Inimigo do meu inimigo…
Mais um respiro no ritmo da narrativa após as diversas tramas abertas no episódio passado. Termos da serpente tem, o título desse capitulo de Marco Polo, tem uma dualidade incrível, podendo ser aplicada a dois personagens distintos. Ambos, cada um de seu modo, rondando as vítimas antes do bote.
Em Xanadu, Kublai tenta recuperar a credibilidade abalada pela disputa com Kaidu, na esperança de convencer os chefes de clãs em seu apoio na votação pelo canato. Engraçado notar que longe da influência de Ahmad, Kublai se rende aos arroubos diplomáticos e fica mais concessível a influências externas, deixando a cabeça quente de lado. Em meio a mesuras, presentes e alianças reafirmadas, Kublai vai reconquistando a confiança de grande parte da população que antes o considerava um megalomaníaco com sede por poder, o que não deixa de ser verdade, mas o desejo de expandir a Mongólia até os confins do mundo conhecido é um desejo não pessoal, mas pelo futuro, pela capacidade e possibilidade de uma vida melhor com abundância interminável. Tal confiança porem talvez tenha chegado tarde demais…
E a presença da Kokachin original talvez não seja tão real assim. A pressão psicológica, fardo da posição, pode ter chegado num ponto em que a mente tenha se partido e um trauma se transforme em algo maior do que é. Tudo bem que ainda tenho dúvidas se realmente a “Princesa Azul” retornou, mas como ela transita entre a população sem que ninguém veja? E a prova cabal do sangue nas mãos, perante a mutilação dos cavalos é mais do que a certeza da loucura da jovem princesa.
Mas o grande foco foi no triunvirato do mal. A aliança entre Ahmad, Nayan e Kaidu é a coroação da ingenuidade cabal do Khan. Termos da Serpente pode ser aplicado a Ahmad, mas também a mãe de Kaidu. Como uma serpente que lentamente aperta a presa quebrando seus ossos, ela vai quebrando as defesas mentais e pessoais de Kaidu, tornando o filho numa pessoa totalmente diferente do que era. A recepção em Cambulac, o uso das roupas do Khan, até a violência contra a filha, são fatos impensáveis para um Kaidu de tempos atrás. E por último na aliança temos Nayan, que foi arrastado habilmente por Ahmad com a ajuda de Ling Ling. Mas ele já chegou destruindo um dos clãs inimigos em nome “do Senhor”. A união de um usurpador, um homem cego pelas relações familiares e hierárquicas e um cego pela fé é mais do que um artificio narrativo certeiro, é unir a disposição e capacidade do Khan frente a um inimigo que é único, embora pareça separado por razoes práticas.
Com a esperança da resolução do imbróglio entre Cem Olhos e a misteriosa personagem de Michelle Yeoh no próximo episódio, Marco Polo demonstra que veio ainda melhor nessa segunda temporada. Até mesmo nos episódios de ritmo mais lento temos desenvolvimentos grandes da trama.
Bayartaj!
PS 1: A série pode ter o nome dele, mas Marco vive mais perdido na trama do que tudo. O casinho avulso com a moça lá não agregou nada, leva ele de volta pra Cambulac produção!
PS 2: Xanadu realmente existiu e era a capital de Verão do Império Mongol. Também era conhecida como Shangdu e acredita-se que fazia parte do que hoje conhecemos como a Cidade Proibida, em Pequim, residência dos Imperadores Chineses;
PS 3: Se no próximo episódio não derem um nome a Michelle Yeoh eu desisto. Não aguento mais chamar ela de guarda costas ou monja.
















![Marco Polo 2×10: The Fellowship [Season Finale]](https://seriemaniacos.tv/wp-content/uploads/2016/07/c649694322-218x150.jpg)