
Ficou faltando o Touchdown…
Spoilers Abaixo:
De alguma forma, “Nuke it Out” consegue dar uma sensação de que a narrativa de Last Resort de alguma forma está andando e uma noção de que cada um dos seus personagens possui uma importância dentro da história contada. Infelizmente, à medida que evolui nestes aspectos, continua a cair em alguns dos mesmos erros do passado.
A grosso modo, o episódio se aproveita da oportunidade gerada pelo roubo da chave de segurança do USS Colorado para realizar um estudo dos membros da tripulação. Por meio de festas de Super Bowl, noites de mulheres, conversas sinceras ou não, o grande objetivo destes quarenta minutos é mais do que meramente se contar uma história, é gerar (ou aumentar) um senso de pertencer do espectador em relação ao universo em questão.
Diálogos como os apresentados entre Marcus e Grace conseguem dizer um pouco sobre a visão que ambos possuem um do outro, ou até sobre como a garota se enxerga, assim como expõe toda a dúvida de alguém que possui um pai com status e jamais consegue saber se o seu diferencial é a competência ou um simples exame genético. Ao mesmo tempo, o diálogo entre Sam Kendal e Booth explora mais uma vez a lealdade do oficial perante o seu comandante, como comprovado na cena em que responde na ponta da língua ao ser questionado sobre as similaridades entre o perfil de diversos ditadores e o do seu mestre.
O que é mostrado sobre Cortez, como a conversa sobre o seu pai matando um cachorro, consegue desenvolver a personagem e mostrar traços de sua infância nos quais o seu caráter mais duro foi se formado. Por outro lado, os códigos universais de “não confio em traidores” e “estou sempre ao seu lado” são um uso óbvio e nada discreta das entrelinhas “Fui eu quem roubei a chave, por essa você não esperava”.
A dupla composta por Christine Kendal e Kylie Sinclair consegue se encontrar cada vez mais confortável em cena, transformando as que outrora foram um vácuo na qualidade em subtramas necessárias para o funcionamento do todo narrativo. Como ponto forte, está a cena em que Christine flerta com Paul, onde ao mesmo tempo se expõe um pouco da sua fragilidade e pragmatismo. Sendo uma pena que a atriz Jessie Schram não consiga ter tirado um momento que seja mais do que correto, incorrendo em todo momento na muleta interpretativa do olhar estático e passivo diante da situação.
Um dos grandes erros de “Nuke it Out”, por outro lado, é colocar os seus personagens em uma situação de perigo referente à bomba que é resolvida sem muita burocracia em alguns minutos, fazendo com que jamais seja temida pela vida da tripulação. Sem falar na trama dispensável envolvendo o COB, a qual a relevância é menor do que o espaço dedicado a falar sobre ela neste texto.
Onde o episódio mais peca, no entanto, é na composição de seus pares românticos, nunca estabelecidos com o mínimo de química suficiente para vingarem. Como resultado, Sam e Sophie apresentam cenas que deixam os atores Scott Speedman e Camile De Pazzis claramente desconfortáveis ao interagirem. Isso sem falar no sexo casual de Grace e James King, cujo único objetivo claro é dar algo o que fazer a ambos (e se isso significar menos Tani, pode ser até uma boa reviravolta).
Ao que parece, a grande sina de Last Resort é ficar sempre no quase. Quando consegue consertar um problema, acaba encontrando outros para substituí-los e tirar a consistência da série. De qualquer maneira, em nenhum momento a narrativa chega a ser realmente ruim.


















