E agora? Como se despedir do seu melhor amigo?
Se alguém me perguntasse agora do que se trata Mr. Robot, permitindo que eu desse spoilers, com poucas palavras, eu diria que é a jornada de auto-conhecimento de um esquizofrênico que, entre outras coisas, salvou o mundo. E se me questionasse qual a única coisa que tenho para lamentar nesse finale impecável, certamente seria não poder estar sentado naquela sala de cinema junto com as quatro personas, para conhecer o Elliot de Verdade e seguir um pouco mais da sua vida.
Agora, esse finale poderia ter sido bem menos doloroso, para mim, não fosse um detalhe. Para quem acompanha essa coluna no últimos anos, sabe que sempre refutei a ideia de sci-fi na série (especialmente na última review). Porém, apesar de ter conseguido fugir de todos os spoilers neste series finale, momentos antes de assisti-lo, recebi uma mensagem “Ale, olha o Sam Esmail estragando nossa série”. Isso foi suficiente para abalar minha fé. Agora entendo que essa mensagem poderia ter sido referente ao episódio 11, mas fechei rapidamente o Telegram e dei play no episódio, temeroso.
Em whoami, Elliot Mastermind chega no mundo mnemônico (termo cunhado no ótimo canal Ateremos), que ele mesmo criou para aprisionar o Elliot Verdadeiro um ano antes. Há quem acredite que eu não goste de ficção científica. Isso não é verdade. Eu adoro sci-fi. Eu só abominável a ideia dele ser utilizado em Mr. Robot. O interessante é que tem gente que, apesar de Sam Esmail ter sido tão expositivo nesta reta final, ainda ache que a máquina de White Rose criou este mundo alternativo. Pra vocês, eu vou esclarecer mais uma vez. Tudo o que assistimos neste mundo, estava somente na cabeça de Elliot. Entendidos?
Aproveitando o gancho sobre a exposição de Sam Esmail, eu entendo o porquê dele ter seguido esse caminho. Caminho este, aliás, também seguido por Damon Lindelof, em Watchmen, recentemente. Obras como Mr. Robot precisam ser entendidas e, infelizmente a audiência não aceita conteúdos entregues com final em aberto para reflexão. Quem assistiu e aplaudiu The Leftovers sabe do que eu estou falando. Assim como Lindelof, e por tabela Esmail, também. Por isso, tivemos a cena maravilhosa, mas completamente didática (e até desnecessária), da Krista mastigando para o Mastermind exatamente tudo o que aconteceu, mesmo a maioria já tendo entendido. (ficou bem pau no cu esse parágrafo, né? Mas vou deixar ele mesmo assim…)
Voltando ao que interessa… O Mastermind cai no mundo em que ele mesmo criou para aprisionar Elliot num looping de uma vida perfeita. O primeiro pensamento que deveria permear a mente de qualquer pessoa que estivesse acreditando que aquele mundo era fruto da criação do Colisor de Hádrons: Por que o mundo criado é o mundo perfeito para o Elliot? Como eu estava com a pulga atrás da orelha com o pseudo-spoiler, cheguei a acreditar que a máquina criou um universo perfeito para cada pessoa viva (ou não) no raio de atuação da máquina e todos os outros seres vivos seriam meros nPC’s (non-Playable Characters, Personagem não Jogável).
E quanto mais o Mastermind ia nos mostrando esse mundo de Truman, mas dava essa sensação. Mas, se fosse para ser uma realidade alternativa, o jeito era tentar aproveitar o que teríamos de melhor daquele universo perfeito. E a conversa com a mãe amável, especialmente o momento em que ela diz que ela e o marido não teria motivo algum para agredir Elliot, foi o primeiro de muitos que me levou às lágrimas nessa finale. Já a parte quase cômica foi ver um Price aposentado no apartamento de Angela. Esse me pegou completamente de surpresa. E, enfim, tivemos o encontro entre os Elliots no apartamento tradicional em que ele sempre morou em Nova York.
Este foi o primeiro indício fortíssimo que havia algo muito errado. Por que o CEO da Allsafe estaria morando num kitnet tão muquifo? Assim, mesmo quando o Mastermind encontra as imagens no HD oculta e vê a si próprio e todos os membros da F Society, temos a certeza que algum plot twist extra estaria por vir. Confesso que me bateu um pavor em imaginar que o nosso Elliot e tudo o que assistimos fosse mera imaginação delirante projetiva do Elliot real, transformando-se em uma persona naquele momento. Imaginem que rasteira decepcionante? Teria sido pior que Game of Thrones e Dexter juntas. risos
Enfim, a cena do casamento, com todos os convidados com as máscaras da F Society, começou a desvendar a verdade para o nosso Elliot e não parou mais até que ele aceitasse que teria que devolver o controle da mente para Elliot Original e se tornar um mero Passageiro. Foram tantas referências e homenagens, de Clube da Luta a Divertidamente, que faz parte da diversão descobri-las enquanto assiste. E a cena da conversa final entre Darlene e Elliot (as duas versões), que acaba com a lágrima, é para ser vista inúmeras vezes.
Nestes momentos finais, temos a certeza de ter assistido uma das obras mais planejadas de todos os tempos. Cada detalhe importou. Foi tudo minuciosamente pensado. Blinks de muitas cenas de todas as temporadas, que foram se encaixando milimetricamente nesse roteiro magistral. Eu não consigo ter palavras para descrever o quão prazeroso foi escrever os textos e conversar com vocês aqui no Serie Maníacos e o quão emocionante foi dar o último adeus para o meu friend, Elliot.
Valeu.
Recadinhos Finais
- Comentários Aqui – Conto com vocês para fazer aquela troca de comentários abundantes que fez de Mr. Robot o maior sucesso de replies entre todas as reviews do site.
- Mr. Robot no Derivado Cast – Além de fazer textos de quase todos os episódios da séries também comentamos quase todos os episódios no nosso podcast. Vou deixar a lista abaixo com os vídeos do Youtube, já com o link na ponta a Agulha para facilitar para vocês:
- Grupo do Telegram Oficial do RedWheelBarrow – Também queria agradecer aos legenders do RedWheelBarrow, que fizeram um trabalho exemplar esse ano e divulgar um grupo do Telegram, que os maiores fãs da série estão lá, colocando muito material para nosso deleite. Convido todos a fazerem parte (mesmo sem saber se posso). Só entrar: https://t.me/Group_FSociety. Valeu, ThigSchuch!















