É preciso constatar um fato: House tem o dom de nos enrolar. E não, isso não é um defeito: quando tudo indica que a história caminha para um beco sem saída, a série faz uso de alguns artifícios para se desviar de seus pontos negativos – mesmo que só temporariamente – e acaba nos fazendo deixar passar alguns defeitos. Não se enganem: eles ainda estão todos lá. Só que, por enquanto, a gente acaba esquecendo.
Spoilers Abaixo:
Semana passada, seguindo o tom do review, boa parte dos que comentaram acharam que a série perderia muito com a saída de Cameron e a volta de Thirteen e Taub. Além disso, a “volta às origens” de House preocupou muito, pois evidenciava que todo aquele tratamento de rehabilitação foi uma grande perda de tempo. Pois bem, tudo isso continuou essa semana conforme o previsto: House estava mesmo à moda antiga, e Taub e Thirteen voltando aos diagnósticos. Mas aí entra a parte curiosa. Não sei se foi por minha expectativa estar baixa demais ou se foi competência dos produtores em entupir o episódio de acontecimentos, mas Ignorance is Bliss acabou saindo bem melhor do que o esperado. Obviamente não foi nenhuma perfeição, mas também não foi aquela ruindade completa.
Peguemos Chase, por exemplo. Seria bastante óbvio que o personagem se mostrasse avoado – ou mesmo apático – após toda a confusa separação do último episódio. O episódio mostrou isso, sim. Mas só no começo. A triste impressão que ficou ao final foi que o assunto Cameron nunca mais será nem tocado na série: Chase ouviu todo mundo, dispensou qualquer ajuda, e quando tudo parecia que ia deslanchar com o soco que deu em House (que eu comemorei como se fosse um gol, por sinal) eles resolvem que não passou de uma armaçãozinha de Chase, e fica tudo por isso mesmo. Happy end demais pra mim.
A impressão que fica é que a série está com medo de se serializar demais – fica o exemplo Lost: em uma série mais serializada os fãs se aproximam, mas a audiência – e os novos espectadores – fogem. Com isso, os produtores estão desenvolvendo todas as histórias em arcos curtos, sem mostrar uma grande continuidade de história. Por um lado isso é bom, pois dá mais dinamismo ao roteiro, que não precisa se prender à nenhuma situação definida. Porém, por outro lado, isso é péssimo, já que muitas histórias – como toda essa questão Dibala/Chase – poderiam ser mais bem aproveitadas se desenvolvidas com uma duração maior.
![house.s06e08.hdtv.xvid-2hd[(056619)14-57-05]](https://seriemaniacos.tv/wp-content/uploads/2009/11/house.s06e08.hdtv_.xvid-2hd05661914-57-05-300x169.jpg)
Voltando aos acontecimentos do episódio, tivemos enfim a volta de Thirteen e Taub. Pois bem: por enquanto não desagradaram. A história de Taub, mesmo que um pouco inútil, foi bem divertida, e a Thirteen não comprometeu no andamento do episódio. É aqui que está o fator “enrolação” que comentei lá em cima: os pupilos já voltaram, mas como a história acabou quase que os escondendo, nenhum fã vai poder reclamar muito. E assim vai, empurrando com a barriga. É o que acredito que farão com os dois, assim como fizeram com a recuperação de House, mantida no limbo por seis episódios até resolverem, hãn, arriscar. Que eles tenham mais sorte na próxima vez.
Um ponto muito positivo do episódio foi o paciente. Ok, o ex-gênio nem se compara com alguns clássicos da série que já passaram pelo Princeton-Plainsboro, mas só pelo fato de estarem de volta os velhos questionamentos sobre o paradoxo inteligência/felicidade o paciente ficou interessante para mim. Passou uma certa nostalgia da época onde a série estava apenas começando e pacientes assim ajudavam o espectador a entender o que se passava na cabeça dos personagens da série. Um caso como esse – com toda a questão pessoal e até mesmo a belíssima conclusão do problema – mereceria um episódio quase que exclusivo, e isso infelizmente deixou a impressão de que poderia ser melhor aproveitado. Mas, mesmo assim, já é uma evolução.
Foi uma pena que tivemos pouca interação entre House e o paciente, assim como também foi triste perceber que a recuperação de House foi realmente abandonada. Dessa vez não tivemos nada tão doentio quanto aquela manipulação do episódio de semana passada, mas mesmo assim não sobraram muitos traços daquele personagem de Broken. Tirando uma ou outra reação mais amena de House, parece que estamos tendo um período de recaída do médico. Torço para que em breve algum paciente mais especial acabe por abrir os olhos do médico, ou mesmo uma visita supresa do Dr. Nolan em um momento de fraqueza. Pra mim já bastaria.
![house.s06e08.hdtv.xvid-2hd[(026465)14-54-38]](https://seriemaniacos.tv/wp-content/uploads/2009/11/house.s06e08.hdtv_.xvid-2hd02646514-54-38-300x169.jpg)
Paralelamente a isso tudo, o triângulo Lucas/Cuddy/House mantém seu nível aceitável. Digo “aceitável” por ser favorável à ideia de House perder algumas batalhas em sua vida. Assistir ao Greg falhar em separar o casal – assim como vê-lo dando de cara com a sala vazia da irmã de Cuddy – foi ótimo, por mais que a produção tenha tentado passar todo aquele clima triste. Mesmo assim, sou do grupo que acha que House é de fato uma série médica, e deve permanecer como tal: que os dramas sejam coadjuvantes. Quando uma ou outra situação dramática entre os médicos acontece no hospital, é uma coisa. Gastar metade do episódio em uma novela é outra. Li por aí que em meados de fevereiro teremos um episódio totalmente centrado em Cuddy, acompanhando seu dia-a-dia. Não sei o que pensar disso ainda, mas se até lá essa novelinha persistir, duvido que esse episódio vá ser algo produtivo.
Ao fim, fica a impressão de que ainda existe muita coisa boa em House. Mas que as ruins estão se sobressaindo. Por favor, alguém ligue para o Disque-Wilson e peça para ele fazer uma visita. Quem sabe ajuda.













