Super Bonahoon!

Wanted: Mr. Spoiler:

A maior parte de “Immoral Mathematics” é um exercício desinteressante de tentar mostrar até onde vão as habilidades de Bonahoon como pistoleiro. Algo desnecessário, principalmente pela série estar em uma fase que deveria utilizar para um desenvolvimento do personagem, já que isso facilitaria uma identificação futura quando a verdadeira ação surgisse. Entretanto, os poucos pontos positivos conseguem tornar a experiência um fracasso minimamente interessante.

O ponto forte é a introdução de um personagem: O Sueco(Christopher Heyerdahl). Retratado inicialmente como uma figura de autoridade que tenta a todo o custo manter a ordem dentro de Hell on Wheels, o que serve para gerar conflitos entre ele e Bonahoon. Um conceito que a princípio pode não parecer dos mais criativos, mas ganha força conforme passamos a compreender o que moldou a personalidade da figura: O aprisionamento em Camp Sumter.

Interessante que a série tenta explorar todas as facetas e conflitos provenientes da Guerra Civil, evento determinante para a maior parte dos personagens, o qual moldou não apenas suas personalidades, como os ensinaram a executar as tarefas que desempenham no tempo presente da série. E não pode ser dito que isso é feito de uma forma ruim, pois consegue colocar um ex-Confederado como protagonista e ao mesmo tempo apontar para as atrocidades que os mesmos confederados fizeram em nome de sua liberdade.

Tudo isto feito de uma forma bem expositiva, com um roteiro que faz questão de não demonstrar sutileza alguma, mas ao menos existe. É, dentro do emaranhado de problemas que Hell on Wheels possui, uma amostra de o mínimo de coerência possível. Se conseguirão fazer esse lado bom da série se sobressair e engolir a parte ruim, apenas o futuro poderá dizer.

É uma pena, portanto, que o foco logo saia destes diálogos e passamos a ver Bonahoon com seu plano de fuga do aprisionamento. Irreal do início ao fim, serve apenas para tirar um caráter de verossimilhança ao protagonista e dar um caráter de impunidade que o afasta do espectador, algo que deve ser melhor trabalhado no futuro para que as cenas de ação não se tornem exercícios burocráticos. Piorando nos momentos finais, quando ele se mostra, além de onipotente, onisciente ao saber informações que eram teoricamente impossíveis para um homem da época saber e assim conseguir um novo emprego. Acredito que Bonahoon teria conseguido frutos maiores fundando o jornal “Old West News”.

Novamente, o episódio perde muita força ao sair do seu foco principal. Eu tenho certeza que, bem ou mal, Lily Bell será integrada à história principal no futuro, mas até lá será duro termos que vê-la nessa trama que não mostra o propósito de existir. O índio retratado por Eddie Spears mostrou que pode vir a ser interessantes. Já Thomas “Doc” Durant parece ser usado como o homem das frases de efeito da série.

Ainda que irregular, Hell on Wheels mostra uma leve melhora. Apesar disto, ainda existem inúmeros pontos que precisam ser melhor trabalhados para que a série se torne uma experiência de fato boa.

Outras considerações:

-Continuo dizendo uma coisa, se as cenas protagonizadas por Lily Bell são falhas narrativamente, pelo menos são muito bonitas visualmente. É o mínimo que podiam fazer para consertar isto.

-Vocês pensavam que hipsters eram praga moderna, os índios de Hell on Wheels acham o dialeto deles mainstream demais e preferem falar a língua dos invasores quando estão dentro da tribo.

@guilhermeifc

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