Em Midwinter of the Spirit, Merrily Watkins e a filha Jane, se mudam para o interior, após a morte do marido para recomeçarem a vida. Lá, a mãe, que faz parte de um grupo de padres e vigários que estudam a prática do exorcismo, é escolhida pela polícia para auxiliá-la na investigação de um assassinato. A vítima em questão é Paul Sayer, um satanista da cidade. Depois que se desentende com os investigadores, incrédulos, ela é chamada a um hospital, já que se torna a responsável por certo tipo de assunto. Lá, encontra Denzil Joy, paciente do hospital que todos acreditam estar possuído por um espírito mal. A partir disso, ela começa a ser atormentada por pesadelos, estranhas sensações e a certeza de que está sendo perseguida.
Midwinter of the Spirit é uma minissérie do Reino Unido dividida em três episódios, com quase cinquenta minutos cada. Ela foi ao ar a partir de 23 de setembro do ano passado e teve seu último episódio exibido no dia 7 de outubro, o que a classifica para esse projeto. A produção foi ao ar pela ITV, e é baseada em um livro do autor britânico Phil Rickman, que inclusive colaborou com a série.

A série é estrelada por Anna Maxwell Martin, conhecida por mim por ter participado da também minissérie And Then There Were None do mesmo ano. Aqui, sua personagem é interessante e inteligente, mesmo que comece naquela saga de recomeço de histórias de horror que já saturaram o gênero. Merrily é corajosa e comprometida com os seus deveres, enquanto que Anna é convincente e muitas vezes sua atuação é o que mais se destaca na série. Tentando fugir do luto e dos fantasmas de seu passado, ela encontra mais fantasmas, dessa vez ainda mais perigosos e precisa desenterrar histórias macabras da cidade.
Enquanto Merrily é interessante de acompanhar — principalmente porque adoramos acompanhar personagens inteligentes e que se esforçam para desvendar os mistérios que as rodeiam —, não podemos dizer o mesmo de sua filha. Jane é interpretada por Sally Messham. Aqui não dá para culpar a atriz, a personagem é ruim mesmo. Jane é a adolescente chata que culpa a mãe por absolutamente tudo, se isola em amizades de escolhas duvidosas e só está na trama para ficar em perigo em algum momento.

Siobhan Finneran (Downton Abbey, Happy Valley), por sua vez, faz uma boa participação na série, como Angela Purefoy, uma mulher rica e misteriosa, que mostra certo interesse em se tornar amiga de Jane, e é capaz de se comunicar com espíritos. Outra boa adição ao elenco é Leila Mimmack, como Rowenna Napier, amiga de Jane, mas com um passado problemático e que aos poucos se mostra bem relacionado com os eventos atuais na cidade.
Midwinter consegue relacionar bem a concepção do mal sobrenatural que temos com o mal realizado pelas pessoas. Conforme descobrimos o passado da cidade, e nos assustamos no processo, percebemos que os homens dali são tão ou mais perversos que as entidades que circulam pela floresta. Além disso, quando descobrimos as razões dos antagonistas, chegamos a pensar que é quase perdoável as escolhas que tomam em busca de vingança.

Duas coisas não favorecem muito o roteiro: na metade da história já sabemos aonde estamos indo e o que vai acontecer. Pode não ser detalhe por detalhe, mas fica a sensação de que a reviravolta não tem seu efeito porque vimos aquilo chegamos. Outra coisa é o último episódio, cujo desfecho não me agrada muito. Gosto de grandes cenas, de grandes momentos para o final de histórias de horror, daquele clima caótico, clima de cataclismo, e aqui isso não acontece.
Mesmo assim, a história é bem escrita, o mistério foi bem criado, ficando mais evidente ter sido baseada em um livro de um autor que é familiarizado com o gênero. Gosto da ideia de que os humanos utilizam tanto os espíritos para seus planos quanto os vivos são usados, o que gera um estranho ciclo de possessão. Talvez funcione melhor como livro, mas não tive a oportunidade de ler para atestar. A ambientação é boa, há momentos em que a fotografia casa muito bem com a tensão. O ritmo às vezes cai e é preciso paciência, mas nada que o faça abandonar o episódio.

Contando pouco para não estragar a experiência de ninguém, recomendo Midwinter of the Spirit por diversos motivos, desde a interpretação da atriz protagonista à forma como o sobrenatural perturba as pessoas e como o comportamento das pessoas pode ser tão assustador quanto. O final pode deixar um gosto de decepção, por ser uma história simples com ares de grande produção. Resta avisar para não ir com muita sede ao pote, e saber muito bem o que está sendo proposto como bebida.
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#MêsDoHorror
Esse post faz parte do projeto #MêsDoHorror que tem como objetivo falar, durante outubro, de séries de horror/mistério/fantasia que não tiveram textos aqui no SM no período de 01/10/2015 a 30/10/2016.















