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Eu diria que a terceira temporada de Heroes foi boa antes de achar um episódio natalino de Mad Men ruim.
Spoilers e cigarros abaixo!
“I don’t hate Christmas. I hate this Christmas.” – Donald Draper
Usualmente, a série tem dois tipos de episódios: os agitados, cheios de tramas que movem personagens de um lugar ao outro no contexto geral das coisas, e os contemplativos, nos quais mesmo sem muitos acontecimentos notáveis, nós damos uma boa olhada nos objetivos deles, nos seus desejos, falhas e passados. “Christmas Comes But Once A Year” é esse segundo tipo, pegando, a exemplo do episódio anterior, uma data comemorativa e explorando as possibilidades que envolvem Don nessa esquisita situação de pai, amante e trabalhador… Sozinho. Completamente isolado no mundo, sem Betty como sua âncora.
Dessa vez, ele se apóia na secretária Alison, que é a única ligação feminina entre as duas fases de sua vida e assim, pode desempenhar o papel que pertencia originalmente à mãe de seus filhos, como eu disse no fim do primeiro parágrafo. O interessante é que nisso, o outrora cuidadoso Don, não nota as consequências. Esse episódio é fora de sequência em várias maneiras – para a minha decepção -, porém, ainda lembra aquele final desenfreado que parece estar dando o tom ao resto da temporada. Mostrando e quebrando, de pouco a pouco, um homem que não suporta estar à frente de seu próprio tempo, vivenciando e sendo lembrado disso a cada segundo pelos filhos, pela ex-esposa, colegas de trabalho e até por objetos, como as fotos de sua família que ele guarda como um tesouro, mesmo querendo esquecer delas. Essa é uma das temáticas mais fantásticas e profundas da série, que sempre ao ser abordada, nos lembra do porque a amamos – não que nós precisássemos.
Enquanto isso… Sério? Eu adoro Sally Draper (Kiernan Shipka, agora parte do elenco regular da série) e a sua visão do que está se passando no mundo adulto, porém, dar a ela uma história mal pensada que só serviu para adicionar peso em um episódio já convoluto, não caiu bem. Ao invés disso, adoraria ter passado mais tempo no escritório, entendendo as novas dinâmicas ou até engolindo melhor o que levou Freddy Rumsen a agir como um babaca para Peggy no começo. Esses foram os poucos erros do episódio, que felizmente, acabaram sendo acobertados pelos vários acertos, desde a comédia física (Conga! Sterling Noel!), passando pela tensão que Lee Garner Jr. causou em Don por tê-lo obrigado a demitir um favorito seu, e chegando nas consequências de algumas bebidas a mais: uma Alison enamorada, só para em seguida receber uma ótima gratificação em dinheiro, sendo injustamente rebaixada ao único posto no qual o seu chefe está atualmente confortável em receber afeto.
Outras observações:
– Fiquei com muito medo do Glen. Único sentimento proporcionado por uma trama que não é muito digna de menção.
– Às vezes, eu me pego pronunciado Sterling Cooper Draper Pryce só porque é um conjunto de palavras que soa maravilhosamente bem.
– As músicas selecionadas esse ano estão particularmente inspiradas, com “I Saw Mommy Kissing Santa Claus” encerrando belamente o episódio.
– Adorei ver a Alison Brie de volta na série e fiquei feliz de saber que ela está se comprometendo as suas “origens” durante o hiatus da produção de Community.
– A mudança mais notável no ano entre “Shut the Door. Have a Seat” e “Public Relations” foi a de Peggy. Novo cabelo, novo humor, novas roupas, mas nem tanta reza e transformações podem fazê-la esquecer do passado, como visto na cena em que ela repetidamente rejeita o namorado e acaba sendo colocada contra a parede, tendo que escolher entre levar as coisas adiante ou continuar machucando ele (nas palavras de um agora mais parecido com o de bexiga involuntária que sempre me fazia rir, Freddy Rumsen.





















