uma pena que dois habitantes dele, Alice e Alonzo, sejam tão sem vida e estejam novamente arrastando um episódio já problemático e agindo como dois buracos negros de energia. Gosto de Andrea Anders e James Lesure, mas a química entre eles é inexistente e as reprises de más sitcoms dos anos 90 que os roteiristas assistem enquanto escrevem as tramas deles são coisas que não beneficiam em nada uma dinâmica que já é caricata (a entre o homem perfeito e a mulher nem tão perfeita). E no topo de tudo isso, a trama boba termina com a revelação de que ele se divorciou.
Afinal, surpreender é para os fracos.
*Que foram altamente comprometidos pela trilha sonora. Se eu ouvir aquelas músicas ambiente engraçadinhas ou aquele piano piegas mais uma vez, vou começar a bater a minha cabeça na parede.












