E se você passasse oito anos pensando ser vítima de um câncer terminal, acreditando que não teria mais muito tempo de vida pela frente, e, de repente, descobrisse, através de sua médica, que, na verdade, você está curada da doença e agora terá que começar a pensar e a enfrentar seu futuro? Esta é a premissa da nova série da CW, estrelada por Lucy Hale, a Arya de Pretty Little Liars.
Life Sentence é centrada na vida de Stella, cuja existência apoia-se na história descrita acima. A sinopse pode ser considerada bastante clichê, tanto é que, em certo momento do episódio, o próprio roteiro compara Stella com uma protagonista de filmes românticos, nos quais a personagem principal está doente. Entretanto, ao longo do piloto, é possível perceber que o rumo da série não pretende seguir os desfechos dos clichês já tão conhecidos por todos nós.
No início do episódio, somos rapidamente apresentados à vida que Stella leva desde que descobriu sobre a doença. Os irmãos sempre a incentivaram a aproveitar todos os momentos como se fossem o último, e foi o que ela fez. Ia em todas as festas que conseguia, praticou esportes, pulou de paraquedas e viajou para Paris, onde encontrou o amor de sua vida, Wes, e, rapidamente, casou-se com ele. Por aproximadamente seis meses, Stella e seu marido viveram um conto de fadas, com ele criando um ambiente maravilhoso para que ela sentisse como se tivesse a vida e a família perfeitas. E foi isso que aconteceu, até o momento em que a protagonista descobriu que não tinha pouco tempo, mas sim, a vida inteira pela frente.
A partir deste momento, somos realmente apresentados a sua família e a todos os problemas que os rodeiam. Descobrimos que eles fingiam viver de maneira perfeita, para que ela pudesse ter seus últimos momentos em paz. Porém, na verdade, o irmão de Stella, Aiden, vende drogas para mães que buscam seus filhos em uma escola, além de estar envolvido com Marlene, uma mulher casada. Sua mãe, Ida, não ama mais seu pai e tem um caso com a madrinha da protagonista, Poppy. Wes mentiu sobre vários dos seus gostos e de suas preferências, apenas para não desapontar a esposa. E, ainda, sua irmã, Elizabeth, não é feliz, pois acredita que teve filhos muito cedo e, também, devido à doença de Stella, não conseguiu seguir seu sonho de ser escritora.
Ao longo do episódio, nos é mostrada a maneira como Stella enfrenta toda a nova vida, já que a antiga, aparentemente, desmoronou em frente aos seus olhos. E, após tentar encontrar meios de consertar tudo, a protagonista percebeu que deveria aceitar que, como todas as outras, sua família não é perfeita e que o que eles realmente necessitam é de sua ajuda e compreensão.
Os acontecimentos da série foram mostrados muito rapidamente e sem profundidade. Acredito que todas as descobertas de Stella sobre sua família deveriam ter sido distribuídas entre os episódios, para que, assim, pudessem ter sido melhor trabalhadas. A impressão que fiquei foi a de que os desfechos de todos os personagens já estavam praticamente prontos, pois não ficaram tantas pontas soltas ou histórias para serem aproveitadas ao longo da temporada. E me parece que os roteiristas também se viram no mesmo problema, pois terminaram o episódio com Aiden dizendo ao pai que Marlene, a mulher casada com quem ele tem um caso, está grávida. A declaração foi bastante precipitada e sem fundamento, deixando a reflexão de ter sido usada apenas como um meio de aprofundar os personagens e seguir com a história, já que algumas escolhas narrativas feitas impediam que esse objetivo fosse alcançado de alguma outra maneira.
Em resumo, o piloto foi mediano, deixando a sensação de que algo estava faltando. Acho que o maior defeito foi o de terem apressado demais o enredo da história. A partir de agora, espero que a série encontre pontos interessantes a serem abordados e um ritmo adequado, no qual seja possível trabalhar um desenvolvimento e aprofundamento corretos de seus personagens.






















