Esbarrando nos pés.

Spoilers Abaixo:

Last Resort conseguiu em seu piloto introduzir uma premissa interessante e explorá-las em seus mais diversos aspectos, assim como gerar uma exploração humana dos seus principais personagens a ponto de mostrar ao espectador um motivo para que se preocupem ao menos com os dois protagonistas. É de partir o coração, portanto, perceber que todo esse cuidado com o episódio inicial não se reproduziu nesta segunda experiência, a qual se destaca pela falta de coesão do início ao fim.

A trama de “Blue on Blue” tenta seguir a estrutura do “episódio missão”, no qual a equipe é colocada diante de um novo obstáculo à fim de se ter uma primeira ideia de como a série vai funcionar e possa ser feita uma análise básica sobre como será, ao menos inicialmente, a atuação destes em grupo. No caso em questão, a missão é a de investigação sobre as supostas tropas americanas que aparentam ter invadido a ilha de Sainte Marina.

E ao utilizar o verbo “tentar”, já pode ser afirmado categoricamente que esta premissa não conseguiu ser cumprida pelo roteiro de Karl Gajdusek. Guardando um tempo excessivo para os eventos que antecede a dita missão, falha ao optar por uma estrutura que não consegue em nenhum momento dar prosseguimento ao estudo dos personagens ou ser um episódio que se paute pela ação desenfreada. Dado que se propõe a equilibrar ambos, esta opção já se mostra problemática. Para piorar, os artifícios de reviravoltas vomitam a obviedade, desde o “Nossa, mas não eram as tropas americanas!” ao “O parente de um personagem querido morreu! Mas será verdade ou blefe?”.

Como se não fosse suficiente, a premissa já condensada é perdida por um uso de ao menos um quarto da narrativa para a exploração do eixo americano, o qual falha ao não conseguir gerar um paralelo orgânico com o que está sendo mostrado no arco principal. Claro, a esposa de um personagem importante está sendo lançada contra ele, mas no que isso altera a história principal no curto prazo? O grande problema em explorar uma trama com inúmeros eixos é justamente o de gerar um sentimento, até que se chegue a algum lugar, de estorvo caso não seja bem trabalha. Esta falha pode ser percebida a cada plano do caso em questão.

Evidentemente, tudo isto poderia ser contornado com uma direção que soubesse manipular as sequências de ação, não sendo este o caso de Kevin Hooks, mostrando certa incompreensão sobre como lidar com o material ao optar por utilizar planos longos e enquadramentos estáticos nos personagens. Como resultado, têm-se um híbrido que não consegue funcionar como uma ação descompromissada, tampouco como um momento contemplativo, por unir em um mesmo estilo visual o pior de ambos.

Mesmo com toda essa bagunça, Last Resort acerta por conseguir continuar desenvolvendo o seu universo e não destruir o carisma já dado aos seus dois protagonistas. Desta vez, especificamente, não conseguiu mostrar a que veio, mas nada impede que ela consiga na semana que vem.

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