Teria Major Crimes superado The Closer?

Desde o início, Major Crimes tinha uma missão pra lá de difícil: conquistar as fãs de The Closer, sendo um spin-off às avessas (mantendo os mesmos personagens, no mesmo ambiente e fazendo o mesmo trabalho). A primeira temporada foi marcada pela transição entre as séries, pelo conhecimento da nova dinâmica e da nova chefia do Esquadrão. A segunda, por sua vez, carregou outro fardo: mostrar a identidade da série e distanciá-la de sua predecessora. E tudo foi feito com muita coerência e de uma maneira bastante natural.

Return to Sender, Part 2  veio para terminar a temporada no mais alto padrão e não deixou espaço para piadas. Desde o primeiro minuto, o episódio entregou uma grande carga dramática e soube conduzi-la até o final, sem ser cansativo.

A fim de descobrir a identidade do escritor das cartas, o Esquadrão trabalha numa operação conjunta com o FBI e acaba descobrindo, através da advogada de Stroh e da própria mãe do escritor, que ele foi abusado quando criança e acabou se tornando um psicopata e assassino em série que já foi cliente de Stroh.

Enquanto isso, chega o momento de Rusty testemunhar contra o advogado. Antes tarde do que nunca, Rios consegue ser útil em um episódio. As cenas da promotora no tribunal foram ótimas e ela finalmente conseguiu montar seu caso contra Phillip Stroh e ainda utilizar as cartas como evidências de intimidação de testemunha.

Infelizmente, não tivemos a participação de Billy Burke, mas quem precisa dele quanto temos Jeri Ryan? A advogada do diabo de Stroh foi um dos trunfos dessa season finale. Ela foi tudo o que eu queria que Rios tivesse sido essa temporada toda: uma advogada inflexível, firme e que não tem escrúpulos quando o assunto é ganhar um caso. Linda Rothman (linda mesmo, rs) pôs fim à onda de insinuações que predominou durante a temporada e questionou a sexualidade de Rusty. Não que isso fosse importante para o caso, foi mais um modo de desarmar o garoto.

A ação ficou com a parte final da caça ao escritor das cartas, Wade Weller. Após rastrear a localização de Weller, com os equipamentos do FBI, a LAPD para o trânsito na região em que ele se encontra e emite o Amber Alert (um alerta emitido quando há suspeita de sequestro de menores), uma vez que Wade levava Tyler em sua fuga. Assim que Weller começa a correr, o Esquadrão o cerca. Quando Wade usa Tyler de escudo humano, a série se mostra totalmente amarrada ao mostrar um tiro certeiro na cabeça do rapaz, emitido por Provenza, que, mais cedo na temporada, precisou se qualificar para usar sua arma e acabou descobrindo que precisava de óculos para atirar. Sensacional essa sequência.

A temporada termina numa cena emocionante de Rusty enfrentando sua sexualidade e admitindo que é homossexual. Resistente à descoberta, o garoto acha que Raydor vai rejeitá-lo, ao ponto em que a Capitã o abraça diz amar tudo o que ele é. Mais uma vez, sou só elogios para a incrível atuação de Graham Patrick Martin, que soube lidar com a complexidade desse personagem e dar-lhe a sensibilidade na medida certa.

Não sei se é hora de entrar no mérito de qual a melhor série (Major Crimes ou The Closer). Talvez nunca chegue essa hora. Entretanto, no que tange à carga dramática e ao modo como desenvolve seus personagens, prefiro Major Crimes.

A série já tem sua terceira temporada garantida, com 15 episódios e deve começar, como sempre, em meados de julho ou agosto. Aguardo vocês. Até lá.

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