Descoberta a receita do sucesso de Helix.
Primeiramente, antes de qualquer coisa, escolha uma música carismática e cativante, gravada há, pelo menos, três décadas e que pouco ou nada combine como uma série de terror-suspense-ficção científica. Em seguida, faça uma cena o mais contrastante possível com essa música, por exemplo, uma chacina com um folk dos anos 40. E, para terminar, preencha o restante do episódio (cerca de 41 minutos) com o maior número de plot twists possíveis, sem se importar o mínimo de verossimilhança ou coerência. Misturando todos estes ingredientes, nesta exata ordem, consegue-se a façanha de fazer mais de 500.000 americanos deixarem de curtir suas baladas numa sexta-feira à noite e ficar colado no sofá esperando para ver o resultado.
Ainda bem que Helix atingiu um público fiel, que certamente discordará de cada palavra desta review e as odiará com toda a força que só um fanboy consegue ter e uma outra parte, ainda maior, concordará com o texto mas, mesmo assim, baterá no peito e dirá: “mas é por isso tudo eu adoro tanto essa série: loucura desmedida e roteiro descompromissado!”. Só para constar, eu faço parte deste segundo grupo.
Sendo assim, para aqueles que conseguem enxergar esta receita, o episódio teve uns deslizes complicados de serem vistos com “olhos críticos cerrados”, até o momento em que a indefectível redenção chega através do tal “Plano B”, que dá nome ao episódio, administrado pelo Exército Americano. Utilizando a máxima que “se não pode derrotá-los, elimine todos eles”, são enviados uma dúzia de aviões para pulverizar todos os seres vivos da ilha, extinguindo o patógeno em definitivo, ao som da belíssima “Somewhere Over the Rainbow”, de Judy Garland (aquela mesma do filme original “O Mágico de Oz”, de 1939). E, ainda que tenha dado todo o sal para esta temporada, foi delicioso ver a Sister Amy “derreter na chuva”.

Porém, para chegar neste paraíso, deve-se passar por um verdadeiro purgatório, onde um embrião de menos de uma semana, torna-se uma feto instantaneamente e passa a viver numa garrafa mágica. Este mesmo feto é, teoricamente, enfiado dentro de um útero artificial recheado de placenta sintética (quem não sai de casa com um útero de emergência?) e implantado no corpo de uma maluca psicopata que, nem por um momento, desconfia que foi enganada, mesmo não seu perímetro abdominal aumentado em um centímetro sequer.

E o que dizer do super cientista Alan, que não vê dificuldade alguma em criar uma cura para a chuva desintegradora, mesmo sem saber nada sobre a mesma, em menos de 6 seis horas e em instalações quase medievais? E, mesmo com o tempo curto e o cronômetro rolando, ele não fica mais do que 1 cena (eu diria, uns 15 minutos em tempo de série) desenvolvendo a tal cura e passa a investigar a morte de um agente do CDC completamente avulso.
A quem diga, que ele estaria criando a cura para os micóticos e não para a Chuva Ebola, pois bem, se as proféticas palavras da comandante do CDC foram acreditadas, pra que criar um soro para o patógeno, se todos iriam ser mortos (inclusive o próprio patógeno)? Se fosse este caso, porém, ele realmente não precisaria perder tempo, pois a cura foi desenvolvida por um menino de 10 anos, que simplesmente centrifugou o seu sangue com a gosma da “Bleeding Tree”. Veja bem, um menino que é praticamente um camponês feudal, teve a ideia de misturar estes ingredientes num aparelho que ele não conhecia, colocar numa seringa e “tacá-lhe pau” na coxa de um cara que ele aparenta ter grande simpatia. E dá certo! O que será que Alan conseguiu ver naquele microscópio rudimentar em menos de 3 segundos? Joguem os livros de Biologia no lixo.

E o que teve de mais coerente no episódio? Peter. Ele foi, é e sempre será o personagem mais FRACO que já foi concebido em qualquer série de todos os tempos. Se colocar o Peter para ver o um aquário por 15 minutos, ele começa a soltar bolhas pela boca. Não é de se estranhar que ele foi manipulado tão facilmente por Anne, uma vez que já acompanhamos sua briga para deixar de ser um Bubaloo Ambulante na temporada passada e isso foi resgatado e explorado em Mother, semana passada. E já que é aceitável que ele tenha sucumbido diante da proposta de ser o novo PAI DE TODOS do Mosteiro, ele até que conseguiu fazer boas jogadas em prol dos seus objetivos.
Entretanto, tudo isso é passível de entendimento, com exceção do exército ter ficado do lado de fora, esperando os barulhentos aviões chegarem, nem tão pouco, a elaboração de um plano de erradicação infalível que pode ser combatido simplesmente “ficando dentro de casa”. E só para constar, Anny sobreviveu dançando na chuva e a Mother não, dentro de uma caixa, escondida no tronco de uma árvore. Bah!

Encerro, enfim, dizendo simplesmente, que foi mais um ótimo episódio e que espero deixar toda a minha “rabugentice” de lados nos dois últimos episódios.
Até semana que vem.











