O Oscar passou e com ele a temporada de premiações. Com o delay da janela de lançamento nacional em comparação com a internacional, muito filmes do ano de 2018 só estreiam próximos ou após o hype das indicações e vitórias entregues pelo prêmio americano. Assim, já que muitos dos filmes se encontram disponíveis no Brasil (cinemas, serviços de streaming), resolvi compilar uma lista com as 20 melhores produções do ano passado.

Os critérios de inclusão foram a data de lançamento comercial no país de origem, não sendo válidas a data de lançamento nacional ou estreia em festivais. Seguindo o exemplo das listas recentemente lançadas aqui no site, resolvi separar o top em duas partes. Sem mais delongas, vamos aos títulos selecionados.

  1. Mais Uma Chance (Private Life)
Private Life
Um casal de meia idade decide ter seu primeiro filho, mas os planos são constantemente postos à prova levando a relação dos dois ao ponto de ruptura. Falando assim parece mais um daqueles dramas densos, mas a diretora e roteirista Tamara Jenkins consegue construir a narrativa do casal de modo a misturar humor e emoção, acertando em cheio nos momentos mais preciosos do filme. As atuações de Paul Giamatti e Kathryn Hahn (que rouba praticamente todas as cenas para si) conseguem transitar da alegria ao completo desespero em questão de poucos segundos, num dos exemplos mais realísticos e precisos do que é a luta envolvida no processo de inseminação artificial. Agridoce na medida certa.
  1. Um Lugar Silencioso (A Quiet Place)

Após a chegada do som no cinema é impossível imaginar um filme que se destaque com poucos ou nenhum diálogo. Geralmente englobado no nicho das produções de festival, o filme de estreia na direção de John Krasinki conseguiu se destacar no campo de guerra que são os blockbusters, colocando seu nome no mapa de diretores a se observar. A história de uma família obrigada a viver em completo silêncio para sobreviver a uma ameaça que ataca ao menor ruído é repleta de tensão e momentos de deixar no limiar da poltrona, grande parte destes devido ao esmerado uso do design de som na película. Junto de sua esposa Emily Blunt, o ator conseguiu entregar um improvável sucesso de bilheteria que já garantiu uma continuação. O silêncio nunca foi tão assustador.

  1. Missão Impossível: Efeito Fallout (Mission: Impossible – Fallout)

Não é novidade que a franquia “Missão Impossível” se tornou um dos baluartes dos filmes de ação atual, mas em “Efeito Fallout” a série de longas chegou num novo patamar. Quando uma ameaça nuclear põe o mundo em risco, Ethan Hunt precisa entrar em ação para salvar o planeta ou morrer tentando. Tom Cruise ainda mais envolvido nas sequências de ação, fazendo stunts perigosos como se fosse a coisa mais fácil do mundo. Acrescente Henry Cavill, Angela Bassett, Rebecca Ferguson e Vanessa Kirby e a receita para explosão de ação na tela está armada. Maior, mais frenético e impossível como nunca.

  1. Com Amor, Simon (Love, Simon)

Comédias românticas nunca foram novidade no cinema. Nos anos 80 e 90 elas dominaram o panorama cinematográfico, principalmente quando direcionavam suas narrativas para os adolescentes. O que o filme de Greg Berlanti (chefão das séries da CW) trás de diferente para o gênero é contar a primeira história do tipo com um personagem gay para um público mainstream. O coming of age encabeçado por Nick Robinson é feliz por mostrar os perrengues da adolescência e da saída do armário envolta numa capa de estética oitentista, sem deixar de aplicar as inovações trazidas pelos millennials. É um daqueles filmes que aquece o coração é dá a esperança de que as coisas possam ser melhores algum dia. Afinal de contas, todo mundo merece uma história de amor.

  1. Aquaman

Parece que finalmente a Warner/DC conseguiu encontrar o equilíbrio necessário para lançar bons filmes e, depois de “Mulher Maravilha”, “Aquaman” é a prova cabal de que eles acertaram na escolha de mudar as linhas narrativas de seu universo. Contando a história do atlante mais famoso dos quadrinhos, o filme dirigido por James Wan é um verdadeiro espetáculo visual repleto de ação de tirar o fôlego, que eleva e muito o nível das adaptações da editora. Jason Momoa esbanja carisma no personagem título, numa versão carrancuda, beberrona e de bom coração. Nicole Kidman, Wilem Dafoe e Patrick Wilson completam o time. Uma viagem submarina colorida e repleta de diversão que deixa as expectativas altas para os próximos filmes da DC nos cinemas. Esse é bom até de baixo d’água, literalmente.

  1. Pantera Negra (Black Panther)

O filme que colocou a Marvel no Oscar e trouxe uma das maiores bilheterias para o estúdio não poderia ficar de fora da lista. Uma verdadeira celebração da identidade negra, o filme do herói de Wakanda é uma aula de como aproveitar influências visuais e narrativas, num longa que não se livra dos clichês, mas entrega uma história repleta de coração e ação. Com um dos melhores vilões do MCU (numa interpretação absurda de Michael B. Jordan), o filme dirigido por Ryan Coogler é a prova definitiva que é possível fazer um filme que traga representatividade ao mesmo tempo que dá retorno financeiro ao estúdio. E de quebra alguns Oscars também. Wakanda Forever!

  1. Nasce uma Estrela (A Star Is Born)

A nova adaptação do filme de 1937 é um drama romântico efetivo e que coloca em evidência o gênero para novas audiências. Um roqueiro em fim de carreira e uma garçonete com sonhos de se tornar uma cantora de sucesso. Duas almas diferentes e igualmente ligadas pelos efeitos da fama. A direção de Bradley Cooper sabe dosar bem os momentos musicais com as cenas mais carregadas de potência dramática. Não só o ator desponta num bom trabalho num papel mais denso, como Lady Gaga estreia como atriz de cinema com indicações aos principais prêmios do circuito. De quebra a trilha sonora é uma das melhores para um filme musical em bom tempo. Destaque também para a atuação de Sam Ellitott. A fama em todos os seus altos e baixos retratada de maneira acertada.

  1. Aniquilação (Annihilation)

Adaptando a trilogia “Comando Sul”, Alex Garland cria em seu segundo longa uma perturbadora história sobre o luto. Uma cientista se voluntaria para fazer parte da última expedição a uma região onde as leis da natureza não se aplicam. A grande maioria dos que entram nunca voltaram e os que voltaram não parecem ser aqueles que eram antes. A interpretação de Natalie Portman é um dos pontos altos do longa, junto com seu design de produção onírico e efeitos práticos marcantes. “Aniquilação” é um estudo da natureza humana sobre pressão do luto, da loucura e da essência do ser humano perante o desconhecido. Assustador e intrigante, uma das ficções mais cerebrais e interessantes dos últimos anos.

  1. Guerra Fria (Zimna Wojna)

Existem paixões. E existem paixões arrebatadoras que duram a vida toda. “Guerra Fria” retrata uma paixão do segundo tipo. Uma cantora e o diretor musical do grupo em que ela trabalha se apaixonam de maneira tórrida e precisam lidar com a escolha de continuar na Polônia comunista dos anos 50 ou fugir para a França. Belamente filmado em preto e branco, o filme de Pawel Pawlikowski é uma daquelas “love storys” regadas de momento marcantes e lancinantes. As atuações de Joanna Kulig e Tomasz Kot só aprimoram ainda mais a relação conturbada pela eterna ameaça da divisão e pelo crescente domínio do estado na vida particular. Uma bela e destruidora história de amor.

  1. Ponto Cego (Blindspotting)

Esqueça “Green Book – O Guia”, porque esta é a verdadeira amizade interracial que importa em 2018. O diretor Carlos López Estrada constrói através da relação entre dois amigos moradores de Oakland um estudo de caso sobre a vida na periferia. E o longa não poupa em nenhum momento em tocar nos pontos sensíveis, seja a violência policial, a criminalidade, o desemprego, a gentrificação ou a desigual oportunidade entre negros e brancos. A dupla principal, Daveed Diggs e Rafael Casal (que também escrevem o roteiro), dão um verdadeiro show de atuação, indo do drama à comédia, sem nunca deixar de explicitar com todas as cores o que é a vida a para os desafortunados com entrega fenomenal. Simplesmente necessário.

Gostou dos selecionados da primeira parte? Concorda? Discorda? Quais filmes você acha que estarão no top 10? Comente! E até a segunda parte!

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Lucas Fernandes
Cinéfilo, sériemaníaco e designer não praticante nas horas vagas.