Quando a noiva parece um copo de Starbucks.
A confusão e a estranheza sempre permearam Girls. Ao juntar toda a turma, a série coloca as relações pessoais em contato, gerando atrito ao fazer com que personagens de diferentes personalidades interajam. Como na maneira com que Marnie e sua mãe lidam com o casamento, controladoras ao extremo, como a matriarca explana “this is my daughter, and this is my day”. As duas agem de maneira exatamente oposta a Hannah, mais largada, mais tranquila, mais pessimista (no momento em que a amiga precisa de um ombro amigo, quando tudo parece dar errado, se tratando de uma perfeccionista ao extremo como Marnie é). O que coloca as personagens do mesmo lado por metade do episódio é o egoísmo e o julgamento. Mas esse é o dia de Marnie, um dia especial, que Desi já viveu oito vezes.
Do outro lado do espectro, os homens. Pode-se perceber na direção e nas locações como a série tenta mostrar as diferenças entre os dois lados. Ray recebe Fran como o velho que é, divagando sobre relacionamentos modernos. Existe um confronto estranho, mas honesto entre Fran e Adam, talvez a série entregue mais desses momentos. O noivo de Marnie também é um sujeito complicado, após oito noivados, vem novamente com o pé atrás, e um Ray extremamente altruísta, um pouco masoquista e levemente encharcado salva o dia.
Mas ainda que Girls seja uma série onde às vezes parece que ninguém gosta de ninguém, de vez em quando as personagens demonstram sentimentos reais que são ainda mais evidenciados por atuações sinceras. Quando tudo está pronto e Marnie vai em direção ao altar, Jessa (que assume o papel de comandante e salva o dia), Shosh (que parece mais um desenho animado, segundo afirmação da própria série) e Hannah a seguem, acreditando no seu destino, apoiando a decisão, ainda que, em muitas das vezes, essas decisões possam ser erradas, mas são essas decisões que movem Girls.














