O início de temporada foi… Bem Louie.

Spoilers Abaixo:

Apesar de até agora ter nos apresentado apenas a histórias com pouca conexão além do cenário e personagens, Louie possui uma característica bem importante em sua narrativa: Histórias sobre como o protagonista tenta lidar com o envelhecimento e sua dificuldade em lidar com isto e conseguir manter relações humanas. Esses dois capítulos fizeram jus ao que vimos na temporada passada, fazendo uma abertura extraordinária.

Também pode ser dito que, como habitualmente, os capítulos conseguiram divertir. Seja mostrando sua filha mais nova com a sinceridade de criança ao revelar as preferências pela casa da mãe, a irmã mais velha falando algumas verdades inconvenientes, os monólogos de Louie sobre a efemeridade da vida, ou até piadas menos sofisticadas como as envolvendo peidos e a noite de sexo mais bizarra que eu já vi. O que é bem positivo, pois me fez acreditar que eu possuo uma vida sexual saudável e normal. Pelo menos se comparado a isto. Na realidade, Louie sempre funciona como uma excelente terapia em relação aos problemas da minha vida por eu constatar que os dele são bem piores.

Os melhores momentos dos capítulos iniciais, no entanto, foram quando vimos lado a lado Louie e sua irmã Grecthen(Rusty Schwimmer). No início já morri de rir por vê-la sendo extremamente sincera em relação à ex-esposa de Louie, chegando ao ponto de dizer que teve que ir ao casamento fingir que gostava dela. O que eu mais gostei desta parte foi que me lembrou Seinfeld, devido a ser uma sátira ácida aos protocolos sociais, neste caso a convenção de que não se pode falar mal da pessoa que deu luz ao seu filho. Fiquei imaginando que em qualquer momento mudaria para o stand-up e Louie falaria: “What’s the deal with…”

Em seguida, temos uma cena que conseguiu ao mesmo tempo empregar uma carga dramática muito forte e nos fazer rir em sua conclusão. O drama em questão é ver Louie, que tem extrema dificuldade em se relacionar, tendo que pedir ajuda aos vizinhos (momento Caras: Presumivelmente um casal gay) para conseguir levar sua irmã ao hospital. Sendo um pai solteiro, Louie precisa aprender a se relacionar com pessoas, para suprir a solidão do seu dia a dia, e este é o grande tema que fica por trás de todas as histórias da série. O final, embora escatológico, também me fez rir bastante.

Outro grande momento foi o encontro que ocorreu logo após Louie ver uma pessoa morrendo. O monólogo que Louie faz sobre a forma arrogante como humanos vivem a vida, fingindo que são eternos quando estão a um passo da morte a qualquer momento, foi um momento de reflexão e… Também de humor, pelo modo como Louie fala sobre isto. E não é isso que um bom comediante faz: Fala algo que normalmente não seria engraçado se transformar em algo engraçado?

Parabéns ao Louis C. K. merecem  ser dados, já que ele vem se mostrando não só um comediante talentoso, o que todos sabíamos, como também um ator eficaz nas partes que precisam de um pouco mais de drama. A separação da persona cômica, utilizada sempre no palco ou em momentos que ele precisa usar humor, do verdadeiro Louie, além de suas semelhanças, é algo que foi muito bem explorado na primeira temporada e continuou sendo até agora.

Alguns podem reclamar que a série não possui história, mas eu acho que isto é a maior besteira do mundo. Qual o objetivo primordial do humor? É ter uma narrativa intrigante ou divertir? E isto Louie faz muito bem.

Beijinhos, beijinhos, tchau, tchau. @whoiska

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