Passei a encarar Limitless como uma série de dramédia, que conta algumas coisas sérias brincando. Outras nem tanto. Na maioria das vezes, a leveza com que Brian vai confiante para resolver seus casos, nos deixa com um ânimo perante à TV, que não dá pra encarar de uma outra maneira. Eu estou feliz com a acertada direção de cada episódio e especialmente com o texto deixado por quem faz o argumento de cada um deles.

E foi um episódio sentimental sem ser piegas.

Tenho muito interesse na composição de personagens e na confecção de textos que dentro de um contexto pop, não parecem um local apropriado para se encontrar. Você espera que em uma série cômica a gente veja um embate sadio de um pai e filho que tentam re-construir uma relação? A fofura do encontro, sem sacarina, sem adoçante, deixa você à vontade para ver até onde os dois irão nesta bobeada que o Brian deu.

Deu sim. Do ponto de vista de ‘negócio’ deu. Até porque ele (o pai) não se conteve, já falou com outro, que em algum momento pode vir e fazer o mesmo. No entanto, o episódio estava tão impregnado de verdade e a verdade posta assim, sem mutretagem, pode deixar as coisas mais claras do que elas são.

E foi exatamente isso que Rebecca disse: por que você não diz o que sente?

A forma angustiante com que ele evitou o pai, trouxe a frase mais bacana do episódio em minha opinião. Adaptação livre:

PdB: Tive que vir e entender porque você está me evitando.

B: Não estou evitando você e sim este momento.

E é assim. Se a gente encarasse as pessoas com a liberdade de que não estamos maltratando nenhuma delas, mas contrariando alguma de suas posições, certos conflitos, por si só, não existiriam. Por isso não me interessa muito o caso das próteses com vontade de própria, porque elas foram a moldura de um episódio recortado pelo carinho de um pai para com o filho, a libertação mental da condiçao de filho para com o pai e um delicado e audacioso gesto de pai defendendo um filho, quando o sr. Finch chama Naz para dizer que a proteção que ele quer oferecer ao Brian está além daquela que ela pode dar suporte.

A fragilidade dos procedurais são um ciclo vicioso, uma vez que todo o caso parece que é impossível não ser resolvido. A razão é o fato de que Brian + NZT é a fórmula mais poderosa para solucionar qualquer equação. Ele pode tudo em toda e qualquer situação. Aprender uma língua, gravar centenas de páginas, recorrer ao poder de observação, virar hacker…

O epílogo deste, ao menos, até que foi diferente. Especialmente porque o grande vilão da história acabou (aparentemente) se safando da acusação de assassinato. Que bom! Não por conta da ética disso, mas para mostrar o que acontece aqui do “lado de fora”. Pessoas más podem estar livres, enquanto inocentes passam anos de sua vida tentando provar que não estão envolvidas em crimes de toda a natureza.

Por isso Limitless em “Arm-aggedon” tem uma esfera mais rica e híbrida. Mostra as inseguranças de Brian e o jeito moleque que jamais se desvencilhou do personagem quando gosta de lembrar aos seus colegas que na verdade, ele está vivendo uma grande aventura, onde sabe que é um dos herois, mas também que gosta de dar nomes aos capítulos que está protagonizando. Brinca com suas referências e joga todas elas pra gente, compartilhando conosco a sua forma descolada de buscar soluções (mesmo sem NZT), como se tudo não passasse de um sonho. Ele conseguiu ser quem era, sem que ele mesmo passasse por qualquer tipo de transformação.

Talvez esteja mudando com as experiências que vem tendo dentro do FBI. Já são histórias que ele pode contar para suas próximas gerações.

Só acredito que Brian está bastante solitário. Não entendo que ele precisa de um Robin e sei que ele se diverte bastante sozinho, mas gostaria, caso a série fosse renovada para uma segunda temporada, que ele tivesse alguém, um parceiro, que pudesse ter o mesmo pique ou que fosse tão engraçado como ele é. Ele resolve casos e mais casos e depois volta para casa para dormir. E no dia que queria tirar uma folga, todos sabem o que aconteceu…

Por isso eu gostei muito de “Arm-aggedon” na manutenção daquilo que todos já aprendemos a admirar e que não me canso de elogiar em todas as reviews desde que a temporada iniciou. Leveza, lições de amor, humor e humanidade; uma vez humanos, todos somos Brian.

Artigo anteriorChicago Fire 4×07: Sharp Elbows
Próximo artigoShameless | Assista ao promo “Unpredictable, Unapologetic, Unbearable” da 6ª temporada