Mr. Robot está de volta e esta Première serviu para nos mostrar que o seu protagonista seguirá a cruel sina de ser um mero títere na mão dos dois grandes arquitetos da trama: White Rose e Phillip Price. A diversão, no entanto, é que eles agora estão em lados opostos.
Em T.I., quando recebemos um Código de Resposta de Status de Erro, vindo do HTTP, número 401, com a mensagem Unauthorized, significa que não possuímos as permissões para acessar os recursos do destino. Analogamente, este episódio, nos mostra que perdemos completamente o acesso a Elliot e só conseguimos contato através da “interface Mr. Robot”. A partir de agora, são somente os dois.
Aliás, é curioso analisar a evolução do relacionamento esquizofrênico-bipolar de ambos, que se iniciou no desconhecimento absoluto (primeira temporada), passou pela tentativa frustrada de descolamento (jogo de xadrez na prisão), uma investida de golpe do alter ego tentando tomar o lugar do original, agindo contra sua vontade, até que, nesta temporada, enfim, encontraram a harmonia. Neste episódio, a dupla doença parece funcionar como um super poder. Eles trocam de primeiro plano, sempre que as principais habilidades de cada uma das personas são requeridas. Tudo isso, aparentemente, sem uso de nenhum psicotrópico.
Outro fator evolutivo importante foi a auto-confiança de Elliot. As primeiras impressões da série, logo após assistir ao Piloto, nos levavam a crer que seria quase uma série de “casos da semana” de um hacker introspectivo justiceiro, que usaria suas incríveis habilidades para punir os criminosos digitais. Mal sabíamos o quanto estávamos errados. Se alguém começasse assistindo a série por este episódio, teria uma impressão parecida, em se tratando somente do plot de Elliot, no entanto seria um “hacker destemperado e imprudente lutando contra mega corporações, com a ajuda de um sidekick moderador”. Claro que todos se perguntariam onde foi parar esse sidekick na cena final.
Essa mudança de atitude acabou resultando no hack a Freddy Lomax, interpretado por Jake Busey (que de jornalista escroto em Stranger Things, virou advogado escroto em Mr. Robot), que se viu obrigado a entregar as provas que o coração financeiro do Dark Army fica no Cyprus National Bank, antes de cometer suicídio. Imprudente, como citado, Elliot cai fácil na arapuca montado pelo Dark Army, ao ir atras de John Carcin, personagem fictício, que mora num apartamento que parece uma ala da Tok Stok.
Destaque para o momento da extração do Elliot, no qual o porteiro estava comendo Sucrilhos e ouvindo Bobby McFerrin (Don’t Worry, Be Happy) e o DJ Kelemeke fazendo uns stories em samoano e dizia algo do tipo “Thank You So Much as I Am So Humbly Grateful to You. Alofa Tele Atu (Sending Great Love) to You and Your Beautiful Family and as Always God Bless“. Se quiser saber mais, este é o instagram do rapaz.
Duelo de Gigantes e Teorias sobre a Ressurreição
E no final, o crème de la crème. Sam Esmail, em pessoa, veio matar o personagem mais famoso de sua carreira. Preparou uma dose de um veneno qualquer e matou o, agora, dispensável Elliot. Dispensável, sim, porque as bravatas que sem ele o hack de transferência da planta para o Congo não aconteceria eram tão frágeis quanto a argumentação que os seus sequestradores trabalhavam para terroristas. Quem não sabe disso?
Alguns duvidam que White Rose mandaria matá-lo porque ele seria necessário para concluir o hack de transferência. Isso foi dito no começo do episódio e que ele teria que viver mais dois meses. No entanto, no começo do episódio, era outubro e, como deixa bem claro na tela do porteiro, essa invasão ocorreu no dia 22 de Dezembro de 2015. Tempo mais que suficiente para o hack ter sido concluído.
Então, por que o mesmo Sam Esmail voltou para ressuscitá-lo? Não, a resposta não é para ele acordar em outra dimensão ou em outro espaço-tempo. Apesar da insistência, Mr. Robot não é uma série de sci-fi. Mr. Robot já nos mostrou que o princípio mais utilizado é a Navalha de Occam, ou seja, utiliza o menor número de premissa possível.
Neste caso, qual é a premissa que já temos? O Assassinato de Angela pela White Rose e o desejo de vingança de Price. Assim sendo, se tem alguém que teria recursos e contatos para simular a morte de Elliot para que White Rose acreditasse em sua morte e traze-lo de volta à vida para ajudá-lo em sua vendetta seria somente o próprio Philip. E a cena pós-crédito está aí para confirma isso.
Mas e a Angela? Alguma Chance de Não Ter Morrido?
Nenhuma.
Ainda que ela pudesse estar de conluio com White Rose e simular a sua morte para desestruturar seu pai em prol de vantagens políticas e econômicos, o seu corpo ficou estatelado no gramado. Price, com certeza o verificou na sequência e providenciou um enterrou ou algo similar.
Outra evidência, é a cena do tiro que ela recebe do membro do Dark Army. Vimos claramente ele com uma arma na mão. Ele aponta para a cabeça dela, que se projeta abruptamente para a frente. Impossível imaginar que ela atuou mediante um barulho de um tiro de festim e se projetou para a frente. Além do mais, ninguém estava olhando para ela (somente nós, expectadores).
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Mas, e a Darlene, que jura tê-la visto em abrigos? Creio que a cena final responde esse argumento. A menina tá fritando nas drogas. Além de viver um momento terrível de remorsos e sentimento de culpa. Qualquer menina que ela visse na rua, iria projetar a imagem da Angela.
Dom e Tyrrel Vivendo de suas Escolhas Infelizes
E para encerrar a review, ainda temos tempo de revisitar Dom e Tyrrel, que estão vivendo de suas escolhas infelizes das três temporadas anteriores. Uma tentando acertar e se tornando funcionária-refém do Dark Army e outro, atingindo seu ápice profissional como CEO da Evil Corp, porém somente como um fantoche nas mãos de White Rose.
Enfim, de uma forma ou de outra, todos os personagens só seguiram os planos trilhados pela White Rose e terão somente doze episódios para mudar esse história. Até semana que vem.















