A gente acertou de novo. A gente que eu digo, “nós”. São tantos anos vendo esta bagaça que fica difícil não sabermos os caminhos que ela toma. Desde a época que só o SBT (sim, já teve isso) passava as séries mais legais, sem respeitar as temporadas, mas que dava uma ideia de como havia um universo bacana a ser descoberto na TV americana. Bem e o que foi que a gente adivinhou?
Que “Limitless” é uma série procedural com pano de fundo (bem frágil diga-se de passagem) sobre porque o personagem do Bradley Cooper quer segredo sobre a ingestão da NZT. Fora isso, não há nada de tão intensamente misterioso no seriado. Também temos uma notícia boa…
O canal parece que descobriu um setup bem interessante para apresentar estes episódios. Ao menos para mim ficou bastante claro que mesmo o “casinho de cada semana” não é o mais importante que acontece durante o episódio. A descoberta do tal Taurus – o homem contratado para ataques com bombas que ele mesmo constroi – foi logo no comecinho, sem enrolação, o que tornou o plot meio boering. Tá, então qual é a grande sacada da série?
Antes de mais nada: eu sei que muita gente não vai querer mais assistir ao seriado, mas eu peço uma nova chance. O motivo é simples: “Badge! Gun!” continua privilegiando o bom talento do moço Jake McDorman. Juntamente com o pessoal da edição (que está excelente), McDorman é carismático, genuinamente engraçado e contribui muito para que “Limitless” custe pouco mais de 40 minutos da sua vida, meu leitor. Continuo achando que a menina Jennifer Carpenter não tem química com o moço e não deve demorar para eles se enroscarem, no entanto até aqui isso não foi um grande problema.
Essa necessidade de Finch querer dizer a verdade ao pai muito me agrada. Significa que mesmo sendo beneficiado pelo uso da droga, o moço não quer enganar seus familiares, embora orgulhoso de estar nas trincheiras do FBI. Seu sentido de urgência demonstra realmente paixão de iniciante, com uma ingenuidade e diversão que faz piadas bobinhas como as que fez com Mike e Ike, aliás, quem é responsável pelo roteiro está de parabéns, McDorman está muito bem com suas falas.
Agora, eu não sei vocês, mas eu não engoli essa maneira do rapaz trabalhar. Peraí, o cara tem suas percepções hiper-sensibilizadas e alteradas quando tem contato com cena do crime, com objetos, com informações e etc e os engravatados da Federal Bureau of Investigation querem mantê-lo dentro de uma sala aprendendo persa? Simples, estão desperdiçando a utilização do NZT na cobaia e demorando muito mais para resolverem os crimes. Se o cara, fechado lá, consegue chegar a tantas conclusões, como as que levaram à Taurus e ao cara responsável por espalhar o vírus que matou o Stephen, que dirá com ele na rua, participando de tudo! Pode até incorrer em mais de um caso para ser resolvido.
Sei que o público que acompanhou “The Mentalist” (nem que seja apenas nas primeiras temporadas) percebeu que tirando o lance da droga a premissa é muito próxima à da série protagonizada pelo ator Simon Baker. Ambas tem humor, a diferença entre elas, além das óbvias, é que o personagem de Jake McDorman oferece uma interpretação amparada por cenas bem construídas, sem se levar a sério, com uma leveza que cativa logo no piloto. Então vale uma chance para a produção da NBC. Agora alguns pedidos importantes. Produtores leiam esta review:
– Não carreguem a season. Façam no máximo 15 episódios para esta estreia. Oferecer temporadas de 23 ou 24 episódios faz com que muitos destes sejam bem chatinhos. Pode chegar uma hora que não há o que ser contado, com o esgotamento do plot principal.
– Lembram que eu falei que o lance “do segredo” é muito frágil para segurar a série? Pois é. Que tal criar tensões mais complexas ? É possível manter o interesse pela série, mas é preciso mais do que o procedural. Por exemplo, novas revelações sobre o envolvimento do Eddie Morra.
Gostei desta artimanha de cercar o Finch, impedindo de se abrir com o pai. Torço para que o personagem do ator Rob Rifkin permaneça na série, mas acredito que mesmo com o transplante (conseguido através de um acordo), ele não estará durante toda a temporada. Se isso ocorrer, será uma forma nada sutil de se manter o segredo em relação ao uso do NZT.
Por fim, embora eu tenha gostado muito da série (e do segundo episódio), achei que eles pecaram na forma de resolver o caso. Quer dizer que um maluco começa a falar em uma empresa séria que quem tem algo contra o patrão para mandar um e-mail para [email protected] e do nada começam a pipocar uma série de mensagens? Não curti.
Vai muito bem “Limitless”. Esperando que sobreviva ao Fall Season, tão fraco de boas séries e repleto de ideias boas.
















