Xeque.
Arriscando-me a soar repetitivo, devo dizer que fico impressionado com a constante crescente na qualidade dos episódios de Major Crimes, seja nos casos da semana, seja na trama central, seja na evolução dos personagens. E Jailbait é um bom exemplo disso.
Se há uma coisa da qual ninguém pode discordar é que Major Crimes tem executado muito bem o desenvolvimento dos seus personagens. Sempre ouvimos uma coisa aqui e ali sobre a história de Rusty e ligamos um ponto ao outro pra saber o que aconteceu com ele, mas nunca tínhamos ouvido do próprio garoto, que sempre se fechava quando o assunto era seu passado. A entrada do Dr. Joe Bowman fez uma grande diferença logo de cara. Apesar de Rusty ainda se mostrar relutante, Dr. Joe, com sua calma, sensibilidade e, claro, talento para o xadrez, consegue quebrar essa barreira emocional que o garoto apresentou desde o início da série. Foi comovente a cena em que o psiquiatra faz Rusty perceber sua realidade, que os problemas pelos quais o garoto passou não são merecidos nem aceitáveis — ser abandonado pela mãe que fugiu com o namorado, não ter o que comer ou vestir e precisar se prostituir para sobreviver (o que Dr. Joe diz ser considerada uma forma de estupro). Expor todos esses fatores a Rusty e perguntar-lhe o ele diria a “esse garoto” foi genial. Espero que a presença de Bowman dure, pelo menos, até o final da temporada.
Não menos emocionante foi a conversa esclarecedora que Sharon teve com Rusty sobre a necessidade de se fazer terapia depois de testemunhar um crime. O dano psicológico causado em casos assim pode ser muito grande. Está na hora do garoto aceitar que ele realmente precisa de terapia — e de algumas dicas de xadrez também, se quiser vencer um partida contra o psiquiatra.
O caso da semana foi bastante intenso. A investigação começou com o Esquadrão buscando um estuprador que acabou se tornando a vítima. O principal suspeito era um xerife conhecido de Sanchez — mas não porque todos os latinos se conhecem. Adorei a cena em que Flynn, Sanchez e Provenza sacam suas armas quando suspeitam de que o tal xerife também o faria e Raydor fica totalmente despreocupada e inerte à situação. Ainda nessa cena, foi hilário ver os detetives arregalando os olhos ao ouvirem a Capitã dizer que não gosta de se sentir presa às regras. Adoro como a série usa com tanta maestria esse equilíbrio entre drama e comédia.
Pouco antes da revelação do culpado, já era possível saber que era o pai do tal estuprador, mas ninguém esperava aquele final, com a esposa do cara tendo aquela reação explosiva, investindo contra ele e enchendo-o de socos.
Não posso terminar sem falar da nítida diferença entre Emma Rios e Andrea Hobbs. Mesmo Rios se esforçando para conseguir nossa empatia, ela perde em carisma para Hobbs — nem precisar enumerar motivos. Além disso, Hobbs tem uma atitude muito mais profissional, ela demonstra certeza naquilo que fala e aponta as falhas jurídicas de uma investigação, sem contar que a promotora sempre coopera com o Esquadrão para conseguir condenar alguém. Queria Andrea mais presente nos casos da Major Crimes.
















