Em vinte minutos tudo pode mudar…

Sempre fui um defensor de séries com temporadas curtas, entre 10 e 13 episódios, pois a narrativa não se perde em plots desnecessários e encheções de linguiça, típicos dos dramas da TV aberta estadunidense. Quando menos se espera, metade da season já passou, e se a história não ganhou corpo, só no ano seguinte (se for…).

Talvez por isso eu não tenha me decepcionado com a descoberta precoce do disfarce da protagonista e, consecutivamente, com o fim da Lexie na série. Apesar de realmente gostar da bartender e todos os seus divertidos trejeitos, esse episódio evidenciou que a ideia central da temporada sempre foi promover uma disputa entre a Audrey e Wade. E, se de fato era essa a intenção dos roteiristas, tudo foi conduzido de forma muito eficaz. E que fique claro, que uma nova reviravolta agora, não será tão bem vinda.

E essa cadeia de eventos que transformou o Wade no novo Caçador de Problemáticos, nos leva à Jordan, que de tanto fazer bobagens, acabou conseguindo meter os pés pelas mãos a ponto de colocar em risco tudo aquilo que lutou tanto para proteger. Particularmente, eu não gosto dessa tentativa de sensibilizar a plateia, recuperando uma personagem que é um desafeto unânime, mas, no caso da Jordan, funcionou. Quando ela apareceu pela primeira vez, em meados da terceira temporada, trouxe consigo o mistério dos Guardiões e rendeu boas doses de mistérios em volta desse grupo. Grupo, aliás, que certamente não fazia parte da história original, pois, uma vez descobertos, passaram a integrar assiduamente a vida em Haven, o que contraria a suposição inicial de um time ultra secreto.

Jordan, desde o princípio se mostrava aquele cão que ladra, mas não morde… Mas irrita! E irrita tanto que conseguiu uma legião de haters (dentro e fora da série). Neste episódio, no entanto, ela mordeu! Deixou de ser um Fox Paulistinha e virou um Pit Bull… Ao invés de ficar somente reclamando e inflamando seus companheiros de mazelas, ela partiu para o ataque direto, convocando Wade para acompanhá-la na empreitada de erradicar as perturbações definitivamente. E foi bastante eficiente em suas ações. Agindo como se fosse sua última chance (e, de fato, foi…) ela desacordou e sequestrou o suposto líder de sua organização, descobriu o segredo da Audrey e convenceu o irmão caçula Crocker, que ele deveria desfrutar da mesma maldição que seu irmão e se tornar o Salvador dos Troubleds.

Todas as suas ações impulsivas, no entanto, não ficaram incólumes de consequências devastadoras: o sequestro de Vince, acabou revelando a si mesma o quanto ela estava errada. O quanto ela estava se transformando em um monstro, tal qual Vince se transformara anos antes. Isso fez com que ela não levasse seu plano a cabo, que teria uma grande chance de acabar com as perturbações; a revelação de Audrey certamente emergirá, e eu espero que sim, uma guerra entre os amigos e inimigos da agente e, por fim, a transformação de Wade que, de fato, lhe inseriu um desejo de acabar com as perturbações, mas da forma mais brutal: eliminando todos os problemáticos.

E já que objetivo dele é bem claro, por que não começar pelo alvo mais fácil, a própria Jordan, que gozava de sua confiança? E é justamente quando ela se redime e decide procurar algo melhor para fazer, longe do Maine, que seu traiçoeiro assassino a encurrala e parece que não vai parar por aí…

E, para minha satisfação pessoal, eis que mais um bizarro problemático da semana surge: “Era uma vez um dono de loja de materiais de construção muito mimado. Mas tão mimado que, quando ele não tem o que quer, desconta a raiva em todos os que lhe negaram suas vontades. E os ataca com requintes de sadismo, aplicando-lhes 15 minutos finais da vida, que são refletidos em todos os aparelhos eletrônicos com painéis à sua frente. Findo este prazo, seu alvo se transforma em pedra (ou algum outro material que o valha), cai e se despedaça.”

Evidentemente que ao pousar o relógio sobre o Nathan, já sabíamos que a perturbação seria desfeita, mas antes disso, quatro vítima sucumbiram (com os 17 até o episódio anterior, já temos 21 mortos sob a responsabilidade do xerife), consecutivamente, ou seja, em uma hora e quinze minutos, o “compendium trouble” (que lê minhas resenhas, sabe do que eu estou falando) foi aberto e a solução para a crise encontrada. E, desta vez era bem óbvia, bastava dar ao menino mimado o que ele mais queria pra birra terminar. Ainda que bizarro, o “caso da semana”, mais uma vez, estava intrinsecamente ligado aos eventos centrais e o clímax foi muito bem executado, fechando todas as pontas emocionais pendentes (além de abrir algumas outras).

Concluo essa review com dois sarcasmos para não dizerem que eu só falei de flores: se o Vince é um problemático, eu imagino que o poder dele deva ser ter um rabo, um pé roxo ou algo igualmente inútil, pois parece não lhe servir de nada em momentos de perigo e a Audrey pode até enganar os outros que é a Lexie, mas não consegue me convencer em momento algum que ama o Nathan. Até semana que vem…

Artigo anteriorSean Saves The World 1×03: Date Expectations
Próximo artigoHomeland 3×04: Game On
Alexandre Bonfá
Apaixonado por HQ´s há mais de 30 anos, eu me sinto realizado com essa avalanche de séries de Quadrinhos da atualidade. Tá achando pouco? Ano que vem vai ter o dobro!