Normalmente, a opinião do fã sobre o episódio – se ele foi bom, ruim, péssimo… – que fica realmente firme no coração é a última. Afinal, mesmo que praticamente tudo tenha dado errado no decorrer do capítulo e você já esteja morrendo de raiva, a cena final muitas vezes muda drasticamente a nossa percepção dos acontecimentos, nos dando um restinho de esperança. (Vide o final da temporada passada)
E é aí que entra o problema: o que fazer quando a sua última opinião sobre o episódio é extremamente favorável, mas mesmo assim você fica com aquele medo enorme de que tudo está para desmoronar em breve?
Spoilers Abaixo:
Desde o início desta temporada, o foco, logicamente, manteve-se na recuperação de House: seis episódios se passaram enquanto o médico conseguia manter-se em uma tênue linha entre seu novo ‘eu’ e a irreverência habitual. Durante estes seis episódios, tal equilíbrio foi saudável. E aí veio Teamwork, jogando todo esse trabalho por terra.
Foi uma “incrível” coincidência o fato de que, no primeiro momento em que House sucumbe à sua personalidade manipuladora, o casamento de Chase e Cameron desmorona. É óbvio que não dá para colocar esse fracasso inteiro nas mãos do médico, mas seria ingenuidade nossa achar que todo o jogo que House fez nesse episódio não foi relevante para a separação do casal. Provavelmente eles viveriam infelizes por um tempo antes do divórcio, mas House fez questão de antecipar todo o sofrimento. O porquê disso? Daqui a pouco a gente fala.
Antes disso, já que entramos na parte de ‘apressar as coisas’, é notório que os últimos episódios de House estão seguindo um padrão um tanto quanto irritante: a primeira metade do episódio é praticamente toda do paciente, fazendo assim com que todas os dramas dos médicos sejam desenvolvidos no final do episódio. Com isso, a primeira parte tende a ser bastante arrastada, deixando a segunda com muita coisa para mostrar. No episódio passado até que essa tática foi mais sutil, pois não chegou a comprometer a história. Mas em Teamwork acredito que, se o tempo fosse mais bem distribuído, poderíamos ter um aprofundamento melhor nessa questão toda da separação do casal.
![house.s06e07.hdtv.xvid-fqm[(029934)20-34-56]](https://seriemaniacos.tv/wp-content/uploads/2009/11/house.s06e07.hdtv_.xvid-fqm02993420-34-56-300x169.jpg)
Voltando ao episódio, já que citamos o paciente, vamos ao caso: um ator pornô com problemas de fotofobia. Interessante? Só pro House. Mas acabou sendo interessante também para a audiência pelos questionamentos sobre a vida de um casal trabalhando junto no mesmo ramo. Claramente uma alusão aos problemas que poderiam ocorrer entre Cameron e Chase, infelizmente o caso serviu mesmo só para encher linguiça. Por mais que os produtores tentassem usar as histórias dos atores pornôs para algum paralelo com o casal de médicos, foi tanta coisa acontecendo nesse episódio que isso ficou em último plano. Uma pena.
Mesmo com diversos focos de assunto nessa semana, desde o fim do episódio passado havia ficado claro que Teamwork seria sobre Chase e Cameron. E por mais que soubéssemos a um bom tempo sobre a saída da loira da série, ninguém poderia prever que seriam essas as circunstâncias. Muito se falou sobre uma possível prisão da médica, outros cogitaram sua morte… nada disso. Quando uma ‘decisão criativa’ é tomada pela produção de House, é sinal de coisa boa; e aqui não foi diferente.
Interessante foi o mix de complexidade e simplicidade nisso tudo. Exemplo: imagine-se contando uma fofoca pra alguém sobre o fim do casamento deles. Seria algo extremamente complicado tentar explicar toda a história dessa separação sem cair em erros e suposições. Mortes, mentiras, manipulações, joguinhos… é muita coisa. Ao mesmo tempo, é muito simples entender a atitude de Cameron: ela perdeu as esperanças. Simplesmente não consegue mais acreditar em seu marido, assim como não consegue mais acreditar em House. E precisamos dar o braço a torcer nesse momento: é difícil ver uma série atual que dê tanto valor à seus personagens quanto House dá. Afinal de contas, o discurso final de Cameron foi absolutamente condizente com tudo que a personagem já fez nestes 5 anos. Simplesmente perfeito.
![house.s06e07.hdtv.xvid-fqm[(057080)15-56-46]](https://seriemaniacos.tv/wp-content/uploads/2009/11/house.s06e07.hdtv_.xvid-fqm05708015-56-461-300x169.jpg)
Assim sendo, também há de se ressaltar que a série manteve-se fiel não só à Cameron, mas a todos os personagens. E aí moram dois problemas:
1) House
Pra quem não se lembra, o personagem deveria estar recuperado. Deveria. Como já dito acima, por um longo tempo House manteve-se em um equilíbrio perigoso, e agora com a sua retomada de poder, parece que cedeu à pressão. Por um lado a série agrada àqueles fãs que urgem “PEOPLE DON’T CHANGE!”, citando uma das célebres frases do próprio doutor. Por outro, decepciona aqueles que acreditaram que a série era sobre uma curva de aprendizado de um personagem, que iniciou frio e solitário e (até então) evoluia para um ser mais humano e engraçado. Só o tempo dirá o que acontecerá com o médico, mas a partir desse momento, a série precisa decidir qual rumo seguirá. Ou acabará decepcionando não só alguns, mas todos os fãs.
2) Thirteen e Taub
Partindo do ponto que conhecemos muito bem as personalidades de Cameron, Chase e Foreman, os novatos saem na desvantagem. Não somente pelo fato de enorme parte da audiência ter aversão aos dois, mas também por algo muito simples: não os conhecemos tão bem assim. O trio original teve uma enorme vantagem – em questão de tempo – para mostrar suas características, fazendo com que os novos pupilos já partissem com uma grande desvantagem. É verdade que os novatos já tiveram duas temporadas inteiras para mostrar serviço, mas mesmo assim sofrem muito por substituirem personagens tão bons.
O “medo de que tudo vá desmoronar” do início do texto é em relação à isso. Taub e Thirteen retornam em um momento em que o trio original está,, simplesmente, no seu auge. Por isso, é possível que alguns fãs já no próximo episódio comecem a reclamar da “mudança absurda” na equipe. E, infelizmente, essa reclamação é até algo muito provável, pois com a saída da loira e o (aparentemente) fim da questão Dibala não sobra muito o que se explorar na relação dos médicos. E aí voltaremos àquele roteiro chato de vai-não-vai entre Foreman e Thirteen, com Taub resolvendo problemas com sua esposa. Blérgh.
Que fique então de exemplo a entrada de Lucas na questão entre House-Cuddy: o personagem simplesmente caiu como uma luva, revigorando uma parte da história que já estava ficando maçante. Torço para que a permanência de Chase, agora um homem seriamente problemático, seja o gás que o novo trio precisa para manter o nível da série alto por bastante tempo.















