Anticlimático. Mas não menos poderoso. Foi assim que “Humans” se despediu de sua terceira e melhor temporada. Com o crescimento exponencial de qualidade atingido pela série, realmente o finale não teria como manter as expectativas criadas e encerrou a série com um gosto agridoce, mas que também entregou momentos críticos e deixou um plot que, se bem trabalhado, promete mexer ainda mais com a sociedade paralela retratada pelo show.
Não há conquistas sem sacrifícios. A constante até aqui nos finais de temporada da série é que mesmo que preços tenham sido definidos em relações as atitudes tomadas, eles nunca foram cobrados propriamente. Os personagens sofriam, mas nada ao ponto de deixá-los no limite da insegurança, com seu destino realmente em risco. Como a série resolveu mudar todos os paradigmas criados nessa season, estas consequências finalmente chegaram e com elas despedidas sentidas.

A jornada de Mia (que começou como Anita) sempre foi repleta desses momentos decisivos. Sempre envolta nas principais decisões narrativas do show, mais cedo ou mais tarde sua existência entraria num caminho perigoso, mas não ao ponto de acontecer o que aconteceu aqui. Fiel em suas convicções até o último momento, a personagem deixou a galeria da série de modo tocante e cruel. De certo modo é como se ela já soubesse o tempo todo, desde o começo do levante humano, que seria necessário um sacrifício para que finalmente a perspectiva de paz e interação entre humanos e synths fosse realizada. O plano Basswood (que lembrou bastante a “solução final” dos nazistas) foi o estopim final dessa certeza e com a mídia ao lado, ela jogou a última e única carta de que tinha posse, sua própria vida. Em termos narrativos foi um dos momentos mais poderosos da série, hipnotizante e triste. Mas em comparações com nossa realidade seria algo que sumiria na própria mídia em questão de semanas, uma tragédia potente que seria substituída pela que estivesse em voga e em audiência. Mais uma vez a série usa exemplos da realidade no contexto da ficção. Esse plot foi o que manteve o nível de tensão e qualidade que a série vinha construindo até aqui. Não que o resto tenha sido ruim, mas foi trabalhado de maneira estranha e com isso perdeu peso dramático nessa reta final. Mesmo que tenha trazido consequências como a prisão de Neil e Laura e a morte de Mia, as resoluções rápidas do plano Basswood acabou deixando uma sensação de falta de aproveitamento do plot criado.

O que ficou mais evidente ainda em toda a linha narrativa de Niska. A personagem que sempre foi uma das mais fortes e ativamente envolvida como Mia nas narrativas principais das temporadas, foi destacada para um plot próprio que começou de modo confuso e terminou de modo igual. Dentre os temas tratados nessa season (preconceito, reparação, fé) ela foi a que mais englobou essa faceta e essa descaracterização da personagem acabou cobrando um preço de seu carisma dentro da narrativa. Foi um tanto difícil de engolir essa abnegação de Niska em largar tudo e tentar desvendar o mistério do sinal e das imagens que o “synth que dorme” apresentava. Principalmente depois do romance mais que acertado com Astrid, que foi abandonada sem nenhuma cerimônia. A descoberta de que Odi era na verdade V utilizando a casca do synth foi um twist acertado, que interliga a mitologia criada na série, mas que no escopo geral acabou perdendo mais uma vez o impacto. Todo aquele tom messiânico da interação entre as duas, repleto de momentos religiosos e imagens figurativas de maternidade e deidade, não deixa de ser visualmente interessante, mas um tanto quanto maçante, principalmente pela solução que trouxe ao final.
O senso de interligação dos diversos plots das três temporadas foi perfeito, mas não comprei essa criação na nova raça composta dos dois seres (humanos e synths). Todo aquele papo de mistura de sangue é biologicamente viável na interação de Leo e Mattie por razões obvias, mas como funcionaria com outras? A filha dos dois é agora a salvação de todo o conflito que foi criado e aparentemente resolvido nessas três incursões que a série propôs até então, mas seria realmente a solução ou o rumo que a série deveria ter tomado?
Só saberemos no (incerto) retorno da série. Quando esse plot será desenvolvido e o destino dos personagens será mais uma vez revisto e definido. Foi mais uma vez um prazer em fazer a cobertura aqui no Série Maníacos e até a próxima temporada!
Protocol_Error _1: Cadê a repórter vazando que Mattie foi a responsável pelo despertar? Parece que tudo isso dos dois últimos episódios aconteceu em menos de 24 horas;
Protocol_Error _2: Gostei da “família” formada por Stanley e Sam. Espero que retornem na próxima temporada;
Protocol_Error _3: Niska agora como líder e salvadora dos synths, com a capacidade conexão e controle de outras unidades, me lembrou bastante Maeve de “Westworld”;
> UNSOLVED, O BOSQUE e GODLESS – Dicas de Séries Imperdíveis!
Protocol_Error _4: Falando nisso, como foi fácil V passar essa característica pra Niska. Um cabinho USB e pronto, agora você é uma “deusa” salvadora dos androides.






















