Quando Missão: Impossível estreou em 1996, a série de televisão de 1966 criada por Bruce Geller ganhou os cinemas num filme que atualizava a ação sem deixar de flertar com os clássicos de espionagem. O segundo longa não foi dos melhores, mas abriu caminho para que mais filmes fossem feitos e com Missão: Impossivel 3, o tão sonhado status de franquia foi atingido. Até então os filmes só tinham o ator principal e alguns elementos constantes em cada nova aventura. Do terceiro filme em diante, personagens e narrativas foram sendo trabalhados em conjunto, se interligando nos filmes subsequentes, criando assim uma história rica em mitologia própria e sequências de ação que sempre se superavam a cada nova incursão nos cinemas. Eis que Missão: Impossivel – Efeito Fallout (Mission: Impossible – Fallout, 2018) não é somente o sexto volume encabeçado por Cruise, mas uma obra de tirar o fôlego e um dos melhores filmes de ação do ano, mostrando que a série ainda tem muito combustível para queimar.

Christopher McQuarrie constrói uma obra que brinca com tudo o que já foi apresentado nos filmes anteriores, fazendo ligações inusitadas e inflando ainda mais tensão e ação no já anabolizado rol de longas encabeçados por Ethan Hunt (Tom Cruise) e cia. O roteiro, também escrito por McQuarrie, retoma não só elementos do ultimo longa (“Nação Secreta”, também dirigido por ele) como vai além, trazendo velhos conhecidos dos fãs de maneira que não esperávamos, jogando os personagens num insano jogo de “gato e rato” onde amigos se tornam inimigos e inimigos se tornam aliados inesperados. Essas camadas criadas da disputa entre IMF e CIA, enquanto uma ameaça de destruição nuclear global corre por tabela para complicar ainda mais as coisas, faz com que o peso das decisões tomadas seja o mais urgente em todos os longas até então. Geralmente, mesmo com todos os percalços, há sempre a certeza inerente de que os “mocinhos” estarão salvos no final. “Fallout” joga essa certeza pela janela ao colocar o perigo como algo realmente palpável, tornando o destino certo em uma incógnita que deixa o espectador vidrado na telona e com o coração não mão.

Missão: Impossível - Efeito Fallout
Missão: Impossível – Efeito Fallout

Grande parte disso se dá pelas sequências de ação que aqui superam muitas das pérolas já criadas nos filmes anteriores. O empenho em superar o que parecia insuperável proporciona momentos vertiginosos como uma queda livre de altura extrema ou uma perseguição de helicópteros entre montanhas, sem deixar de trabalhar também as lutas viscerais repletas de golpes tão belos quanto mortais. E o melhor: tudo isso é construído de maneira cristalina. Tudo é discernível e perceptível mesmo nos momentos mais eletrizantes, dando a quem assiste à sensação de imersão na ação, principalmente se visto em uma tela IMAX. Tocando nesse ponto, se possível assista na versão 2D. A experiência em 3D não agrega em muita coisa, sendo percebida em uma ou duas cenas de maneira efetiva. No entanto, o habitual filtro escuro do formato não foi percebido aqui. A fotografia é um dos pontos fortes do filme, principalmente quando coloca os personagens em relação ao ambiente, aumentando ainda mais a pressão e o clima de tensão.

Tom Cruise continua se entregando de corpo e alma ao personagem, realizando a maioria das cenas de ação sem a necessidade de dublês. Simon Pegg ainda continua como uma espécie de alívio cômico, mas também ganha uma carga dramática bem-vinda ao personagem. Esse humor aliás acaba sendo diluído entre todo o elenco, que mesmo em meio a caos das situações ainda consegue inserir alguma tirada sarcástica aqui e acolá. Dos rostos novos, a maior adição é Henry Cavill (e seu polêmico bigode) no papel de August Walker, um boçal agente da CIA. Ele talvez é o que se iguale ao Hunt de Cruise no quesito magnetismo na tela, devido as constantes rusgas entre os dois e a presença do ator devido ao porte físico derivado do personagem que ele faz nos filmes dos “Mundos da DC”. Alec Baldwin, Ving Rhames e Sean Harris também tem seus momentos de brilhar na tela.

Missão: Impossível - Efeito Fallout
Missão: Impossível – Efeito Fallout

Outro ponto forte é o elenco feminino do longa. Em filmes de espionagem as mulheres são sempre delegadas ao papel da femme fatale ou da assistente/interesse romântico, não tendo muita voz dentro da narrativa. A entrada de Rebecca Ferguson quebrou esse estigma na franquia “M:I”, já que Ilsa Faust não é somente uma espiã em pé de igualdade com Hunt, como em muitas vezes supera o personagem com bastante facilidade. Nesse quesito, além da sueca Ferguson, Angela Bassett e Vanessa Kirby surgem como novas figuras femininas poderosas, cada qual a sua maneira e perigosamente letais quando necessário. A primeira como a nova chefe da CIA e a segunda como uma figura do submundo do crime com conexões com o passado de Hunt. Conexões essas que também retornam na figura de Julia, papel de Michelle Monaghan.

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Missão: Impossível – Efeito Fallout é o melhor filme da franquia até aqui. É a mistura perfeita de sequências de ação com uma narrativa ágil e que assume riscos. O que começou a ser construído no terceiro volume ganha (de certa maneira) seu encerramento aqui. Tom Cruise prova que não é somente um herói de ação consagrado, como um produtor de mão cheia entregando ao público aquilo que ele anseia, numa apoteótica e catártica empreitada. É a expansão perfeita dos contornos cada vez mais impressionantes de uma série de filmes conhecida pela sua falta de limites em termos de ação e pela sua capacidade de “realizar o impossível”. Sua missão, se assim aceita-la, é não se sentir impressionado após a exibição das 2h20min mais insanas que você verá nos cinemas esse ano.

* O Série Maníacos assistiu ao filme a convite da Paramount Brasil 

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REVISÃO GERAL
Nota:
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Lucas Fernandes
Cinéfilo, sériemaníaco e designer não praticante nas horas vagas.
missao-impossivel-fallout-melhor-franquiaMissão: Impossível – Efeito Fallout é o melhor filme da franquia até aqui. É a mistura perfeita de sequências de ação com uma narrativa ágil e que assume riscos.