Os mesmos casos, os mesmos erros e o mesmo resultado ao final da história.
Quando se assiste à um episódio de série lutando com o tédio e persistindo até o fim de seus eternos 42 minutos pela simples razão do compromisso e responsabilidade em escrever uma review é o momento de perceber que nada está bem, e nada é aceitável.
Anything Pierce Can Do I Can Do Better é o típico momento revelação para qualquer fã de série, a conclusão definitiva de que nada vai ser diferente e de que todas as histórias irão seguir o rumo do “cachorro correndo atrás do próprio rabo” para entregar aquilo que o público aceita porque preenche a zona de conforto.
Curioso perceber que ao pensar sobre o plot dessa semana, este pode ser comparado com aqueles trabalhos de escola que o professor determina como tarefa do estudante e o mesmo faz uma cópia do Wikipédia. Mas aquele aluno um pouco menos “descarado” tem a dignidade de copiar parágrafos de vários sites e blogs diferentes tentando fazer parecer que aquilo é melhor do que copiar o texto inteiro. Porém, no fim das contas, tudo não presta, porque tudo perde o sentido e vira mais do mesmo.
Mazikeen quer matar Pierce para incriminar Lúcifer e este voltar para o inferno, levando-a consigo. (Essa foi a história da primeira temporada da série. Incluindo o fato de que Lúcifer realmente foi incriminado pela morte Malcolm). E por falar em Pierce… O cara é simplesmente o homem mais velho da história da humanidade antes de Cristo, e por causa da Chloe ele não quer mais morrer? Não! Agora ele quer viver e casar com ela.
No episódio da semana anterior Lucifer teve a ousadia de trazer para seu plot uma das séries mais bem-sucedidas da FOX, Bones. E mesmo que eu tenha abandonado os casos de Seeley e Brennan há muito tempo, devo dizer que ao invés de só mencionar o seriado, seria mais válido que os roteiristas e diretores sentassem na frente da TV e assistissem a algo que trouxe muito mais criatividade e envolvimento em uma única temporada do que Lúcifer jamais irá fazer em todos os anos que a série possa vir a existir, se continuar por esse caminho.
Os casos semanais seguem a mesma sequência enfadonha de um crime sem criatividade, uma vítima que tinha inimigos no trabalho, invejosos pela sua carreira promissora, um relacionamento romântico e um assassino que não tinha nada a ver com isso. Não existe interesse em mostrar algo a mais, talvez uma linha CSI (não faria mal a ninguém), ou um envolvimento mais significativo com a vítima ou o perpetuador. Tudo é possível, mas nada permite que se arrisque pensar fora da “caixinha de criatividade” pré-determinada.

Nesse emaranhado de histórias que em nada agregam a evolução da série, talvez o único alívio cômico e momento digno de atenção, tenha sido a nova postura de Charlotte diante à possiblidade de se “reconciliar com Deus”, trazendo consigo nesse contexto, nuances de fé, perseverança e hipocrisia. Propositalmente, tocando na ferida da idolatria religiosa.
E ao mesmo tempo que é possível observar tanto potencial neste pequeno pedaço de contexto, garantindo a possiblidade de se aprofundar sem perder a leveza e o humor da série, temos a estupidez da concentração desgastante e desnecessária de envolver, em todo episódio, os sentimentos do casal protagonista.
Acaba sendo um daqueles momentos que você percebe que ninguém observa o trabalho de ninguém na TV, e que os fracassos passados serão as frustrações futuras em um ciclo vicioso e repetitivo. No fim das contas você se sente decepcionado, traído pela expectativa que não foi atendida, percebendo o desperdício daquilo que poderia ser muito, poderia mesmo. Bastava não realizar um “copy e paste” do Wikipédia.















