O xerife durão está de volta, e voltou com tudo.

Spoilers Abaixo:

No ano passado estreou no A&E um novo procedural, baseado nas aventuras de Walt Longmire. O principal diferencial desta série para tantas outras de um gênero que já está saturado é a temática, quase sempre o caso da semana servindo apenas de pretexto para se discutir a situação entre os índios cheyennes e os brancos, sempre mostrando conflitos sociais, políticos e culturais que se mostram relevantes e interessantes ao mesmo tempo.

Talvez só isto não fosse o suficiente para garantir o sucesso da série, nem tão pouco é seu principal mérito. Além de um protagonista forte, muito bem interpretado por Robert Taylor, os casos da semana frequentemente se mostram interessante. Se por um lado o espectador encara o clássico “assassino da semana”, na maioria das vezes o desenrolar do caso é feito de forma satisfatória, além de constantemente abordar um dos itens citados no primeiro parágrafo.

Após apresentar uma boa primeira temporada, o objetivo e talvez desafio dos roteiristas é fazer com que esta segunda temporada seja, no mínimo, tão boa quanto a sua antecessor, e a julgar por este season premiere, acredito que a expectativa será cumprida, principalmente se levarmos em consideração o que ainda está por vir.

O episódio, longe de ser perfeito, ao menos é satisfatório. Muitos arcos permaneceram em aberto na temporada passada, e esta deverá se não encerrar, pelo menos abordar de forma mais incisiva alguns deles, que foi um pouco do que faltou na anterior. Este Unquite Mind serviu basicamente para relembrarmos um pouco os personagens, e principalmente, seus conflitos, como o anúncio da campanha de xerife de Branch, que serviu apenas para demonstrar como está o clima no gabinete de Walter em relação ao assunto. O principal destaque positivo fica por conta da atuação de Katee Sackhoff, que deu um show ao enfrentar os engravatados do FBI para procurar Walt, tendo o clímax da situação chegado ao momento em que ela soca a cara do agente encarregado. Além disso, os diálogos rápidos e bem escritos demonstrados na primeira temporada também marcam presença, principalmente na cena do diálogo entre Henry e Branch no Red Pony.

Gostei da maneira como o caso da semana foi resolvido, mas esperava que desenvolvessem um pouco mais o personagem Wayne.  Quando uma série resolve colocar o assassino da semana como um psicopata serial killer, há de se tomar o cuidado para que ele não fique muito caricato. Não chegou a ser o que aconteceu aqui, mas certamente o personagem ficou muito superficial, podendo ter sido mais bem desenvolvido. Qual era a motivação para suas vítimas serem índios? Era um crime racial ou tinha mais alguma coisa por trás das mortes? Qual era a dos palitos no meio dos sanduíches? Estas são só algumas das questões que ficaram sem serem respondidas.

Todo o arco envolvendo a perseguição de Longmire ao assassino no meio da neve foi bem executado, com tomadas bem ágeis e bons ângulos de câmeras, se mostrando um episódio muito bem dirigido, principalmente as tomadas externas. Só não tenho certeza se gostei ou não das alucinações que o xerife sofreu no decorrer do episódio. Aquela envolvendo Theo Halfmoon, o garoto cujo corpo foi encontrado, era claramente sinal da hipotermia, mas a de Henry e a do detetive não ficaram claros os motivos. Será que o xerife está pirando mesmo na batatinha, ou foi um fato isolado por causa do frio extremo? Vamos aguardar para ver se isso se tornará um arco para esta nova temporada.

Com um episódio com poucas cenas de ação, mas que esteve focado num suspense por muitas vezes psicológico, Longmire retorna de forma satisfatória, mesmo sabendo que a série pode render episódios melhores do que este, mas nos dando amostras de quais serão os rumos que ela irá tomar nesta atual temporada.

Em tempo 1: Pela promo do próximo episódio, a trama será sobre o desaparecimento da filha de Longmire, e a investigação deverá unir Longmire e Branch para descobrirem pistas do que aconteceu. Será uma boa trama se for estendida por mais alguns episódios. Além dos ótimos casos semanais, ainda de quebra teríamos um mistério como pano de fundo da temporada. Concordam?

Em tempo 2: O carro do xerife ficou amassado a temporada passa inteira devido ao acidente sofrido no piloto, e só foi consertado na season finale. Neste episódio o carro já foi atingido por um búfalo. Tudo bem que não gerou danos permanentes, mas vai ter azar assim lá na caixa prego.

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