
Depois de dois episódios fugindo um pouco de sua fórmula, Lie to Me retorna a sua rotina habitual. Mas, espere aí. Que rotina?
Spoilers Abaixo:
Se tem uma coisa que eu sempre admirei na série é o fato de mesmo os episódios que seguem à risca a fórmula da série serem completamente diferentes entre si. Se em uma semana temos uma história policial, na seguinte somos brindados com uma situação familiar. Em The Whole Truth o que temos é um caso jurídico, mostrado de uma forma que eu não me lembro de ter visto alguma vez na série (me corrijam se estiver enganado).
Logo na primeira cena, somos apresentados a Clara (acusada) em uma cena de amor com Victor (vítima), um empresário de sucesso. Em seguida, ele aparece morto e seu amigo sócio Leo é mostrado consolando uma desolada viúva. Da maneira como o casal é introduzido, tudo leva a crer que a moça realmente amava seu marido, principalmente pela irônica frase “Só estou te usando por sexo”. Mesmo assim, ela é acusada de assassinato e temos então a volta de Zoe à série, como advogada de defesa. Pra nossa surpresa, por mais que os primeiros minutos mostrem a acusada como inocente, Lightman aparece do lado da promotoria, tentando provar a culpa de Clara no caso. A partir daí, nos deleitamos com uma enxurrada de aplicações da “ciência da mentira”, pra compensar a falta dela nos últimos episódios.
Não sei se House corrompeu minha mente, mas ao ver a enorme diferença de idade entre o casal, e apesar de a primeira cena dizer o contrário, realmente acreditei que Clara fosse a culpada, não por acreditar que esse tipo de relacionamento só ocorre por interesse, mas por achar que veríamos mais uma lição de como a humanidade é podre. Fico muito feliz por estar enganado. Aliás, o fato de Lightman mudar de ideia com relação à inocência da garota mostra mais uma vez que ele não é um herói a prova de falhas. Ponto pra série, que desde os primeiros episódios busca humanizar seus personagens ao invés de torná-los infalíveis.
O caso desenvolve-se de maneira extremamente calma e elegante. Aos poucos os argumentos da promotoria são dilacerados, e embora tenhamos certeza que Clara não é culpada, ver a reação do júri e os hilários testemunhos de Lightman (que esteve inspirado no episódio) são suficientes para prender a atenção, além do fato de desconhecermos o verdadeiro assassino, evidentemente.
Enquanto isso, nas cenas ambientadas no escritório do Lightman Group, tivemos Foster, Torres e Loker aproveitando o caso para mais uma lição do curso “Como mentir sem ser descoberto” da série. Confesso já ter utilizado em várias ocasiões os macetes ensinados pelos personagens, principalmente por Loker. Métodos esses que são espantosamente eficazes.
Dessa vez até a Torres recebeu seu pequeno destaque, apesar de ter tido uma história completamente deslocada e até certo ponto desnecessária pra trama. Pelo menos os roteiristas mostram que ainda se lembram que a personagem existe. Foster teve bem menos destaque que no último episódio, o que é natural, e Loker voltou a ser o escape para o humor que série sempre teve, apesar de Cal já ser engraçado por si mesmo, principalmente em situações que envolvam alguma autoridade. Quem não faz falta nenhuma na série é o Agente Reynolds. Aliás, só me recordei da existência dele quando passei pelo IMDb para ver o nome da atriz que fez a Clara. Pra mim é um personagem que só atrapalha o ambiente da série.
Apesar de não gostar de comparar as duas séries, em The Whole Truth, Lie To Me mostra que consegue evitar o que acontece há algum tempo com The Mentalist: cair na mesmice.











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