Algumas histórias ficam melhores no imaginário.
Em um episódio que prometia muito, From Dusk Till Dawn mostrou como não utilizar flashbacks para ajudar a história. Já estou entrando em uma onda em que qualquer série que apele para o uso de flashbacks, já entra em uma provável chance de sair me estressando. Com ‘La Conquista’ não foi diferente. O recurso utilizado para explicar a história do Carlos foi desnecessário e ao invés de cooperar para o ritmo do episódio, o quebrou.
Logo no começo, quando vemos os espanhóis descendo em terras ainda “não descobertas” com nosso Carlos lá, abraçando a espada e a cruz, eu me perguntei se era mesmo o momento adequado para isso. Carlos está conosco desde o começo da série, sempre se portando como uma figura misteriosa e ao mesmo tempo aberta (se é que isso é possível). Deixar para o oitavo episódio a explicação de suas motivações foi ruim, principalmente porque não precisamos dessa explicação em forma de remontagem histórica de sua traição. Ou vai dizer que a ambição do Carlos só ficou clara agora? Ou sua devoção pela deusa? Não. Eu já sabia de tudo isso muito antes desse episódio e acredito que não fui o único. Quando Carlos levantou a espada para matar seus “chefes” ao lado da Santaníco, a série passou o recado. Sabe o que isso faz? Tira todo o brilho da cena tão humilhante da engraxada de sapato e sua resposta.
Quando a série utiliza três formas diferentes de contar a mesma coisa, eu só consigo ver tudo como medíocre. Enquanto estávamos assistindo ao flashback, ainda éramos submetidos a uma narração e futuramente os próprios personagens recontavam tudo o que nós já tínhamos visto. Ou seja, por três vezes ouvimos a história de Santaníco e o amor incondicional do Carlos (sem contar as explicações dadas pelo professor ou a cena inicial da série). Tudo poderia ter sido feito de forma bem mais sucinta, deixando a tensão em cima da possível transformação do Richie viva no imaginário por mais tempo. Com uma fala de cada personagem nós poderíamos ter alcançado todo o teor das lembranças obtusas e que não adicionaram quase nada para a trama.
Nós já sabíamos que o Carlos tinha um tipo de adoração pela sua deusa cobra, explicar o motivo com um flashback deixou tudo didático e fez algo que eu conheço como “encher linguiça”. Além de desprezar a inteligência do telespectador.
Enquanto isso, um personagem que merecia receber pelo menos um pouco mais de desenvolvimento, o Frost, foi utilizado apenas por uma conveniência do roteiro. Deixando sua marca na série de ser o mais dispensável. Uma pena, porque eu me interessaria em saber como o cara sobreviveu lá no interior do templo por tanto tempo e o que ele descobriu. Porém, a série estava preocupada demais em nos dar flashbacks de assuntos que nós já tínhamos conhecimento. Logo, a pausa para pegar armas se tornou um momento ridículo em uma série que apesar de dispor desses artifícios, por ser gore e trash, não deveria pegar tão pesado assim.
De surpresa mesmo só a transformação do Scott. E não sei vocês, mas acho que quem acabará tendo que dar cabo ao garoto será Kate. A menina cresceu muito dentro da série, mas ainda tem aquela nuance piegas e extremamente irritante. Tudo bem, ela é religiosa, mas passa por momentos discrepantes em sua personalidade. Se em um momento ela confessa ao pai que não sente medo em morrer, pois verá sua mãe sentada ao lado de Jesus, em outro ela encarna a psicopata louca e chuta bolas (literalmente) e mata vampiros com facão. Não existe progressão no crescimento da menina, da mesma forma que sangue jorra na cara dos personagens, a mudança no perfil deles é jogada na nossa.
Porém, se continuarem com esse mesmo ritmo até a season finale deveremos ver uma garota bem mais forte e menos caricata. Por que sim, Kate é uma sátira da fé desmedida, que não vê o mundo real sem uma ótica religiosa por trás.
Continuo gostando do nosso professor Sex Machine, acho um personagem canastrão desde o principio e que se manteve fiel ao pouco avanço que teve. Ou seja, teria sido bem melhor saber mais da vida dele do que a de Carlos. Sim, estou profundamente incomodado. A série tem apenas 10 episódios e mesmo assim nos enrolou em dois. Isso não é um bom sinal.
Outro que ainda não me deixou na mão foi Seth. Mesmo estando frente a frente com o caos ele mostra o mesmo tipo de comportamento que manteve desde o começo da série, enquanto o irmão passava por uma transformação bizarra. Seth forte e tentando manter a calma, sendo razoável com as loucuras a sua volta é totalmente o que eu esperava dele. Isso é ótimo, porque por mais que a série precise do fator surpresa, ver que a surpresa não vem as custas do background dos personagens é saber que o controle não fugiu.
Contudo, ainda estou satisfeito com o balanço geral, até aqui. Compreendo que esse período seja o de adaptação e que a poeira ainda está assentando. Logo, não vejo como o fim do mundo esse episódio ter sido mediano, quase fraco, mas sim como um buraco na estrada. Os vampiros estão interessantes e acho extremamente legal a ideia de que existe algo que os prenda lá dentro, afinal, nada mais poderia justificar a existência de vampiros que ainda se vestem da mesma forma que se vestiam a mais de 500 anos atrás. Somando ao fato de que Richie louco, profeta e agora vampicobra é bem melhor que Richie nenhum.
Ps. Freddie Gonzalez e sua quase utilidade para a trama. Ou soma, ou some.
















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