Com um episódio emocionante e marcado por memórias do passado, Legacies fecha seu primeiro midseason num saldo extremamente positivo. Death Keeps Knocking On My Door entregou tudo o que desejávamos e mais um pouco: uma narrativa completamente focada em Hope (que, para tal, se tornou necessário excluir as gêmeas – tendo em vista que elas costumam apagar o brilho da tríbrida), respostas para algumas de nossas perguntas sobre a trama central da série, e, de forma inesperada (representando uma grata surpresa), lembranças dramáticas de The Originals e informações inéditas sobre o destino do nosso amado Klaus Mikaelson. Com direito até mesmo a uma breve cena em Nova Orleans, Hope finalmente encontrou seu lugar debaixo dos holofotes, aumentando consideravelmente as expectativas acerca do futuro de Legacies.
Iniciando por uma das cenas mais fortes da série até então e acompanhado por uma trilha sonora angustiante, o midseason não perdeu sequer um minuto: logo de cara conhecemos Cassie, a namorada de Rafael (morta no acidente de carro que desencadeou sua maldição), e fomos apresentados à dinâmica macabra que pairou sobre boa parte do episódio. Com diversas referências às tramas de The Vampire Diaries e The Originals, Death Keeps Knocking On My Door uniu o útil ao agradável, agradando o fandom de ambas as séries com elementos nostálgicos e dando os primeiros passos em sua trama principal, conectando todas as pistas que nos foram apresentadas até o momento. Mesmo com a ausência das gêmeas, de Landon e Penelope, tudo saiu perfeito, apresentando a grande oportunidade de Hope e Rafael brilharem.

A narrativa girou em torno do Dia da Lembrança (ou Memória), uma data importante para os residentes de Mystic Falls, onde os vivos prestam homenagens aos entes queridos que já se foram (semelhante, talvez, ao dia de Finados). Como na última semana Lizzie, Josie e Alaric já alcançaram a cota de lembranças com o retorno de Jo (trazida de volta após o diálogo do diretor com a dríade – foi interessante saber que o roteiro teve o cuidado de se atentar nesse detalhe tão pequeno na trama), esse foi o momento de Rafael e Hope se reconectarem com o sentimento de luto que já passaram em vida. Enquanto Rafael lidava com a presença de Cassie, até então “morta e enterrada” em suas memórias, vimos pela primeira vez no spin-off a verdadeira extensão das consequências que o sacrifício de Klaus trouxe para a vida de Hope.

Se pelo lado de Rafael o retorno de Cassie serviu única e exclusivamente para lembrá-lo do papel que ele desempenhou em sua morte (simbolizando o primeiro passo do personagem rumo à sua própria evolução, bem como um dos indícios de sua aproximação com Alaric – que poderá vir a se tornar uma espécie de “tutor” ou figura paterna para o mesmo), por outro, a trama envolvendo Hope roubou completamente a atenção do episódio, sendo de suma importância para o desenvolvimento da série. Conectado com a caracterização de MG, os últimos eventos do series finale de The Originals e o mistério de Malivore, Death Keeps Knocking On My Door é de longe um dos melhores episódios até agora. O que tinha tudo pra ser escrachado ou exagerado, devido a personalidade do Necromante, tornou-se bem humorado, ácido e necessário para extrair a verdade por trás do muro que Hope ergue desde o piloto.

Com a ajuda de MG, Hope entra na mente do Necromante e viaja no perigoso consciente da nova criatura. No entanto, além de todas as descobertas feitas nessa empreitada (que irei explorar melhor abaixo), nos é revelado a predisposição de MG às obsessões de Stefan (que se alimentava de sangue de coelho para se controlar), sendo capaz até mesmo de se tornar um estripador sadistico como ele. Após uma clara referência a uma dinâmica icônica de Damon (na qual ele sempre sugava o sangue e hipnotizava suas vítimas, tomando o cuidado para não matá-las), MG, apoiado pelo Kaleb, se alimenta de sangue humano e perde o controle de si mesmo. Porém, o que isso verdadeiramente significa para os próximos episódios de Legacies?
Será que de fato os vampiros com maior chance de se tornarem um serial killer são vulneráveis e “aparentemente” indefesos como o Stefan e o MG? Como será que o personagem irá lidar com isso? Ele conseguirá se livrar com facilidade da aflição ou em breve veremos um novo e cruel MG? Até que ponto isso irá repercutir nos alunos da mansão, em sua relação com as gêmeas Saltzman e, sobretudo, nos humanos da cidade e, consequentemente, nas decisões que Matt pode tomar para proteger seus semelhantes? Mais alguém vê no horizonte um conflito entre Alaric e Matt, causado pelos assassinatos que MG pode vir a cometer?

Por fim, ainda na mente do Necromante, nos é revelado o óbvio: Hope ainda não superou o sacrifício de seu pai e, por isso, vive em constante aflição, sem saber ao certo qual foi seu destino – ela já sabe que a mãe encontrou paz ao lado de sua matilha (sabemos por TO, já que ninguém nem cita a Hayley ou mostra suas fotos). Após um longo processo de negação, onde Hope dizia a si mesma que já encontrou sua própria paz e sabe lidar com seu luto, é revelado que tudo não passa de mentira, que ela está cada vez mais próxima de um estado de depressão por não aceitar a morte do pai e se afastar do contato com as relações humanas. Apesar de já prever o que estava acontecendo, é por meio dessa constatação que vemos o real motivo que leva a personagem a estar tão apagada na história. Essa é sua forma de defesa, ela tem medo de se aproximar das pessoas e perdê-las como aconteceu com seus pais.
No entanto, com a revelação de que Klaus está sempre com ela e que nunca a abandona de verdade, essa pode ser a chance de Hope finalmente iniciar um longo caminho para sair do luto e mudar por completo, assumindo uma personalidade diferente perante sua vida. O midseason ainda revelou que, apesar de toda sua prepotência e vontade de viver, em nenhum momento Klaus se arrependeu de sua decisão – de proteger sua filha com a própria vida. Klaus sabia que a sua hora já tinha chegado e que era o momento de Hope criar sua história, deixando seu legado no mundo independente da presença ou da participação dos Mikaelsons nos caminhos que ela percorria. Porém, como acontece com o espiritismo, a tristeza e as atitudes de Hope prejudicam o pai, prendendo-o no mundo carnal e impedindo que ele encontre paz. Mas para isso, ela precisa aceitar o que aconteceu e seguir em frente.

Claro que não é fácil seguir em frente (falo por experiência própria e sei que muitos aqui também conhecem esse processo), mas como diz o nome da série, Hope precisa entender que esse é seu legado, que faz com que ela seja reconhecida como uma Mikaelson, mas ela não pode continuar vivendo em função disso. Para que Klaus possa encontrar paz, Hope deve primeiro entender que o sacrifício do pai foi espontâneo e que ela não teve culpa alguma nisso. Em segundo lugar, para isso ela deve escrever sua própria história, viver novas experiências e se permitir aproveitar o presente da vida que seu pai lhe proporcionou. A partir do momento que isso acontecer, que ela abrir seu coração para o mundo, Klaus saberá que ele não precisa mais ajudá-la e seguirá em frente, sem medo de abandoná-la.
Por outro lado, filosofias a parte, resta-nos discutir por último os eventos principais do spin-off. E começo sendo sincero: ao contrário do que eu imaginava, a estrutura criativa por trás da ideia do Malivore foi sensacional. Com a destruição da adaga – uma das três fechaduras para o local – fica cada vez mais claro o envolvimento do Landon nesse processo. E se o personagem for a segunda ou a terceira chave? Caso ele seja, quem será o responsável pelo seu sequestro ao final do episódio: mais uma nova criatura que logo irá tentar descartá-lo? Quem é o Malivore e por qual motivo ele deseja acabar com todas as criaturas sobrenaturais? Será que a trama está envolvida de alguma forma com as temáticas que já passaram em TO e TVD? Agora que o Necromante pegou a adaga, o que acontece: ele retorna a existir ou morre? Quais mistérios Julie Plec nos guardou para a próxima metade da temporada?
> O DIA QUE CONHECI OS ELENCOS DE FLASH, ARROW E THE 100!
Isso é tudo, pessoal, chegamos ao fim de mais um review! Agradeço a presença de todos por aqui, tem sido incrível escrever sobre Legacies e lembrar de The Originals nos textos. O spin-off retorna apenas no dia 25 de janeiro de 2019 (com um episódio sem título até agora), então esse é meu último contato com vocês esse ano. Desejo-lhes um feliz natal e um próspero ano novo, que o próximo ano seja incrível para todos. E, obviamente, que Julie Plec nos presenteie com a presença do nosso querido Klaus Mikaelson e a bendita última dança de Hayley e Elijah. É justo, não? Enfim, até o ano que vem, meus caros!
Curiosidades e Comentários:
Josie e Penelope
Como cada episódio possui muitos detalhes a serem discutidos, eu não encontrei espaço para comentar sobre o beijo de Josie e Penelope na semana passada. Agradeço por me lembrarem, eu não poderia deixar um momento tão importante como esse passar em branco. O beijo marca não apenas o primeiro entre personagens do mesmo sexo no spin-off, mas principalmente para demonstrar o compromisso de Legacies com a representatividade, algo tão necessário atualmente. Queremos flashbacks da relação das duas e, sobretudo, discussões que possam quebrar o tabu que gira em torno da bissexualidade (vista em Josie). E, obviamente, precisamos vê-la com Hope, nem que seja por pouco tempo. Já pode providenciar isso, Julie Plec!
Bennett
Bem que a série poderia parar de inserir apenas referências à família Bennett e convidar a Bonnie de uma vez para uma participação especial, não acham? Sei que a própria Kat Graham não quis aparecer no spin-off, mas não custa acreditar que um dia ela surgirá na mansão, não é? De todo modo, inserir uma das bruxas Bennett na narrativa, sendo fiel às suas origens, habilidades e mitologia, foi uma ótima sacada nostálgica de roteiro.
Nazistas
Não é tão relevante, mas preciso compartilhar uma referência que amo nas séries da CW (também já aconteceu em Supernatural, por exemplo): sempre há pelo menos um personagem dizendo que ninguém gosta de nazistas. Esse tipo de comentário já é obrigatório!
Grupo no Telegram (SM – The Originals)
Pra quem ainda não sabe, eu criei um grupo no Telegram voltado estritamente para os leitores dos meus textos de The Originals e, agora, de Legacies aqui no Série Maníacos. Tem sido muito interessante esse contato com vocês, então, quem ainda não estiver no grupo e quiser fazer parte para discutirmos sobre o spin-off, basta clicar aqui. Aguardo vocês por lá!















