No episódio mais tenso da série, quase tudo é esclarecido.
Deixando os fãs agarrados na cadeira com a respiração suspensa, Ectogenesis veio para colocar uma pá de cal em boa parte dos mistérios que rondavam a série, acabando de vez com a aflição daqueles que imaginavam que não viveriam para ver Helix contando todos os seus segredos. E, por incrível que pareça, conseguiu colocar a história nos eixos, estando completamente livre, nestes últimos quatro capítulos, para entregar toda a maluquice insana (sim, bleeding tree, eu estou falando de você), que sempre foi sua maior virtude.
Depois de esconder tão bem suas respostas, quem poderia imaginar uma reunião com explicações tão didáticas entre a psicopata Amy e a constante sofredora Sarah, sob a supervisão do “quase-Jedi” Landry? Ficou extremamente claro que Amy, desde a sua infância sempre teve o sonho de usurpar o trono do pai, evitar o “ritual do plantio” e tornar-se uma imortal para iniciar seu próprio reinado no Mosteiro de St Germain. E ainda que não tenha sobrado nem uma dúzia de seguidores, ela realmente se encontra muito próxima de atingir seus objetivos.

Para tanto, ela utiliza o útero artificial que Michael havia criado para evitar os problemas que estava tendo por ser o único “emprenhador” do rebanho, fazendo assim, com que os fetos pudessem se desenvolver fora das barrigas de suas mães. Infelizmente, o aparelho não funcionou com seres humanos normais, que acabaram morrendo em semanas, no entanto foi perfeito para sementes imortais, causando, inclusive, um desenvolvimento surpreendentemente ágil. E, encerrando de vez este enigma, esta tecnologia, só poderia estar ali, graças à ainda misteriosa parceria existente entre Michael e a Ilaria, já denunciada em episódios anteriores nas conversas entre Julia e Madame Durant e reafirmada neste, por Alan em suas visões com Doreen (esta vai ser minha única menção à estas cenas apelativas, que tiveram como único objetivo, explorar a simpatia dos telespectadores pela cativante personagem precocemente eliminada do programa).
E, ainda na “roda de negociações” entre Sarah e Amy, a primeira ainda revela, de forma discreta, os motivos pelos quais não seria tão simples reproduzir a operação do polo norte, que a transformara numa imortal: o medo de ficar paraplégica e a completa falta de garantia que poderia dar certo novamente. O primeiro motivo, pelo menos na ilha, se justifica pela precaridade da sala cirúrgica e a completa inexperiência da equipe médica envolvida (Dra. Amy). Aparentemente, no entanto, a extração das células tronco da medula óssea de Sarah havia sido um sucesso e a oferta de Landry para ser a cobaia da experiência mostrou um lado dengoso do pseudo-casal, que ainda não havia sido apresentado, ao revelar uma Sister Amy temendo sinceramente pelo bem-estar de seu futuro consorte. Resta saber se a cientista do CDC trocou ou não a seringa antes de aplicá-la, para entender se aquele piripaque pós injeção foi uma reação negativa à imortalidade ou uma nova contaminação botânica. A única coisa que realmente fica impossível de se justificar é como Sarah conseguiu ficar presa numa sala, com uma tranca que fecha por dentro e uma porta de vidros!

Voltando à estranha ligação da Ilaria com Michael, somente para não perder o “fio da meada”, até o momento desvendou-se que Peter era uma espécie de Mercenário (U$ 100.000.000,00???) contratado pela Companhia para descobrir os segredos do agente esterilizador do Brother Michael. Julia, acompanhada de Sérgio, por sua vez, só foi atrás de Michael para tentar impedir o dizimação da população mundial, levando como alternativa a esterilização em massa e o consequente extermínio paulatino da humanidade. E, Alan, somente está na ilha para dar cabo deste experimento e, de alguma forma ainda não revelada, proteger Julia. Tudo isso, leva ao questionamento óbvio, quem, de dentro da perversa empresa, financiou as experiências por tantas décadas? Teria sido esta linha de pesquisa descontinuada?
A descoberta da existência da Mãe, uma árvore que cabe e sobrevive dentro de um cofre e ainda dá mudas infinitas para o pomar foi um dos pontos mais extraordinários de Ectogenesis, assim como as novas perguntas que a cercam: O que é a Mãe? Quem a pegou? Por que ela é a coisa mais importante do Mosteiro (Anne cita isto, pouco antes de abrir o cofre)?
E, apesar de muita coisa ter sido esclarecida dentro do Mosteiro, ainda era necessário desvendar o que tinha ocorrido com Soren, o menino-prenda e o motivo de alguns micóticos estarem sobrevivendo às 48 horas de infecção. E, Kyle, até então um mero coadjuvante, foi o escolhido para protagonizar algumas das melhores sequências da série. Se já não bastasse toda a tensão envolvendo a negociação da Imortalidade versus a Vida do Baby Silver Eyes e a cirurgia de transplante de medula, todas as cenas em que Kyle esteve preso na mesa de Cadmus e Carol foram bizarramente geniais! Desde a armadilha com Soren como isca, passando pela revelação que os micóticos se tornam canibais adoradores de olhos (mas não se alimentam de si próprios, claro), o jogo psicológico onde Kyle convence a ambos que o outro quer comer seus olhos sozinho e terminando com a fuga e a degustação do “mel do mal”, ao som de Carpenters. Deleite puro!

E o que dizer da Árvore que Sangra, que é o verdadeiro soro anti-micotismo? Espaço aberto no comentários para todos deixarem a imaginação fluir.
Até semana que vem.












