A apresentação de CSI: Cyber, o mais novo spinoff da franquia.
Em Kitty damos boas vindas a mais um spinoff da franquia CSI que, desta vez, ao invés de trazer em seu título o nome de uma cidade traz o nome de um tipo específico de crime: Cyber (cibernético). Contando com um tema extremamente atual e com a volta de Patricia Arquette à televisão ficou difícil imaginar que essa aposta não daria certo e Kitty veio para provar que CSI: Cyber tem tudo para dar certo.
Nas palavras da própria Ryan “Eu trabalho com crimes que começam na mente, vivem online e se desenrolam no mundo real”. O que é uma simplificação de seu trabalho como uma policial do mundo online. Outro conceito que nos foi apresentado é a deep web, que representa os 96% da internet que não usamos no dia-a-dia, e que se assemelham aos becos e ruelas escuras do mundo real, mas no mundo virtual. Apenas com essas duas rápidas explicações, já é possível entender que CSI Cyber vai ter muito o que nos mostrar, e apresentará aos espectadores uma nova maneira de pensar sobre os crimes. Uma maneira completamente diferente da que foi abordada pela franquia até agora, mas tão interessante quanto.
Desde o início do episódio já é possível ver a tecnologia como uma presença constante no dia-a-dia do cidadão, começando pela câmera que seguiu os movimentos de D.B., as luzes que acendiam e apagavam sozinhas, e chegando ao conceito de Kitty, uma personagem irreal, criada através de pixels, mas que teve implicações reais na vida fora da world wide web.
A apresentação de Patricia Arquette como agente Ryan foi muito bem elaborada e já nos mostrou muito sobre a personagem. Em apenas duas interações, uma com o seu chefe e outra com o piloto do avião, seu poder se torna muito claro. Sua primeira interação com a LVPD vem através da observação do trabalho de Brass interrogando Berman, que estava sendo acusado de matar sua esposa. E, aqui, fica extremamente clara a diferença entre o crime considerado cyber e o assassinato. Enquanto Brass está interrogando Berman a respeito do assassinato de sua mulher, Ryan muda o foco e o questiona sobre seu relacionamento online com Kitty.
Além da óbvia exaltação a tecnologia, o episódio inteiro nos mostra as diferenças entre os dois tipos de crime e os dois tipos de investigação, mas também sobre suas semelhanças. Kitty foi uma ótima forma de nos introduzir à CSI:Cyber e a agente Ryan. Do início ao fim do episódio não consegui tirar os olhos da tela e gostei muito de tudo que nos foi apresentado. Minha única dúvida fica em relação a existência de Kitty no mundo real como Susan. Entendo que esse recurso foi utilizado para humanizar a personagem e nos introduzir aos poucos ao mundo do crime virtual, mostrando traços do mundo real. Mas ainda assim me parece que o novo spinoff da franquia terá uma abordagem mais fria do que aquela que vimos nos outros CSI’s.
PS: A única questão que ficou na minha cabeça após este episódio foi em relação ao novo spinoff. Acredito que o seriado realmente tem muito o que mostrar, mas não sei se o entendo como um derivado de CSI, já que existe uma diferença fundamental entre eles: o fato de Ryan ser uma agente do FBI que não possui relação com o Crime Lab. E quero muito saber como essa questão será abordada, já que seu trabalho se assemelha muito mais a de um detetive do que de um CSI.
14×22: Dead In His Tracks [Season Finale]
A não tão digna despedida de Brass.
Quando a despedida do capitão Jim Brass foi anunciada, os roteiristas afirmaram que o personagem receberia uma despedida à sua altura, porém, o que vimos neste episódio não chegou nem aos pés da despedida que este personagem merecia. E, mais do que isso, Dead in his Tracks poderia ter sido um episódio qualquer de uma temporada, não demonstrando consistentência o suficiente para ser considerado um season finale, ainda mais se comparado com o que nos foi mostrado ao final da décima terceira temporada.
Trazer Ellie foi sim uma jogada inteligente, principalmente porque nunca houve um julgamento sobre suas ações no season première desta temporada quando ela mata sua própria mãe a sangue frio. Mas o relacionamento dos dois quase não é mostrado ao longo do episódio, a conversa de quatro horas, que aparentemente foi responsável pela saída de Jim da LVPD, também não é exibida. Então, o que fica como despedida de Jim é seu último drink em sua sala na LVPD?
Seu personagem merecia muito mais do que isso. Após mais de 300 episódios não era desta forma que eu esperava sua saída do seriado e gostaria muito que esse assunto voltasse à tona no primeiro episódio da décima quinta temporada de CSI. A única boa notícia é que, mesmo com poucos personagens veteranos, parece que com D.B. o seriado finalmente encontrou um rumo mais certo, o que não acontecia desde a saída de Grisson.
Em paralelo a trama de Brass e Ellie vemos o caso do assassinato de Roger Mathers. Assim que o episódio começa e vemos a data 1989, imaginei um caso completamente diferente. No entanto, mesmo que eu não considere este caso o suficiente para o season fenale, ele foi bem elaborado pelo roteiro e foi interessante. Unir o roubo de milhões de dólares, o desaparecimento de Scotty, e o assassinato de Roger não foi uma tarefa fácil.
Inúmeros caminhos podiam ter sido seguidos para se chegar a uma solução do caso e nunca fica evidente qual deles é o certo. Gostei da maneira como foi feito este desenvolvimento, principalmente pela presença de Sam Bishop, que passou de principal suspeito para auxiliador na investigação e foi o personagem mais interessante que nos apresentaram.
A finalização do episódio foi completamente coerente com a história e finalizou bem Dead in His Tracks. A personagem de Karen já parecia esconder alguma coisa desde o início, mas gostei que não a mostraram como uma sociopata que assassinou dois de seus amigos a sangue frio. Pelo contrário, a morte de Scotty foi acidental e a morte de Roger foi proveniente do calor do momento e da ganância da personagem. Fora isso, achei ótima a explicação non sense para o desaparecimento do dinheiro, que foi acidentalmente queimado por causa de um cigarro!
No entanto, para mim o saldo final do episódio ainda é negativo em função da despedida de Brass. E, além disso, não considero Dead in His Tracks um final digno para uma temporada que teve, em sua maioria, ótimos episódios que vierem reinventando uma série que estava ficando cada vez mais fraca.
















