Será que agora vai?

Spoilers Abaixo:

Previously on Heaven: Haven continua sendo uma cidadezinha do Maine cheia de coisas esquisitas acontecendo, mortes misteriosas quase todo santo dia, mas mesmo assim as pessoas não saem correndo aos gritos pela rua. Semana passada Audrey não encontrou um problemático pelo caminho, mas uma família inteira, que numa versão tosca das angústias de Romeu e Julieta, se odiava ao extremo de acabar provocando uma “perturbação” na cidade. Além de lições sobre a força do amor, tivemos que aturar galhos e cipós digitais escorrendo sem verdade alguma pelo solo castigado da cidade. Nathan só apareceu pra fazer propaganda do Twitter, Duke infelizmente não afogou sua esposa na banheira, e ao menos Audrey desencantou e fez um merecido nhen nhen nhen com o Brandon.

Pois bem, se fosse pra saber que um dia de folga na vida de Audrey iria melhorar tanto um episódio, já teria aberto uma campanha pra convencer a moça a fazer uma escala de 24×72. Depois de quase um ano de intervalo entre temporadas, eu fico me perguntando qual a dificuldade de escrever 13, apenas 13 episódios bons. Se eles sabem que são capazes, qual o problema?

O batido recurso da repetição temporal acabou vindo a calhar para as dificuldades de orçamento da série. Deviam investir mais nesses conceitos abstratos e parar com os galhos assassinos e envelhecimentos acelerados. Já deu pra sacar que Haven não precisa de efeitos especiais, mas sim de boas histórias e uma interação entre os personagens.

Um exemplo disso é o Duke, que muita gente nos comentários adora, mas que pra mim, só nesse episódio foi realmente engraçado. Todas as vezes que Audrey descia as escadas e reencontrava-o pintando seu quadrinho de ofertas, o diálogo entre eles era bom. Chris, e sua ótima “perturbação cativante”, também acabou ficando com algumas das melhores falas do episódio. O carisma dele pra mim já está estabelecido. Além de ter ficado mais bonito com a idade, Jason Priestley parou de querer ser charmoso e com isso as motivações de seu personagem ficaram muito mais claras. Emily Rose, que interpreta Audrey, tem estado muito menos apática em cena desde que ele chegou. A decisão dramática de fazê-la transar com o moço foi boa para a personagem, que parou de ser uma máquina investigativa sem aparentemente nenhuma necessidade humana.

O bom ritmo da história – que embora nada original, foi correta – ajudou a fazer com que as “mortes” dos “três maridos de Audrey” soassem menos (eu disse menos) piegas, o que em se tratando de Haven, é uma vitória incomensurável. Mantenho minha posição em dizer que tudo ainda é previsível demais, mas quando os diálogos são meramente razoáveis e os personagens são tratados como pessoas e não como ferramentas investigativas, tudo fica melhor.

A cena final com Audrey dizendo que Chris deveria ir embora me assustou. Livraram-se de Audrey Number Two, que era bacaninha e se fizerem o mesmo com Chris, vão demonstrar o total descompromisso em lançar mão das boas decisões que tomaram até aqui. Audrey e Chris funcionam muito bem e boas histórias podem sair daí.

Torço para que esse bom episódio seja o vislumbre de uma segunda metade de temporada mais honrada para Haven.

Haven não é só defeito: Essa semana essa sessão homenageia as muitas qualidades do episódio.

The Trouble Scene: As cenas de choro de Emily Rose (que tem o mesmo nome daquela exorcizada do filme, lembram?) às vezes são dose de agüentar. E nesse episódio ela teve várias.

“Problemático” do dia: Nathan provavelmente ainda terá a preferência da maioria dos fãs, mas que ele tá apagadinho desde que Chris apareceu, isso tá.

Haven em frases: Na terceira vez que Duke Audrey e Chris descendo as escadas:

Estou honrado pela escolha do meu local de trabalho para vocês… se expressarem fisicamente.

Prêmio Pieguice: Uma vez tendo que aturar aquela coisa de “por favor, não morra.. não morra…” entre personagens apaixonados (ou veladamente apaixonados) já é ruim. Imagina três vezes?

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