A cura da insônia.

Spoilers Abaixo:

Hatfields and McCoys se estabelece como a primeira produção original do History Channel visando atender à demanda do público por narrativas que possuem ao mesmo tempo o lado histórico e de entretenimento. Infelizmente, esta primeira parte acaba por conter uma forma rasa de explanar a história e acéfala em excesso para sequer funcionar dramaticamente.

A trama é basicamente a da briga entre as famílias Hatfields e McCoys, acontecimento notório da história americana em que ambos os grupos chegaram a derramar sangue decorrente dessa cisão. Um momento histórico interessante, caso não fosse encarado pelo roteiro como uma forma rasa e que enxerga o derramamento de sangue não como um meio para contar a história, mas um fim em si mesmo.

A direção de Kevin Reynolds, diretor limitado responsável por, entre outras aberrações, Waterworld, jamais consegue encontrar um estilo visual que seja interessante ao universo contado, parecendo mais uma estética de um filme de ação, com seus planos curtos e dinâmicos, esquecendo-se que a proposta da série é a de combinar esse lado com a sua natureza histórica, precisando de um estilismo que combine bem ambos os aspectos.

O roteiro de Bill Kerby e Ted Mann (parceiro habitual de David Milch) se mostra óbvio, com diálogos expositivos e em nenhum momento consegue despertar o interesse do espectador para o que está sendo mostrado em tela. Com uma lentidão que em nada ajuda para desenvolver os personagens e entrando no puro derramamento de sangue nos seus momentos finais, esquecendo-se de entrar em questionamentos sobre o que de fato fez com que o conflito eclodisse e o que isso trouxe de importância para a sociedade americana.

A maior parte do elenco em nada consegue ajudar, com exceção de Kevin Costner, Bill Paxton e Tom Berenger, soando apático sempre que aparecem, com Matt Barr sendo o maior expoente nesse quesito, ao transformar Johnsen Hatfield em um buraco negro de carisma sempre que está em tela. Essas limitações em nenhum momento conseguem ser aprimoradas pelo trio de preparadoras de elenco composto por Fern Champion, Laura Grosu e Amy Hubbard.

Os outros três atores são a força do episódio e, apesar de não terem nenhum grande momento, conseguem conferir simpatia a cada um dos seus personagens e mostrar pelas expressões faciais os motivos que os levaram a tomar cada uma de suas ações. A prova de um grande ator é o conseguir fazer com que os personagens funcionem trabalhando com um roteiro limitado, sendo justamente o que acontece aqui.

O piloto de Hatfield and McCoys não consegue animar muito para a continuação da minissérie, parecendo um desperdício de uma ótima premissa com uma execução repleta de falhas e um péssimo início para o canal dentro do terreno dos dramas.

Outras considerações:

-History Channel não tenta confrontar nudez para tentar tornar a história mais interessante como a HBO, mostrando um sinal de maturidade desde o início para as produções do canal.

-Eu planejava pesquisar um pouco mais da história para compreender melhor, mas esse episódio me deu vontade de não ler nada sobre o assunto. Se o objetivo de Reynolds era a de alienar pessoas com a ideia de que história é chato, conseguiram.

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