O episódio menos cômico e mais envolvente.

Spoilers Abaixo:

Não é fácil falar sobre House of Lies. Imagino que meus colegas que escrevem sobre séries onde os episódios são pequenos (20, 25 minutos) tenham o mesmo problema. Essas séries – que também costumam ser cômicas – são complicadas outra vez na natureza condensada de sua estrutura. São tiradas rápidas que tornam a análise mais difícil. A percepção do que se trata o conjunto desses momentos, é mais trabalhosa. House of Lies ainda avança contra mim com suas tecnicalidades, que por vezes se perdem num emaranhado de traduções tão confusas quanto.

Tudo isso só pra dizer que ao contrário do que faço habitualmente – que é tentar entender o conceito que amarra todos os personagens – essa semana isso ficou borrado por uma necessidade do roteiro de aprofundar a imagem que temos de determinados personagens dessa história.

O episódio começa com a lembrança do absurdo parto de Roscoe. São exageros assim que a série deve se preocupar em evitar. Além de um recurso visual tolo e que foi esquecido no restante do episódio, a construção da personagem Monica por vezes beira a inverossimilhança e ameaça com isso, a relação dela com Martin, que até aqui, também não era lá muito crível.

As coisas mudaram por causa de April, que se esqueceu de sua vibe emancipada e fez a Maysa. Brigou, berrou, arrumou malas e esperneou na porta. Um ataque com o sentido da emoção, algo que não estamos acostumados a ver em House of Lies. E acho que por saberem disso, os roteiristas evitaram até mesmo o investimento pesado que fazem em Clyde e Doug, e focaram na intensidade, pela primeira vez, assumidamente.

Essa é, no entanto, uma coisa perigosa a se dizer sobre a série. Descrita, a iniciativa pode parecer tola, mas como se trata de uma obra de cunho absolutamente ácido, nada veio apoiado na demagogia.

Parte de mim não se incomoda com uma explicação para o comportamento de Jeannie, mas outra parte acha terrível que ela seja meio bitch por causa dos bons e velhos Daddy Issues. Me aborrece que todo comportamento inadequado tenha que ser explicado pelo viés da psicologia (embora sabemos que isso é o coerente) e preferia sinceramente que as motivações dela fossem estritamente egoístas e baseadas na ambição. Não queria que a ambição ou o egoísmo fossem um reflexo do que ela passou, mas do que ela é.

Do outro lado, Martin tem os mesmos problemas, só que com a mãe, e mais uma vez a dramaturgia vai nos forçando para uma correlação entre eles.

A analogia se estabelece também pelo caso da semana, em que uma igreja queria convencer o conselho a investir na captação de mais fiéis. Espelho religioso hipócrita, indo na direção das atitudes de Jeannie e Martin, que não consegue brigar com Monica nem dez minutos, e cede ao que ela exige como se aquilo fosse natural à relação que eles estabeleceram com o mundo. A explosão de April soa até idiota diante disso. Dez minutos com Martin já são suficientes para deixar claro que ele não luta contra o que se transformou.

O episódio então ganha pontos ao nos envolver mais com aqueles personagens, mas perde no seu compromisso de deboche. Em uma série que é tão cínica, justificativas psicológicas para devaneios emocionais não caem muito bem.

@Haddefinir

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