Quatro anos atrás estreava nos EUA uma série, no mínimo, diferente e intrigante: Jericho. Infelizmente, dois anos depois, mal completando uma 2ª temporada “normal” e tendo apenas 29 episódios ao todo, ela terminou cancelada. Por que relembrar uma série dessas então? Principalmente, por causa de sua legião de fãs. E eles provaram algo: “Yes, We Can!

“Puderam o quê mesmo?”, você, leitor, pode estar se perguntando agora. Quem acompanhou o complicado caminho que foi (e de certa forma continua sendo) para salvar a série Chuck do cancelamento, talvez não saiba que outros fãs, alguns anos antes, também conseguiram salvar, com ressalvas, a tão adorável Jericho. Após a CBS ter anunciado seu cancelamento, logo que a 1ª temporada terminou, os fãs fizeram uma grande campanha enviando emails, cartas e amendoins (!) para a central de estúdios do canal. Explicarei o porquê dos amendoins mais adiante. Por ora, vamos à história dessa série e ao motivo de ela ter me conquistado

Jericho nos propunha uma pergunta interessantíssima, logo em seu início: como você reagiria se estivesse em uma cidadezinha no meio do nada, descobrindo que sobreviveu a um holocausto nuclear, não conseguindo obter o mínimo de contato com o mundo exterior e sem saber exatamente o que aconteceu? As respostas para tal pergunta renderam excelentes, bons e alguns monótonos episódios para aqueles que as acompanharam. Infelizmente, com seu cancelamento prematuro (que depois foi desfeito e refeito), nem todas as respostas foram dadas ao público cativo. Mas, como alguns sabem bem, até mesmo séries que foram finalizadas da forma como os roteiristas queriam, também não responderam todos os mistérios que surgiram ao longo de sua trama (by Lost).

A cidade de Jericho, de onde vem o título da série, fica no meio do Kansas (sim, a cidade existe realmente). Ela é exatamente como qualquer outra daquelas pequenas cidades americanas, que estamos tão acostumados a ver em filmes: um prefeito que todos conhecem e com quem conversam como bons amigos, vizinhos afetuosos (e bisbilhoteiros), um único mercadinho, um hospital central, enfim, simples e monótona.

A história da série girava em torno dos sobreviventes do holocausto nuclear que havia atingido, ao menos, 26 grandes cidades americanas (incluindo Washington, Miami, Los Angeles e Kansas City, a capital do Kansas). Inicialmente, foi por causa do ataque à capital do estado que os moradores da pequena cidade souberam o que estava acontecendo no resto do país. Além do mais, é difícil não ver a enorme nuvem de cogumelo, tão característica de uma explosão nuclear, surgindo no horizonte:

Como toda série, Jericho possuía seus personagens principais: Jake Green (Skeet Ulrich), um ex-mercenário arrependido, que está tentando reerguer sua vida retornando a sua cidade natal, Jericho. Lá acaba tendo que lidar com seu pai e prefeito da cidade, Johnston Green (Gerald McRaney), que mesmo amando seu filho, possui sérios problemas com ele, e com o resto de sua família. Também temos (não poderiam faltar), a antiga paixão de Jake, Emily Sullivan (Ashley Scott); seu velho amigo de infância, Stanley Richmond (Brad Beyer); e o mais novo e suspeito morador da cidade, Robert Hawkins (Lennie James), que esconde muitos segredos e está conectado, de certa forma, com os eventos apocalípticos abordados na série.

Foram desenvolvidas subtramas, que iam desde a radioatividade, passando pela escassez de alimentos, a falta de informações e consequente paranóia, até a reconstrução do governo do país. Problemas familiares e questões ligadas à sobrevivência dos moradores eram o foco da série em sua grande parte, mas não se deixou de lado a grande conspiração e quem, de fato, estava por trás dos ataques.

29 episódios que não foram suficientes para desenvolver e finalizar todas as histórias, mas que serviram para conquistar uma quantidade razoável de fãs maníacos pela série (incluindo nesse grupo eu mesmo). Foi bom enquanto durou, sem dúvida.

Agora, explicando a história dos amendoins: na série, em uma das conversas de Jake com seu avô, ele lhe conta que numa das batalhas da 2ª Guerra Mundial das quais participou, um general alemão, após ter cercado o grupamento dele, pediu a rendição dos soldados americanos, a que eles responderam gritando “nuts!”. Essa palavra é uma abreviação de “peanuts”, que traduzindo significa amendoim, mas que também possui um significado pejorativo por lá: testículos. Ou seja, os soldados gritaram, adaptando a resposta: “minhas bolas pra vocês!”. E foi dessa forma que os fãs da série responderam ao anúncio de cancelamento emitido pela CBS. O “movimento” funcionou e a série ganhou uma 2ª temporada que serviu para, pelo menos, dar um desfecho a maior parte da história.

Foi a prova definitiva de que uma série é constituída não só pelos seus roteiristas, produtores e astros, mas principalmente pelo seu público, por seus fãs. Uma lição a não ser esquecida jamais por nós maníacos por séries… E não pelos bons motivos! Depois que a série retornou, a audiência foi pior ainda que a primeira temporada. Ou seja, Jericho, para o bem ou para o mal, fez com que os canais americanos pensassem duas vezes antes de dar mais uma chance para uma série cancelada.

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