
A conspiração halloweenesca que trouxe o melhor de It’s Always Sunny In Philadelphia.
Spoilers Abaixo:
Halloween é a festividade perfeita para uma série como IASIP. Enquanto grande parte das outras celebrações vem com certa moral ou mensagem que os roteiros normalmente seguem, o Halloween se resume a algo tão simples que livra todo o roteiro do episódio da responsabilidade de olhar os personagens da série com um tom mais cuidadoso, algo que nunca foi a proposta dessa série, fazendo com que tudo apresentado acabe funcionando por ser nada mais que Dennis manipulando todos para se livrar da pensão alimentícia. Para auxiliar, é bom jogar mais alguns zumbis, polícia, personagens antigos ainda mais bizarros e ex-mulheres remodeladas dentro desse caldeirão maluco.
Se você é uma pessoa que acredita que uma temporada apenas começa depois do primeiro episódio sensacional, a oitava temporada de It’s Always Sunny In Philadelphia começou!
Grande parte do sucesso de “The Maureen Ponderosa Wedding Massacre” é saber dosar sua premissa nos momentos certos e entender que em outros tudo que o episódio precisava era uma porrada de zumbis caolhos. Um exemplo do primeiro caso é como a vertente de Charlie e Mac se desenvolve, onde a série evita os perigos de aparecer com uma temática robótica, onde a própria premissa da história que lidera as ações dos personagens, o que se vê é a dupla seguindo os seus instintos diante da situação, criando suas teorias malucas para tudo aquilo e tirando sarro com premiações, mas evitando diálogos que atraiam a atenção para eles próprios. Todos os personagens deveriam cair na conspiração de Dennis para que o episódio funcionasse e Charlie e Mac funcionaram perfeitamente dentro dessa função. Os dois sempre trazem mais risadas quando estão em situações mais simples, afastando-se do centro do furacão durante todo o tempo para aparecer no último ato servindo como o nocaute final do episódio. Mesmo não seguindo essa lógica, o roteiro aqui acaba unindo o necessário ao agradável para trazer o melhor dos dois lados.
Todo o episódio se constrói justamente nessa dosagem de maluquice que vai crescendo ao longo de “The Maureen Ponderosa Wedding Massacre”, puxando o espectador para fora para respirar e o jogando dentro de volta, o afogando em risadas. Um grande fator para que o objetivo seja alcançado é a direção de Richie Keen, que utiliza uma quantidade absurda de planos fechados para enfatizar o efeito claustrofóbico do roteiro em vários momentos do episódio, principalmente, nos momentos de “ataques”. Considerando que o orçamento de It’s Always Sunny In Philadelphia é baixo, a utilização do recurso sempre é esperada, mas, no caso desse episódio, que uniu o útil ao agradável em toda chance que possuía, a parte técnica é um primor, sendo esse um dos melhores da série no quesito. Observe como todas as cenas fluem de forma natural, mesmo que a história se baseie em flashbacks, algo que, por lógica, complicaria a questão do ritmo, o que faz com que momentos como a explicação de Dee e a batida do carro se tornem ainda mais engraçadas. Ok, a piada do Charlie não dirigir sozinha já é divertida, mas todo o clima criado diante do momento o torna ainda mais espetacular.
Por falar da narrativa não linear, é interessante como todo o mistério envolvendo a situação é mantido. É óbvio que Dennis iria pegar sua ex-mulher no segundo em que ela exibe suas “melhoras”, mas a série coloca uma quantidade tão grande de detalhes auxiliares ao mesmo tempo em que resulta em uma grande rede de informações que escondem perfeitamente a real razão do “massacre”.
A cola que une o episódio e o impede de tomar decisões malucas é composta por Dee e Frank, principalmente o segundo, que, além de soltar um momento bem divertido através de seu excelente trabalho como padrinho, cumpre com eficiência um papel que, em situações comuns, não é tão promissora para o personagem. A parte de Frank no episódio vai se alterando à medida que descobrimos o que ocorreu no casamento, indo de suspeito número um no início para um qualquer no fim, o que mostra como sua função vai diminuindo com o passar do tempo. Entretanto, seu papel de conciliar a história da família McPoyle dentro do contexto funciona perfeitamente por mostrá-lo no seu papel de velho ranzinza que simplesmente não vai com a cara de ninguém, o que faz com que a expressão de Danny DeVito seja especialmente divertida quando Frank e Dennis encontram os irmãos _________.
É interessante observar como It’s Always Sunny In Philadelphia parece está reinventando-se nos últimos anos, com várias formas diferentes de narrativas, que já geraram desastres, mas também foram responsáveis por momentos sensacionais, sendo “The Maureen Ponderosa Wedding Massacre” parte do segundo grupo.
Ok, o episódio poderia seguir perfeitamente sem a piada do morcego…















