
Dois barcos, um salva-vidas, um showrunner no comando e muita vontade de ajudar Boardwalk Empire a encontrar seu caminho.
Spoilers Abaixo:
E eu poderia dizer que sim, essa semana a mágica realmente aconteceu e as coisas mudaram. Terence Winter resolveu organizar pelo menos a metade da casa e colocou alguns plots no eixo, salvando a série da confusão de objetivos. Embora alguns dos personagens não tenham saído do limbo em que se encontram nem mesmo pelas mãos do criador.
O grande problema do cliffhanger da semana passada era o fato de todos já sabermos que Nucky não sofreria os verdadeiros efeitos de atentado nenhum. É claro que chegamos a um ponto em que não se poderia fazer isso com o personagem novamente sem realmente desviar nossas expectativas para verdadeiras surpresas. E como não estamos falando de uma série qualquer, BE compreendeu isso muito bem e mexeu no tabuleiro como deveria.
Fomos pegos de surpresa com a decisão de Nucky, e ela serve para refletir diretamente o comportamento de Jimmy. Com isso, temos os dois como centro de tudo nessa semana.
Já fazia algum tempo que não via Nucky tão bem ajustado na história. A metáfora do título do episódio foi a linha central de providências do personagem. O roteiro acertou em cheio quando fez com que o atentado realmente atingisse o personagem, se não com a morte por motivos óbvios, com a percepção de que alguma mudança precisava acontecer. A psicologia não tinha como ser outra. Com o conselhinho de Arnold, Nucky entende o que precisa fazer e mantém seu papel de protagonista, movimentando o jogo de modo a enganar seus opositores fingindo que deu a eles o poder. Assim, temos a chance de dar de cara com outras facetas dos personagens periféricos.
Jimmy não ganhou por força, mas por omissão. Eu achei que ele não ia gostar de “ganhar” desse jeito, mas os primeiros traços do contrário apareceram em sua cena final. O arremesso de aliados não é muito inteligente pra quem acabou de tomar posse, mas é ótimo visualmente. Eli que se cuide, já que Jimmy não parece disposto a deixar que seu pseudo reinado seja ameaçado com bom senso.
Eli, aliás, teve uma ótima cena com Nucky. A relação dos irmãos é boa, mas espero que essa sanfona afetiva seja logo definida. Para o bem ou para o mal.
Alheios a tudo isso tínhamos Nelson, que por favor eu peço que morra logo e vire passado na série, e Ange, que lembraram que existe finalmente. É bem certo que na hora de lembrarem da moça, foi só para dar a ela o mesmíssimo conflito que teve na temporada anterior. Espero uma nova abordagem pelo menos. Ou um pé na jaca definitivo para aquele casamento apático com Jimmy.
Aí preciso chegar ao assunto: aquele assunto proibido em qualquer das resenhas de BE. O assunto proibido que paira sobre o entendimento referencial da série como uma besta escondia na relva. O assunto proibido que num episódio escrito por Terence Winter e dirigido por Tin Van Patten fica tão, mas tão insuportavelmente evidente que me dá até uma coceira. Pois bem, a primeira coisa em comum com o assunto proibido é a cena inicial, com sonhos cheios de psicologia que prenunciam a trama. A última coisa em comum é a cena final, com um cliffhanger característico desse tipo de dramaturgia: a ausência de cliffhanger. Do início do episódio ao fim dele, estava todo ele ali, o assunto proibido, me perseguindo como se dissesse “me veja, me entenda, me reconheça, me correlacione… porque não sejamos idiotas, eu estou aqui”. E eu seria leviano demais se ignorasse todos esses apelos. Boardwalk Empire é uma ótima série, mas as cabeças de todos aqueles que ainda não viram o “assunto proibido” mudariam se tivessem contato com ele. Então vejam! Assistam as seis temporadas do assunto proibido. Vocês verão realmente o que é vanguarda dramatúrgica, e terão muito menos vontade de me enxovalhar.





















