
A existência pela metade.
Spoilers Abaixo:
Fiquei um bom tempo pensando sobre o episódio de Fringe dessa semana antes de começar a escrever esse texto e minha conclusão continua a mesma: Não faz sentido. Pelo menos AINDA não faz sentido pra mim.
Lógico que estou falando do principal assunto em pauta, que é a existência de Peter Bishop, que nos foi explicada didaticamente por Walter. As duas versões dele morreram na infância. Um da doença genética e outro afogado no lago, por culpa de Walter. Isso explica com exatidão (e fecha maravilhosamente bem a lacuna) o embate entre os dois mundos permanecer inalterado. Afinal, Walternativo teria motivos de sobra para odiar Walter, o homem que matou seu filho (algo até pior do que o seqüestro) e os problemas causados no lado B pela viagem a essa realidade paralela ainda seriam algo fixo.
No entanto, eu vejo problemas nessa história. Na verdade, Fringe criou um problema de vocabulário para mim. Eu me apego às palavras e ao significado exato delas. Coisa de quem trabalha com comunicação. Talvez seja um erro fatal, mas em resumo, quero dizer apenas isso: Nunca diga nunca se nunca não significar nunca.
Se sua mensagem for “morreu na infância” não misture as bolas. Fiquei com a péssima impressão de que mudaram de ideia sobre o que pretendiam fazer e jogaram aquela frase na Season Premiere – “eles não podem saber que o menino cresceu para ser um homem” – para consertar a furada.
Sei que jogaram com as palavras, mas quando o Observador diz que Peter nunca existiu isso me passa uma mensagem muito clara. Não existir significa nunca ter estado presente no mundo. Sei também que a frase “Peter nunca nasceu” jamais foi dita, mas isso não muda a guerra que está dominando meus (poucos) neurônios.
Não consigo engolir essa existência pela metade. Para pessoas ou coisas: existe ou não existe. Algo similar ao “estar ligeiramente grávida”. Ou está ou não está, se é que consigo me fazer entender.
Só imagino essa explicação de hoje sendo completamente plausível e sem falhas com o Observador viajando no tempo (já que, para ele, caminhar nessa linha temporal é algo comum) e mudando suas próprias ações. Apagar a existência de uma pessoa é um conceito absurdamente díspar de mudar o que aconteceu no passado.
Mas aí, é claro que eu considero o fato de desconhecermos o “poder” dos Observadores e da própria Máquina do Apocalipse, que foi a grande responsável por tudo o que aconteceu. Por enquanto fico incomodada, mas tenho a impressão de que mais detalhes serão revelados e que há a possibilidade de que eu mude completamente minha opinião sobre o assunto.
Com isso, Fringe conseguiu exatamente o que queria: confundir e gerar discussão sobre a grande questão desse inicio de temporada. O sumiço de Peter realmente nos instiga, porque estamos loucos para saber detalhes, para compreender, para desvendar. É quase como se estivéssemos no lugar de Walter e Olivia, mas com a vantagem de que temos consciência de nossa sanidade (?). Foi interessante saber que Olívia tem sonhos com Peter, enquanto Walter pode escutá-lo e ver a imagem refletida.
Nas frases ditas por Peter durante o episódio (“Walter, do you see me? — Don’t be scared. — I want to come home” e “Walter where are you, I can here you”), fica claro que ele pode ouvir Walter, mas não consegue ver o pai. Isso nos deixa a pergunta sobre em que local essa consciência ou forma de vida que restou de Peter sobrevive. O tal limbo, do Glyph Code passado. Porque ele é capaz de ouvir Walter e de certa forma, se comunicar com ele e Olivia? Impossível parar de questionar.
O fato de Olívia ter feito aquele desenho de Peter é algo curioso a se pensar. Imediatamente lembrei do episódio 3×19 – Lysergic Acid Diethylamide, quando Olivia nos apresenta um desenho do X-Man, o homem que a mataria. Resolvi colocar a imagem aqui para ver se vocês acham que os desenhos são similares. Para mim, o X-Man só lembra o Peter que Olívia desenha nesse episódio fazendo muita força para encontrar semelhanças, mas não quero descartar essa ideia por enquanto.
Também é preciso destacar o excelente uso do caso da semana para conectar os fatos do arco central. A ligação de Walter com o menininho, assim como a ligação do garoto com o fungo, meio que vai abrindo nossas mentes para o retorno de Peter. A coisa funciona mais ou menos do mesmo jeito. Peter usa essa ligação com Walter e Olivia para chamar a atenção e colocá-los na tão aguardada busca, que deve começar já na próxima semana.
Deixando de lado a questão da “existência pela metade”, o que realmente me empolga é saber como ficam as coisas a partir do momento em que Peter reaparecer na história. Tenho a impressão de isso vai causar ainda mais estragos do que o seqüestro, porque seria um imenso lapso. Quero saber se Walter e Olivia lembrarão dele na íntegra, se as coisas podem regredir ao ponto anterior ao uso da máquina do apocalipse e mil outras coisas.
Dessa vez, o Observador estava dando sopa bem em frente ao prédio de Harvard, momentos antes de Walter conhecer Aaron.
Os Glyph Codes vêm com a mesma proposta de confundir, formando a palavra REBORN, que significa Renascido.
Não sei se querem implicar que Peter vai nascer de novo ou coisa assim, mas me pareceu um conceito bastante solto dentro do que é a proposta dos códigos, sempre com significado simples e completamente conectados com fatos do episódio. Não consigo ligar o termo a nenhum outro personagem que tenha aparecido ou qualquer um dos plots desenvolvidos, então fica essa dúvida. Será que não estou entendendo Fringe? Acho que chegou a minha vez.
PS* Atuação impecável de John Noble, mas disso vocês já sabiam.



















