As guerras que estão por vir tomam forma sobre as ruínas do fim da última.
E é assim que “Game of Thrones” inicia mais uma temporada, numa espécie de segunda fase da história, onde boa parte dos seus personagens foram retirados da sua zona de conforto e os enredos mais urgentes foram todos finalizados com a conclusão do quarto ano. Dessa maneira, o festim dos corvos tem início e os oportunistas vão fazer de tudo para ganhar poder e preencher o vácuo deixado pelo grande Tywin Lannister.
Vamos tentar focar nossa atenção geograficamente e destrinchar esses novos enredos com a devida minúcia. Então, do sul para norte:
Porto Real
O primeiro flashback da história da série abriu a temporada de maneira intrigante. Aquele relance da infância da posuda e já escrota Cersei começa a justificar ainda mais suas decisões tomadas ao longo da série. A previsão da bruxa vêm se tornando real em todos os sentidos ao longo dos anos. Casar com rei: Feito! Ter 3 filhos que não são dele enquanto ele tem vários bastardos pelo reino: Feito! Morte dos seus filhos: 33% concluído! Desposta por uma rainha mais jovem e bela: Engatilhado! Então é justificável que essa memória tenha surgido logo no velório de seu todo poderoso pai e agora possa se tornar combustível para suas decisões, conhecidamente impulsivas e precipitadas.
Seus olhos agora ficarão focados em Margaery e ela vai tentar a todo custo impedir a ascensão da rainha de seu filho caçula. E o interessante é que a eterna “noiva de reis” também está esperta e sabe que Cersei pode ser um perigo. Ela não cairá fácil.Vale adicionar que um ás na manga nesse embate com certeza vai ser o jovem Lancel Lannister, que sofreu uma lavagem cerebral religiosa e está arrependido de seus pecados pregressos, pecados esses que envolvem em sua totalidade a rainha-mãe de Westeros. E lógico que Jaime não pode ser colocado fora dessa equação. Sua lealdade ainda se encontra com a família agora que o pai está morto?
Porto Real continua permeada de intrigas e ainda mais cheia de abutres. Sinto que Cersei será o foco da atual temporada na capital do reino e isso me empolga bastante. Afinal, sem as rédeas que Tywin colocava nela, a rainha pode ser incrivelmente instável e, com seu eterno cálice de vinho à mão, bradará caprichos a que todos terão que atender por mais cruéis que sejam.
Terras Fluviais
O enredo que envolve Sansa e Mindinho traz uma grande expectativa tanto na base de fãs leitores da série quanto na dos não-leitores. A filha mais velha dos Stark já chegou ao fim de suas histórias publicadas nas Crônicas de Gelo e Fogo e tudo o que vier daqui pra frente será uma incógnita. Até agora nada está muito claro, só que ambos se dirigem para oeste e que estão muito próximos de Brienne. Sendo assim, um encontro entre os dois grupos deve ser provável… ou não. Sabemos que a série gosta de provocar com esses quase encontros.
Já a pobre Brienne não se recuperou ainda da fuga de Arya e agora se questiona da sua capacidade de líder e de possível protetora das filhas de Lady Stark. Só espero que, nesse possível encontro com Sansa, ela também não seja rejeitada ou ela pode ficar sem propósito. Fica a torcida para você reencontrar o Regicida, Brienne, e o propósito do amor brilhe novamente em seus olhos.
Muralha
Sei que sou uma parcela ínfima da população, mas sou “Team Stannis” de coração (vermelho e em chamas). E a melhor coisa que aconteceu para os Baratheons foi a mudança para Castelo Negro. A possibilidade deles interagirem com outro núcleo trouxe o nosso interesse de volta e fortalecerá a reivindicação deles para o trono. Stannis é justo, isso não se pode negar, e um incrível mestre da guerra. Sua ideia de usar o exército selvagem para tomar de volta o norte e dizimar os Boltons me empolgou como nunca. Ele é o único pretendente com reais intenções de vingar os Stark e nada me animaria mais do que ver toda a família do brasão do homem esfolado com suas cabeças numa lança.
Ademais, o encontro entre a mulher de vermelho e Jon Snow mostra que dali não devem demorar a sair faíscas. Sabemos que ela é mestra em manipulação (psicológica e sexual), então é bom o bastardo de Winterfell se acostumar com suas investidas. A voz dela é uma das vozes que Stannis mais escuta e sei que ela vai usar essa influência para pôr Jon exatamente onde ela quer.
E ainda houve o triste fim do Rei além-da-muralha. Mance Rayder sempre foi pintado como o incrível líder que conseguiu juntar cem mil selvagens num exército único. Carisma e liderança que nunca ficaram realmente bem representados na série. Não sei se foi pelo pequeno espaço dado para o personagem, pelo texto pouco inspirado, ou mesmo pela interpretação visivelmente preguiçosa de Ciarán Hinds, mas o ex-patrulheiro nunca passou o peso que representava para a história e que realmente transparece em todo momento em que ele surge nos livros. Uma pena e uma grande oportunidade desperdiçada. O consolo que tivemos mesmo ficou apenas com a cena de sua morte que foi muito bem conduzida, permeada de tensão e com um alívio agridoce que surgiu com a flecha de misericórdia de Jon Snow.
Essos
Tyrion e Varys continuam sua parceria agora do outro lado do Mar Estreito. Os personagens com as mentes mais afiadas dos Sete Reinos (tirando o Mindinho, lógico) agora seguem com um novo destino. Destino esse guiado pela revelação de onde a lealdade de Varys estava esse tempo todo: a família Targaryen. Com a ajuda do anão, ele pretende levar até o fim o seu plano de trazer Dany ao trono de ferro. Já Tyrion, em seu estado de depressão pós-patricídio, parece aceitar o que lhe foi dado por seguir a velha máxima: o inimigo do meu inimigo é meu amigo. Então vamos levantar essa poeira, Tyrion, e ir atrás de uns dragões pra queimarem aquele cabelo dourado da Cersei!
Entretanto, em Meereen, as coisas parecem estar saindo do controle da Mãe dos Dragões. Os antigos mestres formaram seu próprio grupo revolucionário: os filhos da Hárpia; e com isso pretendem bater de frente com os novos governantes da cidade. O fato de Dany ter perdido o seu controle sobre os dragões só piora sua situação na cidade. A Mãe dos Dragões sem dragões nada é frente aos seus inimigos, perdendo muito no seu fator intimidação. Ela precisa enfrentar seus medos e aprender a domar sua cria ou sua chance de sair viva de Meereen e conquistar o trono de ferro se tornará nula. São mais e mais conflitos se desenhando e dessa vez no extremo leste.

Vale abrir um comentário sobre o quanto é perceptível o aumento no investimento da HBO no programa. Nada mais justificado, claro. O programa está no pico da sua popularidade, com anúncio espalhados por todo o mundo e uma estreia simultânea em mais de cem países, abrindo uma era de sincronicidade mundial com relação ao entretenimento seriado que só deve crescer daqui em diante. Só assim cenas belíssimas como a visita de Daenerys aos seus dragões cativos, a vista do alto da Muralha que está ainda mais polida e o interior do Septo de Baelor com as estátuas dos sete deuses em todo sua magnificência poderiam ser vistas. A produção brilhou como nunca nessa estreia e tenho certeza que será um padrão a ser mantido ao longo de toda a temporada.
Agora, pode-se dizer que a volta de “Game of Thrones” não foi tão empolgante e, ao mesmo tempo que isso possa ser verdade, é totalmente justificado. Como disse anteriormente, esse é o momento para novas possibilidades se abrirem para os personagens. Eles estão se adaptando ao seu novo ambiente e delineando seus próximos passos, que devem acontecer ao longo desta primeira metade da temporada. Lembrando que ainda temos locações e personagens a serem visitados ainda (Arya e Dorne), e assim teremos que nos adaptar a essa marcha mais lenta de acontecimentos nesse início de ano. Mas, se tudo acontecer como o esperado, as guerras por vir chegarão, e com grande impacto para todos.
Em Tempo de Perda de Tempo: O plot de Missandei e Verme Cinzento vai continuar? Sério? Vamos trabalhar mais no desenvolvimento dos personagens com quem realmente nos importamos, pode ser?
Em Tempo de Passagem de Tempo: Como o garoto Olly da Patrulha da Noite cresceu nesse hiato da série!
Em Tempo de Mais um Retorno Lannister: Kevan Lannister, irmão de Tywin e pai de Lancel, fez seu retorno à história com o funeral do Mão do Rei, depois de ter aparecido brevemente nas duas primeiras temporadas. Acho que mais Lannisters nesse jogo nunca será uma má ideia.
Em Tempo de Revolta: Perceberam que Winterfell na apresentação não está mais em ruínas? Mas o símbolo dos Stark no castelo foi substituído pelo homem esfolado dos Bolton!!! Maldito Roose e seu bastardo.
Em Tempo de Frase do Episódio: “Eu não sou um político, sou uma rainha!” – Daenerys Targaryen dando seu tapa de luva de pelica… com umas pedras dentro.
Em Tempo de Momento Macabro: A cara de Selyse Baratheon, a mulher de Stannis, no fim do episódio me assustou consideravelmente. Socorro.
Em Tempo de Pobre Coitado: Só eu me divirto com os mil foras que Cersei dá no Grande Mestre Pycelle? Lol
Em Tempo de Cena Mais Divertida do Episódio: Tyrion bebe, vomita, e bebe de novo. Viva a determinação!














