Quando esta temporada vai finalmente decolar?

Spoilers Abaixo:

How I Met Your Mother sempre foi uma série que permite ao espectador a descoberta de alguns acontecimentos futuros, como parte de sua estrutura baseada em flashbacks. Mas, ao contrário do que poderia se esperar, essa característica raramente provoca a existência de momentos aborrecidos ou repetitivos. De fato, evitar esse tipo de situação é uma das maiores qualidades de HIMYM. Por esse motivo, é sintomático que a primeira tentativa da série de utilizar esse recurso na atual temporada represente um certo fracasso, mostrando o quanto o oitavo ano de HIMYM tem deixado a desejar. E embora The Autumn of Breakups consiga ser muito mais relevante que seu antecessor, ainda peca em aspectos que a série não costuma errar.

O episódio se concentra em duas histórias principais. A primeira envolve Ted e os sinais de Victoria de que procura um relacionamento mais sério. Por isso, ele conta com a ajuda de Lily e de um treinado Marshall para desvendar a melhor maneira de lidar com o assunto. Para agradar a namorada, ele decide então tomar uma decisão extrema, mas recebe a resposta de que precisa romper sua amizade com Robin. Enquanto isso, Barney passa por um momento difícil após o término com Quinn, encontrando um novo amigo, um cachorro encontrado na rua. Preocupada com isso, Robin o convida para jantar com ela e Nick, provocando uma certa crise de ciúmes no namorado.

Um dos principais focos de The Autumn of Breakups, a trama envolvendo Barney fracassa principalmente por mostrar o personagem excessivamente caricato, o que se evidencia pelo fato de nem o sempre preciso timing de Neil Patrick Harris ser capaz de trazer alguma cena eficaz em criar humor. Aliás, a introdução do episódio, que procura fazer referência a O Artista, não apenas transforma Barney em algo que o personagem jamais fora, como explora de forma equivocada a transição dele entre um relacionamento e o próximo. Assim, essa fase dele após romper o noivado com Quinn começa a se tornar cada vez mais repetitiva e maçante, principalmente com a série investindo em tramas como essa.

Da mesma forma, o arco de Ted e Victoria parece cada vez mais desnecessário. Primeiro, por não acrescentar absolutamente nada ao protagonista. Além disso, os últimos episódios tem se concentrado em destruir a imagem da namorada construída ao longo da primeira temporada. Assim, o roteiro não parece preocupado em manter qualquer coerência, desde que cause conflito no relacionamento entre os dois e o encerre logo, o que levanta a questão sobre o real motivo de sua existência, soando cada vez mais como um grande desperdício de tempo. Até mesmo para evidenciar a dependência de Ted em Robin esse arco não mostra seu propósito, já que a sétima temporada tem como um de seus principais enfoques exatamente essa dependência.

Para piorar, a presença de Lily e Marshall na trama só atrapalha a fluidez da história de Ted, além de sacrificar a sutileza de situações delicadas, como os motivos da decisão dele por manter sua relação com Robin. Da mesma forma, a decisão do roteiro em transformar Marshall em uma versão masculina (nem tanto) de Lily o transforma em mais uma caricatura, escondendo a inocência inerente ao personagem, e que pode render importantes diálogos com Ted, como sempre aconteceu. Aliás, os dois personagens parecem ter perdido boa parte de suas funções após o nascimento de Marvin, tornando-se apenas um casal arrogante. E se Lily funciona ao ser o elemento que procura ajudar a todos em um grupo de amigos, quando a série investe em duas pessoas com essa característica, as cenas apenas se tornam maçantes.

O que dizer então da insistência em manter Nick como um personagem importante? Mais uma vez, o roteiro se permite fazer o que bem entende com ele, já que a série em momento algum se preocupou em desenhar um background em que ele possa se apoiar, talvez pelo evidente fato de que ele deixará a série em breve. Por esse motivo, nenhuma piada que envolva coisas como a profissão de Nick será eficaz, como as desesperadas tentativas de torná-lo engraçado através de sua ocupação.

Ainda assim, há certos momentos em The Autumn of Breakups que o tornam diferente dos episódios anteriores. Embora o término entre Ted e Victoria seja óbvio e entediante, a forma como a montagem trabalha a decisão do primeiro, através do primeiro diálogo entre ele e Robin, para em seguida mostrá-lo decidido, em frente a Victoria, é sutil e eficiente (embora prejudicada por uma irritante explicação para Lily e Marshall), mostrando que a determinação de Ted em conseguir perseguir um amor existe, mas esbarra na presença de Robin.

O mesmo acontece quando se trata de Barney, que procura o ombro de Robin a todo momento para encontrar conforto. E se certas cenas não condizem com o personagem, como sua absurda tentativa de suicídio, isso diminui quando inicia uma crise entre Robin e Nick, mostrando que ela é a grande fiel da balança do sofrimento amoroso tanto de Ted quanto de Barney. Aliás, é aí que reside o principal elemento da temporada, que precisa mostrar o que levará ao casamento entre Barney e Robin, e para isso deve passar por esse triângulo de alguma forma, o que permite afirmar que esse é marco zero dessa trama.

Mesmo que o episódio fracasse em quase todas as suas tentativas de criar humor, que quase sempre se mostram preguiçosas e pouco condizentes com o estilo da série, algumas cenas funcionam muito bem, como o momento em que Robin faz uma piada com Nick, afirmando que Ted quer apenas sexo, ao mandar um SMS para ela, ainda que a mesma se perca ao se repetir mais duas vezes (funcionaria muito melhor com somente a primeira intervenção). Em momentos como esse, HIMYM mostra porque tem tanta qualidade, o que torna ainda mais estranho que esteja investindo em situações batidas e sem personalidade.

O que torna The Autumn of Breakups um episódio ligeiramente melhor que o anterior, mas também evidencia boa parte dos problemas da oitava temporada de HIMYM. É certo que a série precisa voltar à sua velha forma urgentemente, mas dessa vez acredito que isso possa acontecer logo.

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