Se um dia eu tiver que confiar um segredo, contarei para Sam Esmail.
O homem é um túmulo. Ele sabia desse segredo horrendo e não nos contou nada por mais de quatro anos. Mas as pistas estavam todas ali. Numa das cenas mais icônicas de flash back da série, em quem acompanhamos Edward e Elliot criança no cinema, o pai se desculpa com o filho e, este, rebate dizendo que ele não precisa, pois é doente. Agora, sob o novo prisma do abuso – não do câncer, como imaginávamos – tudo fica muito mais amargo. Se num primeiro momento ficamos aliviados em descobrir que Edward não empurrou o filho da janela, como ele imaginava, agora até chegamos a desejar que esta fosse a versão oficial dos fatos.

Tenho que fazer uma pausa na review para uma pequena narrativa pessoal sobre o fim do episódio. O fato é que esta revelação é um divisor de águas na série. Não só para os personagens, mas para os fãs, os quais eu me candidato como um dos mais ávidos. Assim que acabou o episódio, olhei para a minha prateleira e os dois Funkos em destaque são justamente de Elliot e Mr. Robot. O desprezo foi inevitável. E olha que o Funko do lado é do Immortan Joe (risos). Voltando para essa mesma cena do cinema, lembro que no dia seguinte que assisti o episódio, reprisei com o meu filho, a brincadeira de colocar M&M na pipoca. Em momento algum me passou pela cabeça esse twist e que Edward não fosse o melhor pai do mundo.
Pensando em tudo isso, a motivação básica de toda a série é, praticamente, invalidada. Elliot começou sua campanha contra a Evil Corp como um ato de vingança pelas mortes de seu pai e da mãe de Angela. Sua amiga já está morta e o seu pai não é mais digno de ser vingado. Talvez, essa descoberta tenha sido a última barreira a ser quebrada para que Elliot se una a White Rose, na reunião que esse quer promover entre eles.
Terceira Persona Desvendada
Não sou especialista no assunto, mas sei que Transtornos Dissociativos de Identidade e afins podem ser gerados através de traumas de infância. No caso de Elliot, sempre imaginamos que esse trauma teria sido a morte do pai. Agora, sabemos que foi o abuso. E descobrimos ainda, que o pai carinhoso e gentil que ele sempre quis, foi nada mais do que o início da sua patologia psiquiátrica. Um personagem que ele criou para protegê-lo de seu pai molestador.
Mas e a terceira persona? Pois bem. Ao criar o Mr. Robot, Elliot também teve que criar o Elliot Alienado. Um personagem de si mesmo que esqueceu completamente os abusos que sofrera e que, pra ele, aquela figura que ele alucina, é a representação exata de seu pai. A questão é que o Elliot Profundo, aquele que sabe de toda a verdade, nunca morreu. E é exatamente ele para quem Darlene contou que Vera estava de volta em Nova York. Enfim, Elliot Profundo ou Elliot Original é a terceira persona.
Assim, Sam Esmail se mostra um cara de palavra com a afirmação que a terceira personalidade estava na série desde o início.
As Cinco Fases do Luto
Agora, temos que exaltar toda a cinematografia impecável deste episódio. Cada detalhe milimetricamente pensado, as atuações incríveis dos quatro protagonistas (sim, Christian Slater, até você), a homenagem a Tarantino na quebra dos Atos e, claro, a jornada das cinco fases do luto de Kubler-Ross em 42 minutos de puro deleite. Tudo isso em um único cenário, como se fosse uma peça de teatro, magistralmente ensaiada.
Mas, se você nunca ouviu falar das cinco fases do luto, vou fazer um resuminho, comparando com os atos do episódio:
- Negação – É aquele momento em que o indivíduo nega que aquilo esteja acontecendo com ela. No primeiro ato, Elliot se recusa a aceitar que ele está numa situação terrível, quase sem saída.
- Raiva – É quando o indivíduo aceita sua situação e revolta contra ela. No segundo ato, Elliot ameaça deliberadamente Vera, mesmo estando em completa desvantagem.
- Barganha ou Negociação – É neste momento que o indivíduo se conforma com a situação e passa a negociar – normalmente com Deus ou consigo mesmo – para aliviar sua dor. No terceiro ato, Elliot resolve trocar o dinheiro do hack do National Bank of Cyprus pela vida de Krista.
- Depressão – Quando todas as tentativas de barganha fracassam, o indivíduo se isola, melancolicamente, em seu mundo. No quarto ato, depois do seu plano de barganha fracassar, através de sua pistola sem balas, Elliot é obrigado a passar pela terapia com Krista e confronta todo o seu terrível passado.
- Aceitação – É a fase final, na qual o indivíduo entende tudo o que aconteceu e aceita a sua situação. No quinto e último ato, cabe a Vera ajudar Elliot a chegar nesta fase e tirá-lo da depressão. No final, ao contrário do que todos imaginavam, ele cumpriu perfeitamente o seu papel na série.
Encerro a review, ansioso pelos próximos e últimos seis episódios e com uma certeza só: Sam Esmail sabe exatamente o que está fazendo.
Até semana que vem.
PS: Já ia esquecendo da referência ao título. O retorno de status a uma requisição HTTP 407, Proxy Authentication Required, significa que o usuário não está enviando a solicitação para o servidor de forma correta e que, antes de chegar neste servidor, esta solicitação para por um proxy server. É uma barreira adicional.
Evidentemente, que este proxy server era o Mr. Robot, que protegia o Elliot Alienado da verdade. A dúvida é se o envio desses dados corretos e o acesso ao servidor, passando pelo “proxy”, derrubou Mr. Robot para sempre. Lembre-se que a última frase dele, antes de desparecer foi: “Agora eu não posso te proteger mais”.
Agora sim, acabou.















