
A arte de planejar cuidadosamente cada passo.
Spoilers Abaixo:
O que torna How I Met Your Mother uma comédia diferenciada das demais é a maneira como sua história necessita de um planejamento preciso, por ser contada em flashback, com final já conhecido. Isso explica, em parte, o vazio criativo pelo qual a série passou em suas quinta e sexta temporada, por terem a necessidade de preencher uma lacuna causada pelo grande número de temporadas. Dessa forma, ao começar o sétimo ano, a dupla de roteiristas Bays e Thomas já poderiam retomar as coisas da maneira que planejaram, tendo a oportunidade de construir seu principal arco de forma semelhante à história da própria série. Por esse motivo, a temporada é tão superior às anteriores, e, ainda que The Broath escorregue em alguns aspectos, HIMYM estabelece de forma cada vez mais concreta a direção de seu fim de temporada.
O episódio é uma continuação direta dos acontecimentos de Karma, mostrando Barney desejando que Quinn conheça seus amigos, pedindo a Ted que não revele a profissão da namorada, o que é quase imediatamente descumprido. Assim, após um inusitado jantar, Ted, Robin, Lily e Marshall decidem que é necessário separar o casal, elaborando uma das já conhecidas interventions, o que causa revolta em Barney e Quinn. Enquanto isso, Ted e Robin batalham pelo apartamento da stripper, uma vez que os dois não tem ainda onde morar.
Embora não chegue a fazer muito por seus personagens, The Broath é um episódio eficiente em criar uma narrativa concisa e direta, criando um ode à vários aspectos consagrados pela série. Vários elementos introduzidos em temporadas passadas são relembrados aqui, como as já citadas intervenções, o famigerado Bro Code, e as histórias de fatos reais contadas por Barney, tendo ele próprio como protagonista. Ainda que estes pequenos gags não tenham qualquer justificativa para serem inseridos, não deixam de ser prazerosos para o espectador, uma vez que estes momentos jamais chegam a soar artificiais, além de serem extremamente eficazes em criar humor.
O que não acontece com a atual dinâmica entre Lily e Marshall. Estáveis como casal, não resta outra alternativa aos roteiristas senão investir em pequenas desavenças entre os dois. E embora isso funcione nos primeiros minutos, o plot se estende demasiadamente, o que inevitavelmente gera uma incômoda repetição de piadas. Curiosamente, Marshall funciona muito melhor quando o roteiro o deixa sozinho, como na vergonhosamente hilária piada com o nome Quinn e intervention. Aliás, essa característica é constante durante a temporada, e revelam que Bays e Thomas de fato não encontraram ainda um rumo para o casal após a gravidez de Lily. Além disso, a conclusão do arco da mudança para Long Island não contribui para que essa situação melhore.
No entanto, a temporada segue proveitosíssima para Barney, que mais uma vez se destaca dos demais, seja nos momentos de humor ou nos mais sérios para o personagem. Obviamente que, em um episódio praticamente dedicado à sua história, isso se torna uma missão consideravelmente facilitada, mas a forma como Neil Patrick Harris emprega seu sempre preciso timing cômico para conferir ao seu personagem um certo tom de deboche às suas linhas de diálogo mais sérias torna interessante a atual dinâmica do personagem. Repare, por exemplo, como Barney revela a Quinn uma péssima característica de seu grupo de amigos sem em momento algum parecer ter algum rancor disso, mesmo que seu relato seja puramente verdadeiro.
Aliás, é interessante como o roteiro tem trabalhado em uma incessante desconstrução do grupo de amigos, surgindo não apenas como uma forma de humanizá-los, mas procurando criar um certo ambiente familiar, natural pelo longo convívio ao longo dos anos. Seja no começo da temporada, com a presença de Kevin, ou agora, com a desaprovação típica de uma família grudenta do novo romance de Barney. Os showrunners tem sido competentes no desenvolvimento dessa história, tratando-a com honestidade e sutileza, sem precisar explicar a todo momento suas intenções.
Mas o grande argumento do episódio é a concretização do romance entre Barney e Quinn. Introduzida de forma consideravelmente repentina, a stripper recebe um especial carinho por parte dos roteiristas, procurando criar nela uma identidade com Barney que, consequentemente, a tornaria relevante no universo da série. E The Broath é preciso nesse aspecto, criando uma manipulação organizada pelos dois, que dura todo o episódio, mostrando uma aura maligna emanada pelo casal. Dessa forma, ao contrário do que acontecia com Nora, Quinn acrescenta à série uma dinâmica infinitamente mais relevante, que aproveita Barney com muito maior eficácia. Assim, é inevitável que o espectador complete a frase dos dois com um “Perfect together.” antes mesmo dos outros, o que torna Quinn a favorita a se vestir de noiva ao final da temporada. No entanto, HIMYM tem por característica jamais concretizar o óbvio, o que naturalmente retira a previsibilidade que seria comum a esse tipo de situação.
Ainda que Barney roube a cena, Ted não faz por menos e consegue trazer para ele ótimos momentos. A começar por sua repetida expressão ao ouvir seu nome do meio, que, ao contrário da piada e Lily e Marshall, é usada na dose certa. Além disso, o roteiro acerta ao mostrar que Ted e Robin não tiveram sua história encerrada, pelo menos não para eles. É interessante saber que isso ainda será abordado posteriormente, evitando um encerramento repentino e conveniente. Mas seu melhor momento é de fato a cena final, principalmente pela série fazer novamente um belíssimo exercício de metalinguagem, se autoreferenciando de forma mais uma vez irônica, como se desafiasse o espectador a reclamar da demora no encerramento de seu arco principal. É interessante como HIMYM tem a capacidade de criar cenas simples, mas executadas de forma precisa. Quando a série tenta se complicar em demasia, coisas como The Burning Beekeeper surgem. Quando brinca com seu próprio formato, como no excelente Tick Tick Tick…, cria algo único.
E assim, a série caminha para o desfecho de sua temporada, evoluindo suas tramas em um ritmo corretíssimo, preparando terreno para algo que será essencial para o encerramento da própria série, criando uma temporada regular, homogênea e com um nível de qualidade invejável.













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